quarta-feira, 16 de setembro de 2009

24 - Viagem aos Bijagós - 1ª parte

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Aeroporto Internacional de Bissau. Foto: adbissau .org

Mercado de Bandim. Foto: tamboresafricanos.org

Vendedoras de ostras em Quinhamel. Foto:4.bp.blogspot.com

Piscina do Hotel 24 de Setembro. Foto: cart1525.com

Viagem à Ilha de Bubaque, arquipélago dos Bijagós.

Há viagens e viagens e há aquelas que ficam registadas na nossa memória. Pelos bons ou maus motivos, ou por ambos, como foi o caso desta deslocação aos Bijagós.
O arquipélago dos Bijagós é constituído por cerca de uma centena de ilhas e ilhotas situadas no oceano Atlântico, ao longo da costa da República da Guiné-Bissau de cujo território fazem parte integrante. Dado o estado de “pureza” em que se encontram, a Unesco classificou-as como Reserva Ecológica da Biosfera em 1996. Entre as ilhas mais importantes, salientam-se a Caravela, Formosa, Galinhas, Maio, Orango, Roxa e Bubaque, tendo sido esta última, o destino da minha viagem.
No seu conjunto, haverá pouco mais de uma dúzia de ilhas habitadas. As outras, ou são visitadas sazonalmente ou possuem mistério ( feitiço), e como tal, são consideradas sagradas pelos Bijagós, etnia que dá o nome ao arquipélago. Estas ilhas possuem uma riqueza natural excepcional, tanto a nível de recursos naturais como a nível cultural. Praias virgens, de águas cristalinas, cálidas brisas agitando palmeirais a perder de vista e a riqueza da sua fauna e flora, fazem delas um lugar paradisíaco, destino de sonho para qualquer viajante.
Numa passagem anterior pela Guiné, enquanto militar em serviço naquela antiga província ultramarina portuguesa, ouvira falar da ilha de Bubaque por ser muito frequentada por camaradas que ali gozavam a sua licença, por vezes na companhia das esposas que para o efeito se deslocavam desde a metrópole. Com o tempo, a povoação de Bubaque tornou-se numa requintada estância de férias que passou a acolher também, para além da hierarquia militar, altos dignitários ligados ao governo provincial bem como o jet set da colónia. Ali não faltava nada, desde um excelente hotel tipo resort, o Hotel Bijagós, que teve a sua época áurea no final da década de sessenta, altura em que foi ampliado com diversos bungallows, tal era a procura, uma danceteria anexa para mais de mil pessoas, um soberbo bar-esplanada debruçado sobre a praia e um conjunto de outras estruturas vocacionadas para o turismo. Havia também alguns edifícios administrativos de grande porte, vilas ao estilo colonial e residências de abastados comerciantes de origem europeia. De tudo isto, o que podemos encontrar hoje são apenas vestígios.
Os abastecimentos faziam-se através de ferry com o que de melhor e mais fresco chegava da Europa. Para maior comodidade e conforto dos turistas e visitantes, um aeródromo situado próximo do extremo sul da ilha transportava-os desde Bissau e outras localidades do território continental. O transfer para o hotel, fazia-se em autocarro próprio, cujos restos mortais ainda por lá sobrevivem.
Como se adivinha, os aliciantes para visitar os Bijagós eram muitos e a vontade, imensa e antiga.
Com o Rui Pedro, meu companheiro nesta viagem, planeei um itinerário em que numa primeira etape seguiríamos até Bissau num voo da Tap, deixando para segundas núpcias o esquema da deslocação até às ilhas, dada a falta de elementos informativos.
Embarcámos em Lisboa numa sexta feira tendo viagem decorrido sem acontecimento digno de registo. Excepto à chegada, quando o Rui não foi dentro por um triz! Mal acabara de pôr o pé em terra, rapou da filmadora e toca a captar umas vistas do aeroporto e material por ali estacionado. Foi quanto bastou para, uns metros à frente, ter uma comissão de boas vindas a aguardá-lo. Valeu-nos um amigo que nos acompanhava, o Manuel Neves, pessoa muito conceituada no meio policial local que rapidamente sanou a situação.
Numa corrida de cerca de vinte quilómetros feitos de táxi até ao “24 de Setembro”, o nosso hotel, o meu sócio pôde sentir o bafo de África. O sol a pique, uns amenos trinta graus e a humidade na casa dos cem por cento, tiram o alento a qualquer branquelas que por ali se atreva. O trânsito é infernal e pauta-se por regras de algum código não aplicáveis noutro continente. Não descortino porque é que em Portugal não se faz a troca automática de uma carta de condução guineense por uma nacional. Quem consegue mexer-se naquele caos, está apto a conduzir em qualquer parte do mundo. Ali, vale tudo, menos colidir. O que só não acontece mais vezes graças aos bons espíritos. Mas quando a batidela acontece, é a vítima que sai do carro, pede desculpa ao atrevido que lhe amolgou o guarda lamas e convida-o a seguir viagem!
