quinta-feira, 3 de setembro de 2009

15 - A minha primeira Viagem - I

.
Arqº pessoal: O meu passaporte "novo" já me permitiu dar umas voltinhas pela Europa.

Arqº pessoal: Face do doc. que prorrogava a autorização de estadia.
.
Dans ma valise en carton
J’ai mis ma vie en chanson
Un bout de châle tout fleuri
Un bout de ciel et d’accent du pays
...................................
Linda de Suza - La valise en carton

Acabava de completar 18 anos. Terminado o liceu, tinha decidido com o acordo dos pais fazer um interregno visando angariar fundos para prosseguimento dos estudos. Muito cedo, tinha ingressado no mundo do trabalho e das responsabilidades, coisa bastante comum na minha geração. Aos cinco ou seis anos já ajudava a tratar dos gados e fazia pequenos trabalhos no campo. O trabalho do menino é pouco, mas quem o desperdiça é louco, ouvia dizer à minha mãe. Após concluir a quarta classe, sentia-me “um homem” e era tratado como tal, não só pelo núcleo familiar restrito, mas por toda a vizinhança. A dureza do trabalho foi aumentando com a idade até atingir os limites do insuportável. Os meus pais geriam uma pequena tasca á moda antiga, onde se vendiam também mercearias, tractol para os motores de rega e camisas de nailo (nylon). Possuíam ainda uma exploração leiteira que causou grande sensação e curiosidade em toda a região, dado que por ali nunca se tinham visto vacas malhadas a preto e branco (turinas). Naquele tempo, a polivalência já não era novidade nenhuma para mim. Empregado de mesa, cozinheiro, merceeiro, trabalhador rural e vendedor ambulante, eram actividades a que me dedicava com toda a naturalidade e em simultâneo. Nas poucas horas destinadas ao repouso, afincava-me no mister de estudante aplicado. Por isso, emigrar e ir à procura de um trabalho melhor remunerado que aquele que eu tinha, não era apenas uma aventura, era um desígnio bem calculado.
O destino era França. O meu pai já lá tinha feito um curto estágio no ano anterior e trouxera boas referências. Os franceses eram gente boa, a simpatia dos patrões era inexcedível e ia ao ponto de cumprimentar os seus trabalhadores com um aperto de mão, e acima de tudo ganhava-se bem. No batimã (bâtiment = construção), a maçonaria (maçonnerie = pedreiros), é que estava a dar. Um obrieiro (ouvrier = trabalhador) era embochado (embaucher = admitir, contratar) ao preço três francos e meio / hora, - cerca de oito cêntimos de euro! -, mas podia fazer uma boa folha de peia (feuille de paye = folha de pagamento, salário), se o toliê (taulier = patrão) desse horas extraordinárias ou trabalho à tacha (à la tâche = de empreitada). Um excelente ordenado rondava as cento e vinte mil balas (balles = fracos velhos = cêntimos de franco), cerca de seis contos mensais, dez vezes o salário de um trabalhador em Portugal! Isto para os maçons (maçon = pedreiro), porque os manobras (manoeuvre = servente) não passavam das sessenta a setenta mil balas por mês.
Era com isto que eu sonhava acordado numa manhã gélida de Janeiro de 1966, quando recebi ordens para ir à Junta da Emigração situada na rua da Junqueira em Lisboa, levantar o meu passaporte, “válido para França via Espanha, exclusivamente”. Ainda sinto uma certa emoção ao recordar aquele caderninho de capa azul com a minha fotografia no interior. Tenha-se em conta que, viajar com passaporte, não era para todos. Eram necessários conhecimentos e havia que distribuir alvíssaras em presuntos e garrafões de azeite, por certas pessoas bem colocadas. Já dizia o meu pai: Quem não tem padrinhos, morre mouro! E quem não tinha padrinhos, recorria ao passaporte de lapin (passaporte de coelho = atravessar a fronteira clandestinamente ou a salto).
Chegou o dia, finalmente. Não recordo a data com precisão e para confirmá-la já não tenho o meu velho passaporte que entreguei no Consulado Geral em Paris, rua Édouard Fournier, 16ème arrondissement (16º Bairro), em troca de outro novo. Sei que foi no princípio de Fevereiro, dois ou três dias após o falecimento da minha avó paterna. Comigo viajava o meu pai e um irmão dele, o tio António que, embora mais novo, era já um veterano da França. Aos seus bons ofícios devíamos as contratas (contratos de trabalho) que nos permitiam emigrar legalmente. A azáfama dos preparativos, ao estilo dos filmes italianos de então, seria hilariante nos dias de hoje mas levada muito a sério naquela época. Na bagagem seguiam poucas "malas de cartão", mas muitos quilos de chouriço, nacos de presunto e toucinho, não sei quantos salamins de feijão, alqueires de azeite e muita aguardente bagaceira para combater o frio, já que as roupas eram poucas e de fraca qualidade. Tudo isto envolvia uma certa dose de astúcia para que as autoridades não procedessem ao arresto das mercadorias em Andaia (Hendaye). Por exemplo, as vasilhas de dez litros onde era transportada a aguardente à candonga, eram exactamente iguais àquelas onde seguia o azeite, produto de circulação livre e legal. Para que os funcionários da alfândega não dessem com o gato, o latoeiro e artífice da marosca, soldava em comunicação directa com o bujon (bouchon = tampa, rolha), um tubo que ia até ao fundo, tubo esse que era cheio com azeite e rolhado. Depois, virava-se a vasilha ao contrário e enchia-se com aguardente e só então o fundo era selado. Se os fiscais metiam o nariz e mandavam retirar o bujon … dava-se o milagre, saía azeitinho, do bom! Quanto às garrafas de vinho do Porto e enchidos, em caso de fiscalização, uma parte era consensualmente apreendida a favor dos guardas e respectivas famílias para que a parte restante pudesse seguir até Paris.
