quinta-feira, 5 de novembro de 2009

46 - Bonança!


Imagem da Net.
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Ao 12º segundo dia de hibernação forçada a que a desgraçada gripe me condenou, começo a sentir e a responder ao apelo das teclas. Meio combalido, reitero aos amigos e visitantes a vontade de continuar a elaborar sobre viagens e seus projectos. Agora que o Inverno está para assentar arraiais, os destinos prazenteiros que o hemisfério sul nos oferece tornam-se irresistíveis. Cheiros, cores e sabores, paisagens de sonho, vibrantes comunidades humanas e até o ruído da passarada, são um consolo para o corpo e a alma que se reforça a cada nova visita. Disso e de outras coisas constará o esboço do próximo raide a que deitarei mãos dentro de dias, e que através do Kurt trarei ao vosso conhecimento.
Até lá,
juan_jovi@sapo.pt

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

45 - Quem anda à chuva, molha-se!

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Imagem da Net
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Pois é! Chegou com pezinhos de lã, dava a entender que não passaria de um ameaço. Abafei-me, abifei-me e dei um derrote no laranjal. Com o aproximar do fim de semana começou a pôr as garras de fora, principalmente ao nível da faringe. Parece que o tareco esteve a aguçar as unhas no meu gorgomilo. Recolhi a penates esperançado que o sistema imunitário daria conta do recado dado que, com a minha idade, pelo menos um primo do bandido já fez do meu canastro alojamento. E até parecia que estava a ficar melhorzinho, obrigado. Tanto assim que ontem (domingo) à tarde até fui ao Bodo das castanhas, uma festa e feira anual numa localidade próxima chamada Vermoíl. A retaliação não se fez esperar, passei a noite de levante e pela manhã estava feito num oito.
Não sei se é a dos porcos, das rolas ou dos grilos, nem me interessa, já que antes de mim, os familiares apanharam todos o mesmo cacimbo, fui o último resistente. Nesta espécie de paraquistão vou aguardar por melhores dias, o que até nem é só desvantagem. Tenciono aproveitar para dar início aos trabalhos de preparação da próxima viagem. Na verdade, o projecto já está meio alinhavado, falta entrar nos finalmente, ou seja nos aspectos mais concretos como o onde dormir, onde comer, de ônibus ou de avião etc.
Aproveito para dirigir o convite à comunidade, caso alguém me queira acompanhar, o nosso destino será o PERU. Bora lá?
juan_jovi@sapo.pt

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

44 - Shorts, bermudas, calças ou calções?