Para meter conversa e saber as últimas da politiquice doméstica, instalo-me ao lado do condutor do velho Mercedes 200 pintado a azul e branco. Marca e modelo dominam o mundo dos carros de aluguer na cidade, condenados à canibalização logo que deixam de estar aptos ao serviço.
Sinto a camisa numa sopa, colada às costas do assento. Através do vidro aberto, o meu camarada vai sorvendo o cheiro de África e da cachaça de caju, transportado em lufadas de ar quente e muito pó. Para mim, esta curta viagem é sempre uma romagem de saudade. Brá, depósito de adidos, quartel dos comandos, antigo aeroporto e base aérea, o hospital militar … quantas recordações para os milhares e milhares de jovens que, tal com eu, cumpriram uma parte do serviço militar naquele território.
A chegada ao Bandim marca a entrada na cidade de Bissau. É um mercado de rua, ao ar livre portanto, onde tudo se vende, onde tudo se pode comprar. Frutas, legumes e cereais, carne e peixe com e sem moscas, mobílias e electrodomésticos, ouro, prata, jóias e moeda estrangeira, vestuário, calçado e material escolar, artigos a preços simpáticos para a carteira do cliente, pobre na maioria das vezes. A sua ala principal ocupa várias centenas de metros ao longo da artéria que liga a capital ao aeroporto. Do lado poente, ficam os bastidores deste grande mercado equivalente ao Roque Santeiro de Luanda, constituídos por um labirinto de ruas e ruelas invariavelmente sujas e malcheirosas, onde se apertam como sardinhas em lata, representantes das quarenta e tal etnias do país. As mulheres são o retrato de África, terra-mãe da humanidade. Trajando as cores do arco íris, exprimem-se nas línguas de Babel. Carregam o essencial para alimentar a família e muitas transportam vida nova no ventre, às costas ou pela mão. Pode dizer-se que no Bandim pulsa o coração do povo guineense.
Dentro da cidade, ruas largas embora em mau estado, bordejadas a mangueiras, deixam fluir um trânsito menos caótico permitindo-nos chegar ao Hotel sem dificuldade. Na recepção, um staff primoroso auxilia nas formalidades e encaminha-nos até aos alojamentos. Estes são constituídos pelo que resta de um vasto complexo de edifícios de apoio ao antigo clube de oficiais, uma espécie de barracões cobertos a lusalite e ventilação natural, onde se acomodava o pessoal de passagem. Eram tão medonhamente quentes e desconfortáveis que os residentes temporários lhes chamavam ”o Biafra”. Hoje, depois de algumas obras de remodelação, oferecem aceitável nível de conforto tendo em conta os padrões do país. Impera o nacionalíssimo banho balanta de púcaro e alguidar, suprindo as falhas de água na torneira. Pelas paredes acima a necessitarem de rolo e tinta, bicharada exótica dá as boas vindas aos recém-chegados. Móveis desconjuntados e o ar condicionado cheio de ressonâncias e a debitar calorias, completam um quadro indubitavelmente tétrico para o turista, familiar e aconchegante para o viajante, amante destas paragens.
Depois de uma borrifadela rápida para retirar o salitre do suor agarrado à pele, desfazem-se as malas à procura da vestimenta adequada, roupas leves de algodão, calções, T shirt e sandálias. Em poucos minutos estamos a caminho de Quinhamel na região do Biombo, a cerca de 40 Km de Bissau. O nosso destino é o restaurante da D. Henriqueta e seu marido, o Ti Aníbal. Um barraco situado na margem de uma bolanha, rodeado de frondosas e centenárias mangueiras sob as quais se alinham mesas e bancos corridos, este é o melhor local para saborear as deliciosas e fresquíssimas ostras da bolanha. Passadas pela chapa quente e servidas em quantidade industrial, são uma entrada forte para o menu que se segue; peitos de rola e bifinhos de gazela grelhados aux épices. A noite termina em beleza com uns drinques na Baiana, no centro da cidade, e uma visita a um dancing bem frequentado!
Fim da primeira parte e conclusão: Não é preciso muito para um homem ser feliz. Já as mulheres , não sei...
Juan