O largo da estação em Pombal ia ficando composto com dezenas de homens que, de trouxa aviada, arribavam nas camionetas da carreira, taxis ou até em carroças puxadas por muar. Vinham cedo para não perderem o Sud Express que chegava por volta das onze da manhã. Alguns faziam-se acompanhar por familiares que queriam despedir-se e ao mesmo tempo davam um cu de mão (coup de main = ajuda), fazendo passar a traquitana através da janela, directamente do cais de embarque para o compartimento do comboio onde o franciú d’Alcochete tinha lugar reservado. Os atrasos eram habituais e a espera tornava-se exasperante. O frio obrigava a bater palmas e, só a custo, um estranho sapateado permitia manter os pés mornos. Para os mais inconformados com a meteorologia ou de coração mole, encontrava-se ali à mão a adega Valadas com os antídotos apropriados. Um tintol ou branquinho, tirados directamente do casco e a fazer camarinhas no copo, mais um jaquinzinho frito ou uma bela patanisca de bacalhau a servir de lastro, e ficava um homem como o aço!
Com uma infernal chiadeira de freios precedida de um silvo que a mim me pareceu mais um uivo sinistro, o comboio lá se imobilizou na linha. Rapidamente colocámos as bagagens nas prateleiras por cima dos assentos e instalámo-nos. A jeito, entre pernas, ficou apenas o cesto do farnel, a botelha (bouteille = garrafa) da água e uma bota (recipiente em couro, muito usado em Espanha para transportar vinho que se esguicha directamente para a boca).
Uma espécie de coice seguido de um solavanco da carruagem, e nem foi necessário ouvir o apito do bandeirinha para eu perceber que tinha começado a minha primeira grande viagem pela Europa, que iria durar cerca de três anos.
O tempo escoava-se lentamente, os ponteiros do relógio pareciam ter adormecido. De vez em quando sacudia o pulso e encostava o meu longines ao ouvido para lhe sentir o coração a bater. Pampilhosa, Celorico, Guarda. A contemplação da paisagem rude e austera, não aliviava o peso do tédio que aparentemente se apoderara da composição. A vozearia e risadas das primeiras horas, dera lugar a um silêncio modorrento entrecortado de sussurros.
Três da tarde, os meus companheiros de viagem, semi-anestesiados pelo santo líquor da bota, descalços e com os pés chulezentos apoiados no banco da frente, dormem que nem justos. Desperto-os com uns abanões, pois estamos a aproximar-nos de Vilar Formoso, terra de contrabandistas, despachantes, pides e guardas fiscais. Mal o comboio estaca, uma chusma deles toma de assalto as carruagens, atentos a qualquer comprometedora minudência que só faros bem treinados conseguem detectar no rosto ansioso de quem não está bem com a lei. Verificados os passaportes e os cantos esconsos onde algum clandestino pudesse ter-se aninhado, o comboio recebe autorização para prosseguir a marcha. Aproveitamos então para comer uma bucha e durante o resto da tarde, de nariz encostado ao vidro da janela observo a paisagem espanhola bem diferente da nossa, que agora e por comparação já me parece mais bonita. Por aqui é tudo muito plano (meseta ibérica), vêm-se apenas chaparros, gado de pelagem negra e algum verde à espera do verão que o há-de converter em restolho calcinado pelo sol. Vejo também, ao longe, pequenos e tristes lugarejos de aspecto lúgubre, que parecem ter sido construídos com materiais retirados de alguma escombreira. São habitações de aldeãos, na sua maioria trabalhadores de grandes fincas (herdades), transformadas em coutos de caça.
O primeiro dia de viagem chegava ao fim com um magnífico pôr do sol, lá para os lados da praia do Osso da Baleia. Em Fevereiro, a noite cai rapidamente e à chegada a Miranda del Ebro já não se via um palmo à frente do nariz. A estação estava às escuras e os poucos sinais de vida na proximidade, chegavam-nos através dos reflexos bruxuleantes das lanternas dos ferroviários que procediam a manobras e verificações de rotina. E os sempre omnipresentes trancos e solavancos do ferro contra ferro. Acomodei-me para passar pelas brasas, na esperança de que ao acordar, o Mundo se apresentasse mais risonho. Mas não, o dia amanheceu triste em Irum, na fronteira franco-espanhola. Uma borranha fria, tipo molha tolos a toldava-me a visão e o humor. Feita a mudança de comboio devido à diferença de bitolas, entrámos em território francês (Hendaye). Não tenho explicação para o facto, mas só ali tive a sensação de que estava realmente no “estrangeiro”.
Entre bocejos, e uns pedaços de broa com azeitonas, fui lendo as tabuletas; Bordeaux, Angoulême, Poitiers, Tours, Orléans …Eram seis da tarde quando chegámos a Paris-Austerlitz. Achei estranho, pois ouvia-se falar português por todo o lado, tantos eram os que chegavam quantos os que os aguardavam. Falsos taxistas portugueses e outros transportadores igualmente candongueiros, esperavam a chegada do comboio. Um portuga velhaco, sacou-nos uma fortuna para nos conduzir com armas e bagagens até uma pequena localidade na banlieu parisienne (arredores de Paris), chamada Villecresnes. Aí, à beira de um caminhito de terra batida e cu tapado chamado Chemim de Jolivettes, havia uma barraquinha tipo bidonville, construída com tábuas surripiadas das obras e coberta a papel goudronné (papel embebido em alcatrão), habitada por quatro chavais da minha idade. Mais modesta, não podia ser. A cama, uma tarimba de madeira com cerca de um metro de altura, suportava um colchão recuperado da poubelle (lixo, vazadouro) suficientemente largo para acomodar cinco homens deitados a par, todos machos! Os lençóis, dois cobertores de cor indefinida, já estavam ao serviço havia várias épocas encontrando-se praticamente impermeabilizados, capazes de se manterem de pé. Entre o lençol de cima e as duas mantas retalheiras que nos cobriam, várias camadas de papel obtido a partir de sacos de cimento devidamente espoados. E por cima de nós, o habitual chinfrim das ratazanas que num interminável ballet procuravam, também elas, algum calor para poderem cochilar um pouco. Lá fora só estavam dezassete graus abaixo de zero! Eram seres inofensivos e uma vez ultrapassada a repulsa inicial, conseguíamos conviver pacificamente, com a condição de ao alcance dos seus dentes não ficarem botas de cabedal ou baguetes de pão. Para evitar que lhes servissem de repasto durante a noite, a estratégia consistia em deixar o calçado e as sobras de comida suspensas do tecto, através de cordéis.
Quanto ao pai e tio, associados na liga dos okupas, tomaram conta de uma roulotte que se encontrava nas imediações e aí estabeleceram residência durante uns meses.
Mesmo a terminar quero deixar esta reflexão que, além der ser estritamente pessoal, não pretende servir de lição para ninguém.
1º À procura da felicidade, distraímo-nos correndo atrás de canas de foguete. E no entanto, a felicidade pode estar aí ao lado e é grátis. Apesar das condições deploráveis acima descritas, aquele foi um dos lugares da Terra onde fui mais intensamente feliz.
2º No nosso quotidiano de cidadãos de um país desenvolvido, a amizade, a fraternidade e a solidariedade, são bonitas palavras de circunstância que se usam em momentos escolhidos. Lá, onde até a vida pouco vale, tornam-se palpáveis, tão reais e consistentes como o pão que se come ou a água que nos mata a sede. E valem mais do que todos os tesouros do mundo juntos.
3º O diabo nunca é tão negro como o pintam e quando a coisa está mesmo preta, lembro-me sempre que a minha situação é melhor do que a de outros. Enquanto pernoitava com as ratazanas de Paris às quais emprestava um pouco do meu calor, era mil vezes mais afortunado do que muitos dos meus companheiros de diáspora que, em pequenos bandos de autênticos mortos-vivos atraídos pelas torres das gruas, deambulavam pela região à procura de trabalho. Escorraçados, sem roupa, sem comida, sem um tecto, alimentavam-se com lixo e dormiam dentro de manilhas de cimento sobre sacos de papel. “Lá fora”, repito, estavam dezassete graus negativos! Purgatórios destes podiam prolongar-se por semanas ou meses até uma alma misericordiosa os conduzir ao consulado para serem repatriados. As suas conquistas por terras gaulesas resumiam-se então a uma merenda dentro de um saco plástico, quinhentos escudos em dinheiro e um bilhete de regresso a Portugal, sem honra nem glória. Estes sim, tiveram uma aproximação imediata ao inferno.
A memória humana é curta e já ninguém se lembra das notícias dos jornais dos anos sessenta que davam conta do aparecimento ao longo da raia, ou nos carreiros dos Pirinéus, de corpos não identificáveis por se encontrarem “em avançado estado de decomposição”. Muitos compatriotas nossos embarcaram na senda da emigração e ficaram pelo caminho. Entre um a dois meses de esgotantes marchas a pé, de cabana de pastor em cabana de pastor, sempre de noite para não serem detectados pela polícia, alimentados com uma golada de Pedro Domecq e um pedaço de chocolate, expostos aos rigores do Inverno em climas de montanha, muitos sucumbiam ou eram simplesmente “deixados para trás”. Para não falar dos passadores desonestos, que depois de tosquiarem os seus carneiros (nome dado aos emigrantes clandestinos), espoliando-os de todos os valores que traziam consigo, os abandonavam como certos criminosos abandonam o seu animal. Outros foram vítimas dos carniceiros de forças da autoridade, nacionais e do outro lado, que não cito por respeito às instituições actuais. Atiravam a matar sobre quem tentava dar o salto, esquivando-se ao pagamento da respectiva “taxa”. Foram às dezenas, os que assim desapareceram, entre ele o filho do meu amigo Francisco G. de Alfaiates, abatido cobardemente quando tinha 25 anos. E muito mais teria para dizer, mas fica para um futuro post.
4º A primeira viagem foi também a mais importante da minha vida. A experiência da emigração fez de mim, sem qualquer dúvida, a pessoa que tenho sido. Aprecio a boa conta em que me têm amigos e familiares, mas acima de tudo, sinto-me muito bem na minha pele. Foi também uma excelente vacina contra erupções de natureza racista ou xenófoba e acredito, sinceramente, que aqueles que nos procuram com o intuito de fazer do nosso país a sua segunda Pátria, são da família. Porque Portugal, foi e será sempre uma grande família de emigrantes. Acarinhemo-los e exijamos às autoridades que façam o impossível para que eles e os filhos dos seus filhos nos adoptem. Tenho dito.