terça-feira, 15 de setembro de 2009

23 - Madeira : European Golden Oldies Rugby Festival

PS: Recepção aos "atletas" e acompanhantes na quinta da Magnólia ... a cambada esgotou almudes de bière.

PS: Reparem nesta beleza lituana, protegida pelo Luís Caldas (comité Olímpico), Santiago (Bairrada) e Pinto de Sousa (CDUP).

PS: Nos Stars de Moscovo, havia jovens de 70 anos (calções amarelos).

PS: Sábado houve folga nos jogos e o almoço foi em Porto Moniz. Vista das Piscinas naturais.


Antiguidades em acção!

Um apontamento de: Paulo Santiago.

Em 19 de Junho de 2008, pelas 15.00 horas, aterrei no Aeroporto do Funchal, acompanhado pelos meus companheiros/amigos do Rugby Clube da Bairrada. Íamos participar no European Golden Oldies Rugby Festival.
Era uma 5ª feira e ao fim da tarde houve recepção na Quinta da Magnólia para as 42 equipas participantes e respectivos acompanhantes. Na 6ª feira começaram os jogos e não havendo qualquer classificação, apenas existe o prazer de jogar.
Vinte e uma equipas jogaram no Marítimo, as restantes jogaram na Ribeira Brava. No 2º dia de jogos, domingo, houve troca de campos. Na 6ª o Bairrada jogou com o Gelezinis Vilkas da Lituânia e com o Dedy Russian Stars de Moscovo. Estes amigos moscovitas, mal o jogo acabou presentearam-nos com ...caviar e vodka...
No Domingo jogámos com o CR Évora e com o Cascais. À noite, no porto, jantar para todos os participantes, atletas e acompanhantes. Como sempre, uma grande festa...

Abrantes Santiago


segunda-feira, 14 de setembro de 2009

22 - Caminhar nos Pirinéus I

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PS: Pic du Midi de Bigorre.

PS:Humm...não estou nada parecido. Alguém me diz onde é o jogo?

PS: Paisagem. Foto tirada no Pico du Midi.

PS: Trilho para o Pic du Midi.

Um torneio de Rugby para veteranos, nos Pirinéus.
Por: Paulo Santiago.
Tenho prazer em caminhar, cansar as pernas. Já ultrapassei, há anos, a fase acelerativa, aquela em que um gajo se excitava agarrado ao volante puxando os HP; agora só um cavalo...eu
Há um ano, Agosto / 2008, fui até aos Pirinéus, melhor dizendo, Hautes-Pyrénées. Em 2005 tinha andado no lado de Spain; montei a base perto de Ainsa, um notável exemplo de preservação, percorrendo os trilhos do Parque Nacional de Ordesa e Monte Perdido, com uma subida à Pena Montanesa...não sei onde meti as fotos...voltemos a França...
Hautes-Pyrénées...montei a base no Camping Le Monlôo, em Bagnères-de-Bigorre, sendo esta cidade a melhor escolha. Fica no centro, um raio para Tarbes, outro raio para o Pic du Midi, outro para Lourdes, outro para Gavernie, outro para....
Vamos caminhar...comecemos, para aquecimento, pelo Tour de Serris, com início na aldeia de Beaudéan, situada a 4km de Bagnères. É um percurso circular com uma duração de 3.00 horas e um desnível de 360 metros. Depois podemos ir subindo, há imensos percursos assinalados, e chegamos a La Mongie … de carro. Temos de subir ao Pic du Midi de Bigorre, escolhendo uma de duas alternativas:
1) Utilizando o teleférico que sai de La Mongie e pagando 30€ ou
2) Vai-se no automóvel até ao Col du Tourmalet ( onde passam os ciclistas),estaciona-se e...pés ao caminho...2.30 horas a subir e 2.00 horas a descer, com um desnível de 700 metros. A parte final da subida, tem uma inclinação muito acentuada, o que exige um esforço suplementar, mas sabe bem. Chegados ao Pic du Midi, pode-se optar por descer no teleférico. Já experimentei as duas alternativas. Em Maio / 2007, fui a Tarbes participar num Torneio de Rugby para Veteranos (informo, para quem não sabe, maiores de 61 anos) e a organização ofereceu-nos um voucher (?) ao Pic. No Verão passado subimos e descemos a pé, eu e a minha mulher...
( continua)
Abrantes Santiago