Juan

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

14 - Caminhos de Santiago, 2006 - II

.

P.S. - Com o belga Hubert, junto à catedral.

P.S. - Num trilho com a Maria.

P.S. - À mesa em Palas de Rei

P.S. - Isto é que é trabalho!
Por: Paulo Santiago

1 de Dezembro de 2006. Como era Feriado e Sexta-feira,"cravei" a minha mulher para me dar uma boleia até Portomarin, local onde parara em Agosto...Ela regressou no Sábado. À mesma hora, metia-me a caminho; chovia, quase torrencialmente e assim iria continuar durante os quatro dias de percurso. Na mochila, acrescentei, dois polares e um leve casaco impermeável.
As etapas saindo de Portomarin, para os interessados, são:
-Portomarin-Palas de Rei (24,30km)
-Palas de Rei-Arzúa (29,52 km)
-Arzúa-Pedrouzo (19,20 km)
-Pedrouzo-Santiago de Compostela (19,98 km)
No Inverno encontram-se menos pessoas, o que se torna numa vantagem. O convívio é mais fácil quando há menos gente e as noites, mais longas, são propícias à cavaqueira, bebendo uns copos (vinho, cerveja ou água) à mesa de uma tasca. Durante o dia, cada um segue ao seu ritmo. Sempre debaixo de chuva, cheguei a Palas de Rei quase ao escurecer. O Albergue, bem grande, estava ocupado por uma dúzia de pessoas. Apresentações feitas e, após um banho, mudar de roupa, lá fomos para a tasca.
Um intervalo, para dizer que hoje não lavei roupa, apenas por preguiça, havia tanque e uma máquina de secar que funcionava metendo uma moeda. Devo dizer também, substituíra os calções por calças, o que não foi boa escolha. Em saídas mais recentes, no Inverno, e a chover, os calções continuam a ser a melhor opção. Mais uma dica, quando chove e as botas ficam encharcadas, para as secar nada melhor que atafulhá-las com jornais, na manhã seguinte estão óptimas, e qualquer tasca ou café tem por lá uns jornais velhos.
Voltemos à mesa, vejamos quem se encontrava por lá. Um Português, moi-même, dois Belgas, duas jovens e belas Canadianas do Quebec, uma Alemã, a Maria, um Americano, uma Brasileira, estudante em Madrid, dois Espanhóis, sendo um Catalão e um Basco, por fim dois Franceses que formavam...um casal homo...interessante, vestiam de igual, incluindo pijamas e roupa interior (como sei? simples...dormimos numa camarata, vê-se tudo)...beijavam-se efusivamente pela manhã, quando saía cada um do seu beliche...Por falar em camarata, contava a Maria que, logo num dos primeiros dias (partira de St Jean Pied de Port) telefonara aos pais, tinham achado muito estranho ela ficar numa "caserna"com tantos homens...
Outra curiosidade, o John, americano, tirara um curso de Português no Brasil, e depois leccionou...Português...em Macau....e esta?...onde anda o Instituto Camões?
Dia 5 de Dezembro, pelas 12,30 horas, entrava na Catedral de Santiago de Compostela...
(haverá continuação)

Saudações
Abrantes Santiago

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

13 - O "Kurt" está de parabéns

.
O autor com a neta Carolina ao colo.

Os padrinhos e co-fundadores - faço questão! - deste Blog , Carlos Vinhal e Paulo Santiago, enviaram uma prenda ao “pequeno”. Ficou muito feliz e deseja partilhá-la com os visitantes, incentivando-os a participarem também, pelo modo que entenderem.
Não faço apresentações porque acho bem mais interessante que seja cada um dos seus leitores a descobrir a personalidade que está por detrás dos respectivos textos e fotografias. O que significa que esperamos por muito material deles, no futuro. Mas não deixo de levantar uma pontinha do véu para aguçar curiosidades. O Carlos, nortenho de Leça, é um gentleman que aprecia a boa comidinha, cá dentro e lá fora, cama confortável e nada de foles nos pés. Quanto a trabalhos de casa, nem pensar. Isso é com os guias, que também necessitam de garantir o seu emprego. Já o Paulo – olhem só para aquela bigodaça –, é duro como o cerne de um carvalho. Dá umas calcinhas a quem o queira acompanhar a pé, limpa o cu a um caco se não tiver alternativa e não se chateia nada se o jantar for apenas pão com chouriço, desde que a pinga seja boa. Tanto dorme na tarimba de um albergue como sobre a raiz de um castanheiro. Representam por isso os dois extremos do binómio Turista/Viajante.
Parabéns aos dois e obrigado.
Juan

12 - Caminhos de Santiago, 2006 - I

.
P.S. - À saída de Astorga para Santiago de Compostela, com a mobília às costas.

P.S. - Troço florestal de um caminho de Santiago


P.S. - Fachada de Igreja em Sarria.
Por: Paulo Santiago
Nunca tinha ido para os lados de Astorga-Leon, os troços que conhecia do Caminho de Santiago eram:
-Ponte de Lima- Santiago, feito em 2000, em BTT, três dias até chegar às portas da Catedral.
-Valença-Santiago, no ano de 2003, a pé,durando 4 dias
Para este percurso a começar em Astorga,fui a um mapa do Camino, vi que eram 255 km até Santiago, e daí meti na cabeça...25,5 Km por dia, dá 10 dias...erro..
Como estava em pleno Verão, reduzi o conteúdo da mochila ao mínimo: 4 pares de meias para caminhada, de secagem rápida, 4 t-shirt técnicas, deixam passar a transpiração, 2 pares de calções, 3 boxer's, também de secagem rápida, 1 camisola, 1 poncho impermeável. A estas peças de roupa há que juntar, toalha, equipamento para higiene, saco- cama e uma pequena farmácia que terá de incluir agulha e linha para o caso de aparecer alguma bolha. Diminui-se o aparecimento de bolhas usando o velho Vicks Vaporub, untando os pés, logo de manhã antes de calçar as meias.
Em Astorga, onde existem belas ruínas romanas, arranjei a Credencial, onde se vão colocando carimbos diversos, e que dá para a admissão nos Albergues. Mentalizado e equipado, iniciei a caminhada em 9/08/06, tendo feito neste dia 22,65 km, ficando no Albergue de Rabanal del Camino, onde cheguei por volta das 13.00 horas. Durante a tarde, lavei meias, t-shirt, cuecas, e passado pouco tempo estava tudo seco. Convém sempre lavar, pode chover um dia ou dois, e nesses dias terá que se guardar conforme chegou.
O Caminho, nesta altura do ano, tem um movimento apeado e bêtêtista impressionante...conheci uma jovem belga, tinha partido de Roncesvalles, neste primeiro dia, e ao longo dos dias fui conhecendo pessoas interessantes...um exemplo, no dia 10, encontrei um holandês que à minha pergunta"vens de Roncesvalles"me respondeu"venho de Amsterdam, saí de lá em 8 de Abril" Tinha 61 anos...
No 2º dia, fiquei em Ponferrada, os primeiros 10 km, a seguir a Rabanal foram a subir, dos 1200 metros até aos 1500 do monte Cruz de Ferro, iniciando aqui a descida, 22 km até Ponferrada, situada a 400 metros de altitude. A descida parte um gajo, é um trilho de montanha, com muita pedra solta, onde é necessário grande esforço para não escorregar ...pisei as unhas dos dedos grandes dos pés.
Nos outros dias fui ficando em Villafranca del Bierzo ( tem um vinho tinto excelente), Cebreiro, Triacastela, Sarria, Portomarin. Aqui chegado...parei...faltavam cinco dias para Santiago de Compostela, e as férias estavam a acabar. Iria fazer estes cinco dias em Dezembro...ficam para outro dia.

Abraço
Abrantes Santiago

Foto 1-partida de Astorga
Foto 7-amanhecer saindo de Rabanal del Camino
Foto 22-Castelo dos Templários em Ponferrada ( em obras de recuperação)
Foto34- não encontrei eucaliptos...,carvalhos e castanheiros
Foto 55- que tronco...umas centenas de anos
Foto72- Igreja em Sarria
Foto60-Mosteiro de Samos ( entre Triacastela e Sarria)
Obs: as fotos não publicadas ficam em arquivo para acompanharem futuros posts.
Juan


11 - Viagem à Ilha da Madeira

.

CV: Madeira - Vista geral de Machico.

CV: Madeira - Piscina natural de Porto Moniz.

CV: Madeira - A mulher do Carlos no jardim de Jardim.

Romagem de saudade à Ilha da Madeira em 1985
Por: Carlos Vinhal


Andei uns poucos de anos a convencer a minha mulher a acompanhar-me numa visita à Ilha da Madeira, parcela do território português que me diz muito, pois foi dali que saí, em 1970, com destino à Guiné para fazer a minha comissão de serviço, integrado numa Companhia composta maioritariamente por naturais desta Ilha.

Como se devem lembrar, a pista existente na altura, no Aeroporto da Madeira, situado em Santana, era muito reduzida em extensão, sendo preciso alguma perícia dos Pilotos para lá meter um avião em segurança e sem assustar os passageiros.