domingo, 13 de setembro de 2009

21 - Passeio à ilha da Madeira em carros antigos - Conclusão.

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Arqo pessoal: Chegada ao quartel dos B.V. de S.Vicente.

Arqº pessoal: Grupo de senhoras participantes no passeio.
Arqº pessoal: No bar dos Bombeiros para um cafézinho.

Arqº pessoal: Um sorriso que vale por mil palavras.

Arqº pessoal: Juan, o patrão do Blog. Vista da encosta norte da Ponta de S. Lourenço

Arqº pessoal: Chegada da caravana à Ponta de S. Lourenço.

Arqº Pessoal: Tempo de eleições. Uma inauguração com a presença de Alberto João.

Arqº Pessoal: Moderna Igreja da Camacha.

Arº Pessoal: Vista geral da vila de Machico.

Arqº pessoal: outra vista de Machico


Funchal, Hotel Monumental Lido, 11 de Setembro de 2009, quase meia noite.
Não há mal que sempre dure nem bem que não acabe. E o que é bom, acaba depressa!
No restaurante Real Canoa, está a decorrer o jantar de encerramento do passeio. Desenfie-me e deixei os companheiros à mesa para concluir este apontamento final.
É tempo de despedidas e agradecimentos. Em primeiro lugar, deixamos um grande abraço aos Bombeiros da Madeira, personalizados nas figuras dos senhores Xavier e Miguel do Destacamento de S. Vicente. Foram inexcedíveis quanto a cuidados para que tudo corresse bem. Devemos-lhe o sucesso do passeio e o privilégio de ter podido visitar locais que habitualmente não estão acessíveis a vulgares turistas. E quem melhor do que os Bombeiros conhece a sua terra?
De um ponto de vista mais pessoal, devo também uma referência carregada de especial carinho aos meus parceiros de aventura. Foram condescendentes, aturaram-me as maluqueiras e contribuíram largamente para que na hora da partida já bata a saudade e a vontade de repetir. Se não for antes, até para o ano, amigos!
Este último dia de visitas começou à hora habitual, nove da manhã. O pessoal mantém a exuberância do costume, mas … nota-se que todos sentem que o bem-bom está a chegar ao fim! Por auto-estrada, partimos em direcção a S. Vicente. De passagem revemos Câmara de Lobos onde chegamos num ápice. Pouco depois arribamos ao quartel do Xavier onde fazemos uma breve paragem para um cafezinho e visita às suas modernas instalações. Próximo destino, a vila de Santana onde temos almoço aprazado no restaurante Colmo. Antes, do alto da estrada marítima, contemplamos a bela povoação de Ponta Delgada, onde reside o nosso guia. Continuando em direcção ao almoço, avistamos Boaventura e Arco de S. Jorge. No miradouro de Cabanas, um vendedor de frutas abastece a caravana com especímenes exóticos de que nós, continentais, nem conhecíamos o nome e ainda menos o sabor, como por exemplo a pêra-melão ou o fruto da costela-de Adão. E a Madeira aqui tão perto!
Após um excelente almoço que primou pela qualidade do serviço, seguimos para a Ponta de S. Lourenço que com o seu ar rude e selvagem bem podia ser considerada um ex-líbris desta Ilha. Esta Ponta é uma espécie de estrema a partir da qual se avistam grandes extensões das costas norte e sul. Assim como o Pico do Funcho, que visitamos em seguida e de onde se pode confirmar visualmente esta curiosidade: A pista do aeroporto do Funchal é a única em todo o mundo que se estende por duas cidades, Santa cruz e Machico. É quase sol posto, mas ainda há tempo uma paragem na Camacha com visita a uma loja de artesanato.
Fim de dia, de trabalhos e de reportagem!