Depois de muita acção psicológica, ao fim de treze anos a massacrar-lhe o juízo, a patroa lá concordou. Ia ser para ela uma aventura. Andar de avião pela primeira vez e logo ter de aterrar naquele aeroporto tão peculiar.

Tratados os pormenores na Agência, antes que ela se arrependesse, lá nos pusemos a caminho, voando calmamente numa, felizmente, agradável viagem do Porto para o Funchal, com uma aterragem relativamente suave para desmistificar.
O meu coração ia em pulgas, regressava ao fim de 15 anos àquela linda terra, das mais bonitas que Portugal tem.

Devidamente instalados no “luxuoso” Hotel Santa Maria, após o jantar, quis ir ver o Funchal à noite e o Café (Apolo) que frequentava no meu tempo de militar. A minha mulher sem saber o que a esperava, saiu com sapatos de salto alto. Quem conhece o Funchal, deve lembrar-se daqueles passeios feitos de godo pequeno, espetados ao alto em massa de cimento, formando alguns desenhos pitorescos. Por sua vez a distância, a pé, do Hotel até ao centro do Funchal ainda é um bom bocado. Dispenso os pormenores, mas ao outro dia tivemos que fazer uma visita urgente a uma sapataria, a fim de comprarmos uns sapatos mais confortáveis e práticos. Ainda hoje se fala desta aventura com um riso amarelo.

- Não me avisaste que era tão longe e que os passeios não eram iguais aos nossos!!!

Passámos os dias em visitas por toda a ilha, em táxi alugado, partilhado com mais um jovem casal de Famalicão.
Subimos até ao Pico do Areeiro (1810 metros de altitude) de onde se vê o Pico Ruivo (1862 metros de altitude) que é a terceira maior elevação do território português. Como se sabe, o ponto mais elevado é o Pico, na Ilha do mesmo nome, com 2351 metros.
Percorremos perigosas e escorregadias estradas, hoje substituídas por seguras autoestradas à borla. Tive o prazer de regressar recentemente à Madeira e pude constatar a evolução da Ilha no que respeita a estradas.

Tive ainda oportunidade de visitar a minha antiga Unidade (BAG 2) e de ficar a saber que o então Comandante, Capitão Morais, tinha falecido em combate em Angola. Esta parte não foi nada agradável.

Num dia em que passeávamos os dois pelos belos jardins do Funchal, entrámos num que tinha um belo palacete lá no meio. Vimos as árvores, lemos as respectivas etiquetas para ficarmos a saber o seu nome e sua origem. A determinada altura a minha mulher entra pelo edifício adentro, mas é delicadamente impedida de entrar, com a indicação que ali era a residência oficial do Presidente Regional da Madeira, não sendo permitidas visitas. Ficamo-nos pelo jardim já que o Jardim não nos queria receber.

Fiz algumas fotografias, mas como a maioria delas será igual a milhares que outras pessoas fizeram, dos mesmos locais e com os mesmos ângulos de objectiva, envio estas ao “Juan” para ele publicar se assim entender.

1 - Vista panorâmica de Machico
2 - Ponte no Monte
3 - Vista panorâmica do meu antigo Quartel, a partir do Pico dos Barcelos
4 - Piscinas naturais de Porto Moniz, um instantâneo feliz em que uma jovem se atira para mergulhar nas límpidas águas.
5 - Mais alto que as nuvens, algures a caminho do Pico do Areeiro
6 - Mais alto que as nuvens, algures a caminho do Pico do Areeiro
7 - Pico Ruivo, ao longe, visto a partir do Pico do Areeiro
8 - Residência oficial do Presidente Regional da Madeira
Obs: As fotos não publicadas, ficam em arquivo para ilustração de futuros posts.
Juan



sábado, 29 de agosto de 2009

10 - Quantas estrêlas?

.
Arqº pessoal: Avenida central de Maputo

Arqº pessoal: Mercado de Xipamanine

Arqº pessoal: Ferry que faz a ligação com a Catembe

Arqo pessoal: Maputo - Estação de caminhos de ferro.


Vamos à questão central de qualquer viagem, o alojamento. Deambulando pela Net, tenho reparado que muita gente condiciona o destino das suas deslocações à categoria do alojamento onde vai ficar instalada. Uma das perguntas mais frequentes que tenho encontrado é formulada mais ou menos assim: “ na data tal, tenciono fazer uma semana de férias no…Paraíso. Vou ficar no Hotel das mil Estrelas. Alguém me pode dar algumas referências acerca deste hotel? Muito obrigado, fulano”. Como sempre , aparece uma legião de foreiros, uns a criticarem, outros a tecerem loas ao referido hotel. A conversa fiada abrange o serviço e simpatia dos funcionários, o pequeno almoço, frugal para uns, opíparo par outros, a qualidade da água da piscina, quantas máquinas na sala de fitness ou no health club, a proficiência do cabeleireiro etc., etc. Diz-me o faro que os mais exigentes são habitualmente os que menos saem de casa!
Em contraste, o viajante – que não está a fazer conta de dissipar o seu tempo sentado na borda da piscina com os pés de molho, toalha ao pescoço e copo de whisky na mão –, tem a este respeito, três desejos muito simples de satisfazer. Pretende:
- Um quarto limpo, lençóis lavados e preferencialmente, casa de banho privativa.
- Em climas tropicais, ar condicionado para maior conforto e porque mantem a mosquitada sossegadinha. Que não seja muito ruidoso.
- Localização adequada, na proximidade daquilo que há para conhecer, permitindo economias de tempo e nos gastos com transportes. A este respeito deve ter-se presente o aforismo que diz “o que é barato sai caro”.
Entre o turista extremamente preocupado com o sítio onde vai alijar os ossos e que entra em paranóia se a meio da tarde não tiver uma reserva confirmada e o back packer que já deu duas voltas ao mundo enrolado no seu saco-cama seboso, estão as pessoas comuns, como eu!
Modus faciendi:
Suponhamos que se quer conhecer uma capital europeia. Primeiro passo, escolher a época do ano em que se pretendo fazê-lo. A maioria das pessoas prefere viajar com bom tempo e é sabido que dos Pirinéus para cima, a Europa passa uma parte do ano debaixo de gelo. No entanto, cada época tem a sua beleza e as cidades podem ter ainda mais atractivos no Inverno, em quadras especiais. Um Natal ou Fim de Ano em Paris, Roma ou Copenhaga, são inolvidáveis. Outro bom exemplo é a nossa Serra da Estrela: Esplendorosa no Inverno, divina e misteriosa no verão.
Nas épocas baixas, turisticamente falando, tudo é mais acessível. Dentro da Europa podemos viajar numa low cost para certos destinos ao preço de 1 (um) euro por trajecto mais taxas! E o alojamento pode custar um terço do seu valor na época alta. É uma boa opção, pois garante-nos poupanças que podemos desviar para …compras, por ex. De resto, nada mais fácil do que encontrar um hotel, guest house, pousada ou hospedaria que sirva os nossos intentos. Quanto à qualidade não há que temer, pois todas são devidamente controladas pelas autoridades. E quanto á localização? Também não há qualquer problema visto que, graças à Internet, temos à disposição mapas detalhados, geográficos, por satélite e mistos de todo o território Europeu. Neste momento até já existe o mapeamento fotográfico das principais cidades. Depois é só delimitar o respectivo casco histórico (mais uma espanholice ...) e dentro deste, a proximidade da estação central de caminhos de ferro (Hauptbahnhof) ou da catedral (Dom) da cidade, são garantia de que se está excelentemente localizado. Escolhida a unidade hoteleira segundo a categoria, preço, popularidade ou qualquer outro índice, é só telefonar ou enviar um mail a pedir a reserva. Se receia facultar o número do seu cartão de crédito – eu nunca tive qualquer problema –, a sua agência de viagens também se encarregará dessa missão e com muito prazer! Pelo sim pelo não, e dependendo da duração da estadia, não é asneira nenhuma fazer uma reserva para a primeira noite e, caso a unidade não corresponda às expectativas ou existam alternativas mais vantajosas na mesma área, ficamos com todas as opções em aberto. Além disso, e ainda que a idade da chavalice já tenha passado há muito, leve no bolso o cartãozinho das Pousadas de Juventude. Custa apenas seis euros e disponibiliza uma vasta rede de estabelecimentos de boa qualidade, onde pode encontrar excelente companhia, e tudo a bom preço! Viajando de carro sem destino definido, não precisa de se preocupar. Confie nos postos de turismo (Rep. Checa, Alemanha etc.). Procure um e diga-lhes qual é o seu plafond para a pernoita e eles tratarão do resto com cortesia e profissionalismo. Se viajar de avião, também não tem muito que pensar sobre os tranfers, pois os outros europeus não brincam em serviço e possuem uma abrangente rede de transportes públicos a ligar os aeroportos ao centro das cidades.
Com algumas adaptações, estas dicas aplicam-se às viagens intercontinentais com a ressalva de que, em certas regiões do Globo nada substitui a exploração in loco.
Disponham sempre,
Juan

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

9 - Fazer Turismo ou Viajar?

.

Arqº pessoal: Berlin - Torre das telecomunicações e jardins circundantes.

Arqº pessoal: Berlin - Uma vista da cidade a partir do alto da torre das telecomunicações.

Arqº pessoal: História do nazismo em exposição sobre o que resta do muro de Berlin.