Juan

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

20 - Passeio em carros antigos à Ilha da Madeira - 2º dia

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Arqº pessoal: O Miguel, elemento do Destacamento de Bombeiros de S. Vicente, Porto Moniz.

Arqº pessoal: Eira do Serrado, a 1094 metros de altitude.

Arqº pessoal: FIAT 600 de 1961, viatura participante, aquela em que me desloquei. A seu lado, uma irmãzinha mais nova.

Arqº pessoal: O Juan junto ao cruzeiro do Pico da Torre.

Arqº pessoal: Miradouro do Cabo Girão

Arqº pessoal: Câmara de Lobos vista do miradouro do cabo Girâo. Com muito zoom e pouca expertise.

Arqº pessoal: Almoço no restaurante Vides, vila do Estreito. Em primeiro plano à direita, moi, o Juan.

Arqº pessoal: Curral das Freiras visto do Miradouro da Eira do Serrado.

Arqº Pessoal: Carrinhos de verga ou zorras, veículos de tracção gravitacional.

Ainda mal recuperados da ressaca de emoções do dia anterior, eis-nos de partida para mais um dia de convívio em que também contamos encher o coração e os olhos com paisagens e momentos irrepetíveis. Para evitar novos tresmalhes, o Xavier conta a partir de hoje com a ajuda de um elemento do seu corpo de bombeiros, o Miguel. Segue na cauda da coluna e a sua missão é recuperar algum participante mais teimoso ou distraído.
O nosso primeiro destino foi o lugar do Monte, sobranceiro à cidade do Funchal. Neste local existem alguns pontos de interesse, como a Igreja de Nª Sª do Monte, a estação dos carrinhos de verga ou zorras, e o edifício superior do teleférico. Terminada a visita, o road book obriga-nos a seguir para o Pico dos Barcelos. Breve paragem para umas fotografias e ala que faz tarde para a Eira do Serrado, um miradouro natural de onde se avista uma paisagem deslumbrante sobre o Curral das Freiras. Num dia de muito sol, o centro desta pequena vila fervilhava com turistas. Atiravam sorrisos de simpatia aos recém chegados visitantes e os seus olhares, atraídos pela caravana de carros antigos impeliam-nos a fotografar. Simplesmente porque os achavam bonitos? Evocação de momentos felizes de tempos idos?
Na programação das visitas para este dia, foi introduzido um capítulo destinado à revisão da matéria dada. Voltámos por isso à Ribeira Brava e Câmara de Lobos que explorámos ao pormenor, sendo dada particular atenção às ligações ao Funchal e interior da Ilha através de novas vias, capazes de despertar a inveja de muitos países continentais desenvolvidos. Uma bem concebida rede de modernas estradas e túneis, deu xeque-mate às encostas de grande declive; a Madeira tornou-se menos acidentada, mas também mais pequena. Para além de facilitarem a circulação de pessoas e mercadorias, estas infra-estruturas também fizeram encolher a região, já que as distâncias medidas em tempo são agora muito curtas e, num instante, está-se em qualquer lado. No Estreito de Cãmara de Lobos, fomos à procura do almoço servido no restaurante Vides.
Após o repasto, uma agradável moléstia tomou conta do grupo, a rapaziada só pensava em bater uma curta sesta. Posta a questão ao Xavier, este decidiu curtocircuitar o programa e asssim rumámos ao cabo Girão, de onde se pode gozar uma vista magnífica sobre Câmara de Lobos. À esquerda, avistam-se algumas construções do Funchal situadas junto ao porto comercial, na zona dos silos. Entretanto, a modorra dissipou-se como as nuvens que encobriam os picos mais elevados e ainda houve tempo para saborear um delicioso fim de tarde junto ao cruzeiro do Pico da Torre. Por volta das 18h30 foi decretado o fim das operações e cada um ficou por sua conta e risco durante o resto de tarde e a night. Amanhã será dia de folga.

Juan.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

19 - Passeio à Ilha da Madeira em carros antigos - 1º dia

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Arqº pessoal: O velho e o novo. O sr. Cruz, participante, 80 anos e o Afonso, filho do cte. Artur.

Arqº pessoal: O Sr. Artur, Comandante dos Bombeiros Voluntários de Porto Moniz com o filho ao colo.

Arqº pessoal: Algumas das máquinas participantes.

Arqº pessoal: O grupo dos entusiastas dos carros antigos.


Arqº Pessoal: O Sr. Xavier, adjunto de comando e nosso guia durante todo o passeio.


Caros amigos e visitantes,

Sei que têm sentido a minha falta, pelo menos tanto quanto eu a vossa. Espero poder compensar-vos com material que estou a preparar sobre uma viagem … não posso adiantar mais nada. Só posso dizer-vos que até eu gosto do que já escrevi, o que é raro!
A causa da minha fraca produção nos últimos dias, deveria ser do vosso conhecimento se se tivessem dado ao trabalho de ler os posts anteriores. Mas vá lá, aí posso eu dar uma ajuda dizendo-vos que me encontro na Pérola do Atlântico desde o passado dia 7/9, para o passeio à Ilha da Madeira em carros antigos (v. post nº 5). Conforme previsto, os participantes embarcaram com as respectivas viaturas no ferry Volcan de Tijarafe que partiu de Portimão no domingo dia seis de Setembro, com considerável atraso. Excluindo esse contratempo, a viagem foi magnífica com um mar de senhoras a saudar aqueles que ensaiavam a sua primeira experiência náutica. Atraso puxa atraso e, a chegada ao Funchal deu-se pelas duas da tarde, cinco horas após o horário de tabela. Tudo correu lindamente e como não faltavam a bordo os comes e bebes, até foi uma forma de prolongar o cruzeiro à borliú. Porém, este vosso amigo viajou de avião, dada a indisponibilidade da viatura com que participa habitualmente nestes encontros e passeios, um Morris 1300 Saloom de 1968. E como não havia carro a embarcar, preferi a viagem de avião, bem mais cómoda para quem é piloto náutico. Juntei-me aos meus companheiros, na segunda dia sete, à hora de jantar.
Todo o programa, foi delineado com base nos apoios com que iríamos contar nesta ilha, fruto da profunda relação de amizade entre o comandante Carlos Carvalho dos Bombeiros de Pombal e os seus colegas madeirenses. Um pequeno aparte para referir que o comandante Carvalho, nosso amigo comum e meu compadre, auto-excluíu-se do passeio à última da hora por imperioso motivo de natureza profissional. Todos lamentamos que não tenha podido acompanhar-nos mas, graças aos seus homens de mão instalados no terreno, a operação revelou-se extremamente facilitada.
Terça dia 8/9, foi então o primeiro dia de trabalho a sério. Num rápido briefing realizado no hotel Lido onde nos encontramos alojados e no qual participou o Xavier, adjunto do comando do destacamento dos bombeiros voluntários de Porto Moniz, foram acertados pormenores quanto ao percurso, dispositivo da coluna, comunicações, paragens para café e fotografia.
Encosta acima, encosta abaixo, partimos à descoberta do paraíso da laurisilva.
Radiadores a ferver, embraiagens a patinar e caixas de velocidades a ranger e a cuspir dentes, provocavam franzidelas de sobrolho aos choféres. Na atmosfera, aquele infernal cheiro a guerra que é o do cheiro do ferodo queimado, a lembrar a toda a gente que a qualquer momento, poderiam surgir as primeiras baixas. Apesar de tudo, as relíquias submetidas a tratos de polé não se têm negado e ainda nenhuma necessitou de enfermaria nem ambulância. Mas deverá reconhecer-se honestamente que a orografia da ilha não se presta a este tipo de exercício, devido ao extremo esforço exigido a quem já deu tudo. E para estes automóveis, que têm alma e sentimentos como as pessoas, é como se fosse uma falta de respeito.
Saída do Funchal em direcção à Ribeira Brava, com uma breve passagem por Câmara de Lobos a contrastar com a demorada visita às grutas de S. Vicente, completaram o périplo da manhã. Ao almoço, na Estalagem do Mar na Fajã da Areia (S.Vicente), compareceu o sr. comandante Artur dos Bombeiros de Porto Moniz que, para além de nos desejar as boas vindas, teve a amabilidade de trocar palavras muito simpáticas com alguns dos participantes. O passeio continuou da parte da tarde com visitas ao Seixal, Porto Moniz e Paúl da Serra. Regressámos ao Funchal pela via expresso Prazeres – Ribeira Brava com passagem pela Calheta. Durante todo o passeio, houve muita força de boa disposição, retratos a tudo o que mexia ou estava quedo, cavaqueira a dar com um pau e a presença constante do Xavier que pacientemente ia colmatando as lacunas que estes continentais interessados, por vezes ignorantes, revelavam acerca da Madeira, suas gentes e recursos. A noite terminou em beleza com o jantar servido num restaurante do Funchal, o Barqueiro, que se recomenda.
Pois são estas, amigos, as notícias que vos envio a partir da Madeira sobre este passeio que ainda há-de ser contado e recontado aos nossos netos. Mais notícias frescas, só amanhã.