Alô, Banda de Ipanema – aquele abraço.
Meu caminho pelo Mundo – eu mesmo traço.
Gilberto Gil, 1969

No post anterior foram representados a traços gerais alguns dos escolhos com que se pode deparar o viajante por conta própria. Outro item muito importante tem a ver com os orçamentos. Enquanto o turista sabe à partida quanto é que lhe vai custar o “pacote” completo mais os extras, já o viajante vai ter de trabalhar dentro de limites mais amplos, dado que o imprevisto é um elemento a ter sempre em conta numa viajem de aventura. Não quer isto dizer que ao planear a viagem não se deva ser rigoroso nos cálculos, antes pelo contrário. O que se impõe é que seja adoptada a estratégia correcta para fazer face a variáveis que não podemos controlar, o que sempre acontece quando se enfrenta o desconhecido. Oportunamente analisaremos este assunto com maior detalhe.
Vamos agora à questão do, aonde ir?
De uma maneira geral, parece ser bom princípio começar por conhecer bem o próprio país. Não há piroseira maior do que “cagar a posta” com as maravilhas de Punta Caña ou Benidorm e nunca ter visitado Arcos de Valdevez, o pico do Areeiro ou a Furna da Graciosa.
Na preparação da viagem, há muito trabalho de casa a realizar e no qual se deve despender pelo menos o triplo do tempo previsto para a deslocação propriamente dita. Aspectos como a natureza dos solos e a orografia, podem parecer bizantinices quando se está bem repimpado no sofá da sala a ver televisão. Mas lá, onde judas perdeu as calças, essa informação pode revelar-se de crucial importância e poupar-nos dinheiro e chatices. Clima, demografia, principais actividades económicas e religião são elementos que não devemos descurar. Vem depois a matéria relacionada com a arte e a cultura, principais figuras nascidas no pais ou região, ou que aí residiram e, naturalmente, o património histórico. Monumentos, museus, bibliotecas, praças e jardins, e até determinados edifícios públicos e privados devem merecer a nossa atenção. Não se trata evidentemente da preparação para um exame, mas de uma simples abordagem sumária que nos ajudará a compreender melhor e a sedimentar toda a informação que vamos colher in loco. Só assim a relação o custo/benefício se torna favorável e então, viajar deixa de ser uma despesa e pode ser considerada um investimento, dada a potencial mais valia para o viajante: Valoriza-lhe o currículo, alarga-lhe os horizontes, mostra-lhe outras soluções para problemas que encontra no seu país, enfim torna-o mais apto. Segundo uma perspectiva menos materialista, quero acreditar que o contacto com outros povos e outras culturas, transforma o viajante numa pessoa melhor e mais rica.
Uma vez decidido o destino, há que passar às coisas mais práticas como por exemplo, de carro, comboio, avião ou à boleia? Sozinho ou acompanhado? No verão ou no Inverno? Shorts, bermudas ou calças? Máquina fotográfica ou câmera de filamar? Com reserva de alojamento ou seja o que Deus quiser? Hotel, pousada, residencial ou casa de hóspedes? Dinheiro vivo ou de plástico? Cartão de crédito ou multibanco (débito)? Dólares ou euros? Com data pré-definida para o regresso ou depois se verá?
Viajar tem que ser antes de mais um acto de prazer e como tal, partilhado. Muitas pessoas viajam "em solitário", algumas até referem que esta forma de viajar lhes permite uma liberdade de movimentos que compensa alguns dos inconvenientes da viagem a solo. No entanto, a viagem partilhada parece apresentar atractivos irrefutáveis. Logo à partida, deve ter-se em conta que o facto de se estar a milhares de quilómetros de casa, é gerador de um certo grau de solidão para o qual nem todos estão preparados. As coisas complicam-se ainda mais à noite, com o regresso ao alojamento ou se se tem intenção de sair um pouco para tomar uma bebida. Sem a presença de um companheiro de viagem, garanto que pode ser duro! Depois há a questão do pilim, sendo certo que na viagem partilhada temos uma notável redução dos custos por cabeça. O preço do alojamento, o aluguer de carro ou barco e muitas excursões e passeios, ficam substancialmente mais em conta se repartidos. Importantíssima é também a divisão de tarefas. Uma vez chegados ao destino, não significa que terminaram os trabalhos de casa! Há que planear a próxima pernada e para isso são necessários montes de informação a colher localmente. Alguém terá que se dirigir ao bureau de turismo mais próximo que nos fornecerá os mapas e brochuras da região, assim como indicações quanto à melhor forma de chegar a determinado sítio e quanto custa, cuidados a ter relativamente à segurança, onde fica a central rodoviária ou estação de CF. Outros tratarão de saber quais as alternativas de alojamento que podemos encontrar no local, botecos, tascos e restaurantes onde se possa degustar a cozinha da região. É preciso localizar as máquinas (caixas automáticas) que permitem saques internacionais. Existem países, ou certas zonas dentro de determinado país, que apresentem maior risco para o viajante. Aí, até pode ser aconselhável dar uma saltada à nossa representação diplomática mais próxima, informando quem somos, ao que viemos e para onde vamos, já que no caso de haver um percalço, toda a ajuda não será demais. Parece não constituir qualquer exagero se, ainda antes da partida, consultarmos o site da Secretaria de Estado das Comunidades onde encontraremos informação sobre embaixadas e consulados, respectivos endereços e números de telefone. Como se pode ver pela amostra, o trabalhinho chega para todos. Para encerrar o capítulo, faço notar que a viagem não termina com o regresso a casa, ela vai permanecer na nossa memória por meses ou anos, quase tão real como no momento em que a vivenciámos. Para a tornar ainda mais viva e realçar-lhe as cores, conhecem alguma coisa melhor do que recordar as suas peripécias com a roda dos companheiros?
Num próximo post abordarei outros aspectos práticos a considerar no planeamento das viagens.
Até lá,

Juan.