Juan

domingo, 6 de setembro de 2009

18 - Viagem a Tenerife

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C.V. - Tenerife, Pico Teide

C.V. - Tenerife, palmeiral no Loro Parque

C.V. - Tenerife, paisagem árida na base do Pico Teide
Em Tenerife, comemorando os 25º aniversário de casamento.
Por: Carlos Vinhal

Depois daquela romagem de saudade à Ilha da Madeira em1985, durante uns anos não houve férias para ninguém. Provavelmente demos umas voltas pelo nosso lindo rectângulo, do qual tenho algumas fotos, tão boas que nem parecem tiradas por mim. Qualquer dia mostro-as.
O tempo foi passando e sem darmos conta, íamos completar 25 anos de casados. Estávamos então em 1997.
Para festejar, resolvemos ir ao “estrangeiro”. O mais “estrangeiro” a que tínhamos ido, foi ali em Vilar Formoso ao passarmos para o outro lado do meco que assinala a fronteira entre Portugal e Espanha.
Tinham-nos dito que as Ilhas Canárias eram muito bonitas, quase tanto como a Madeira e os Açores, pelo que resolvemos ir dar uma escapadela.
Fui à Agência de Viagens, não sei viajar doutra maneira, marquei o Hotel, em Tenerife, em função das estrelas dele e do meu dinheiro, respectiva passagem de avião, e lá fomos numa altura que incluía o dia de aniversário do nosso casamento e dos anos da minha mulher. Por acaso ela nasceu no dia em que havia de casar 24 anos mais tarde. Coincidências.
Viagem muito agradável até que o Comandante da aeronave anunciou a chegada ao nosso destino. Vou tentar descrever o que vi, ou melhor, não vi.
Pela janela do avião vislumbrava-se uma área enorme de não sei quantos quilómetros (ou milhas) de nuvens, e de repente no meio das ditas, o pico de um monte a furá-las.
O avião continuava a perder altitude para fazer a aproximação à pista e eu a tentar ver os hotéis, piscinas, casas chiques, praias de areia dourada e tudo o mais que eu julgava ir encontrar. Mas nada, só paisagem lunar. De repente no meio do deserto viu-se um aeroporto. Bem ao sul da Ilha, tão ao sul que quase o faziam no mar. Pousámos no meio do deserto, literalmente, esperando que estivessem à nossa espera. Convém dizer que no nordeste da ilha há outro aeroporto próximo da capital, Santa Cruz de Tenerife.
Estávamos já no interior do Aeroporto Rainha Sofia, assim se chamava este, quando alguém exibia um cartaz com o meu nome.
O ar estava sufocante, mesmo não havendo sol. Estava completamente desiludido.
Metidos num autocarro lá fomos a caminho de... nem eu sabia de quê.
Andados uns quilómetros, começou a aparecer a “civilização”. Quem havia de dizer que debaixo daquelas nuvens todas, se iria encontrar aquela aglomeração enorme de hotéis para todos os gostos e carteiras. Gente de todas as nacionalidades e cores, vestidas, ou despidas, da maneira mais adaptada ao clima tórrido que se fazia sentir. O nosso destino era a Praia das Américas e o Hotel Las Palmeras.
O Hotel tinha uns jardins muito bonitos com vegetação predominantemente tropical.
A Praia das Américas é uma zona projectada para o turismo. Toda a noite tem movimento. As esplanadas dos cafés e hotéis têm música a toda a hora. Juro que “vi e ouvi” os Platters a cantar o “Only You”. Também “vi e ouvi” os Beatles ao vivo e a cores, ali mesmo à mão. Pintores mais ou menos audazes pintam a spray, a carvão e a óleo. Charretes puxadas a cavalo levam turistas a passear por umas quantas Pesetas (ainda não havia chegado a era do Euro), para nós portugueses muitas.
Estão disponíveis autocarros de graça para levar os turistas aos pontos de interesse, devidamente publicitados. Cada autocarro tinha o seu destino. Estou a lembrar-me de um horto onde fomos só com cactos, onde também se podia andar de camelo.
Os hotéis situados à beira-mar têm saídas nas traseiras que dão directamente para um passeio em cimento que corre ao longo da praia de... godo. Areia, nem vê-la naquela zona. Este passeio era pejado de pequenos restaurantes e vendedores ambulantes, africanos a maioria, pelo que dava para se dar umas boas caminhadas, comprar umas bugigangas ou comer qualquer coisa.
Uma noite fomos ver um espectáculo à Pirâmide de Arona com a actuação do Gran Ballet Clássico Espanhol, coreografado por Carmen Mota. Inesquecível.
Nesta sala de espectáculos cabiam largos milhares de pessoas e estava praticamente esgotada.
Outra noite, coincidente com o dia de aniversário do nosso casamento, fomos ao Casino ver um espectáculo de variedades, com direito a champanhe tudo.
Nas outras noites, quando não havia programa, passeava-se e ouvia-se música ao longo das ruas.
Juntámo-nos com uma senhora que andava acompanhada da filha e do namorado, alugámos um carro e assim pudemos dar umas voltas pela Ilha.
Visitámos o Parque das Águias, onde presenciámos os voos das ditas que iam para tão longe que dava a ideia de que tinham ido embora para sempre, mas ao fim de algum tempo regressavam, em voo picado com uma precisão impressionante, à mão do seu domador. A seguir, vimos um elefante a fazer habilidades no meio da multidão, parte de que gostei menos, porque o paquiderme podia estar mal disposto naquele dia e atacar alguém.
Seguimos depois para o Loro Parque, espécie de Jardim Zoológico, onde se podia ver espectáculos de ilusionismo, golfinhos, papagaios amestrados, uma flora fabulosa e animais, ditos selvagens, de toda a espécie.
No Parque tinha ainda um aquário que era uma maravilha, com tubarões que se passeavam num enorme tanque de água, em vidro que fazia um túnel por cima dos visitantes. Perdi-me com a máquina de filmar a registar aqueles movimentos vagarosos e elegantes daqueles bichinhos, mesmo, mesmo por baixo deles. Pudemos ainda ver outros peixes de menor porte em diversos aquários mais pequenos.
Um dia tentámos ir ao cimo do famoso Pico Teide, o tal que consegue furar as nuvens, mas chegámos tão tarde e a fila para o teleférico era tão grande, que nos limitámos a olhá-lo cá de baixo e continuar viagem.
Seguimos então para Santa Cruz de Tenerife, uma cidade típica da beira-mar, ventosa e cosmopolita. Lembro-me que na altura jogava no Clube de Futebol local, o Domingos Paciência, meu vizinho e actual treinador do Braga FC.
Outro dia bem ocupado, foi um que passámos a navegar ao largo da Ilha, a bordo de um navio com o casco em fibra de vidro, com almoço e lanche a bordo. Pude ver e filmar os golfinhos que nos acompanhavam, que brincando passavam de estibordo para bombordo, e vice-versa, por baixo do navio.
O que é bom, acaba sempre, e lá chegou o dia do fim das férias e de voltar à realidade. Regresso ao Porto e ao trabalho.
Um dia destes trago mais uma perigosa aventura, acontecida em mais uma viagem organizada a algures onde haja um hotel com quarto e banho privativo.

CV