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Imagem: kimrichter.com

Foto de: oglobo.globo.com

Dicas aos viajantes.
Reporte ao post nº 9 de 28/08/2009
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Ao assistir aos telejornais de hoje, notei com pesar o relevo dado aos últimos desenvolvimentos sobre guerra civil em curso nalgumas favelas do Rio de Janeiro. Muitos mortos e, estranhamente, parece não haver feridos ou presos! Dir-se-ia que as autoridades fazem o seu papel que basicamente, consiste em limpar as favelas e infundir o sentimento de segurança à população. Qualquer pessoa, a começar pelos próprios cariocas, aplaudirá todas as medidas visando a tranquilidade das pessoas e salvaguarda dos seus bens. Neste ponto estaremos todos de acordo, por maioria de razão aqueles que já foram vítimas de assalto, sequestro, intimidação ou outra forma qualquer de crime violento, e no Brasil eles são-no com muita frequência. A questão está no modo como o fazem.
É difícil aceitar que os responsáveis políticos, militares e policiais relacionem a onda de violência com ordens de serviço emitidas por comandos que se encontram engaiolados numa prisão de alta segurança no estado do Paraná. Enquanto os (pequenos) operacionais do crime vão sendo eliminados pela tropa e pela polícia, os seus chefes parecem ter mão livre para continuar a recrutar e dirigir o narcotráfico a partir da prisão.
Não estamos a falar de marginais munidos de sofrível escupeta, faca de mato ou seringa com sangue de galinha. Trata-se de pessoal aparentemente com formação militar, apto a manusear armamento sofisticado a ponto de derrubar helicópteros, capaz de se bater, taco a taco, com a força armada do Estado. Uma organização desta natureza exige uma logística pesada. Definir a hierarquia na cadeia de comando, operacionalizar uma rede de comunicações, garantir o remuniciamento, tomar decisões quanto à disposição no terreno e estratégias de combate, não são pêra doce nem mesmo para profissionais.
Como é que tudo isto acontece à luz do dia no país mais poderoso do continente sul-americano?
A conclusão só pode ser uma; embora com algumas perdas na infantaria, os barões estão a ganhar a guerra porque o seu poder estende-se muito para além do limitado espaço das respectivas celas. Nalgum ponto têm que existir "complacências" a alto nível. Não falo em promiscuidades entre poderes porque não sou investigador, não tenho provas e como tal, não tenho o direito de apontar o dedo a ninguém. Mas que a bota não bate com a perdigota, parece-me evidente.
Além disso, o que me importa é poder continuar a viajar pelo mais belo país do Mundo, como tenho feito, de Amapá até Pelotas. Sempre na maior tranquilidade e segurança entre o mar e a montanha, da selva amazónica à selva urbana. Conheci várias favelas e tudo o que encontrei foi gente boa, trabalhadora, preocupada em encher a barriga aos filhos e mandá-los para a escola. Não me senti mais inseguro do que em alguns bairros suburbanos do nosso país onde volta e meia se desenrolam batalhas campais e os habitantes mais antigos e pacatos se vêm forçados ao confinamento do lar ou ir morar para outro local. Ao invés, os habitantes das favelas amam o seu sítio e o espírito de comunidade que tão bem sabem cultivar. Nunca fui vítima nem sequer testemunha de qualquer acto de violência. Antes pelo contrário, os brasileiros são particularmente cordiais e atenciosos para com os portugueses. Meio a brincar, já me disseram que americano, inglês, francês … é tudo gringalhada, mas “português é dá família, rapais!”.
Todos, e não apenas o Saramago, sabemos que onde existirem dois homens, há probabilidade de sangue derramado, violência física e psicológica, inveja, cobiça e consequente apropriação de bens alheios. O viajante tem que ter em conta esta herança humana de modo a saber comportar-se em meio estranho, potencialmente hostil, culturalmente diferente do seu.
Em algumas partes por onde tenho andado, verifico amiudadamente que nem sequer há o mínimo respeito pela miséria e sofrimento dos povos anfitriões. Manifestações ostensivas de riqueza perante seres humanos que esgravatam o alimento no chão ou em lixeiras, não são apenas um insulto mas também um perigoso incentivo a qualquer forma de agressão.
Quem não presenciou a petulância de certos bandos de galhardos turistas, carregados de anéis, relógios e outras jóias de elevado valor, passeando-se entre pobres e famintos como se estivessem de visita à quinta?
Ao meu amigo visitante com tarimba nas viagens, nada tenho a ensinar. Aos outros, peço licença para sugerir o seguinte:
Não ofendas os indígenas com a tua abastança. Veste-te com simplicidade, come com frugalidade. Enfia o chinelo e o calção se fores à praia, atavia-te como toda a gente para ires ao restaurante, às compras ou assistir a um espectáculo. Na rua, cumprimenta as pessoas com quem cruzas, em particular os vendedores ambulantes que se dirigirem a ti. Oferece-lhes um aceno ou um sorriso e pede "por favor" sempre que precisares de alguma informação.
Respeita as instituições e autoridades ainda que te pareça que a sua formação fica abaixo do desejável. Esforça-te por aprender algumas palavras ou frases da língua local, e se estás com alguém da tua nacionalidade, evita falar em tom agressivo ou muito alto; ninguém precisa saber que és forasteiro e assim evitarás um mau encontro na esquina seguinte. Não abuses da câmera de filmar, guarda-a no bolso e se quiseres colher imagens, repara primeiro se existe algum dístico a proibi-lo. Se fizeres close-ups de pessoas em mercados, praças ou jardins, pede-lhes autorização e não esqueças que em quase todo o mundo é proibido filmar aeroportos, edifícios governamentais tais como esquadras de polícia, quartéis da tropa e tudo aquilo cujo recato o bom senso nos diz que devemos respeitar.
Quanto às jóias, o melhor é deixá-las em casa. E, por favor, se pertences a essa tribo de gente loura, perna esbranquiçada e à vista, sandália ou sapatão nº 45, casquette de tenista e sinais exteriores de riqueza, tem cuidado. Para todos os efeitos é como se fosses portador de um pirilampo a dizer … assalta-me … assalta-me!
Respeita sempre esta máxima de ouro:
Em Roma, faz-te romano!

terça-feira, 20 de outubro de 2009

43 - Tramou-se!

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Foto retirada de: tribunadonorte.com

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Não saberia dizer exactamente onde ou quando, sei que foi um texto que encontrei na Net, haverão uns meses, que me deixou a pensar.
Dizia o seu autor que acreditar em Deus é uma espécie de pulsão, algo para que estamos geneticamente condicionados, como se no genoma humano existisse um código que nos empurra para os braços de Deus.
Sou um daqueles (raros) casos que vivenciaram situações que nenhuma teoria humana que eu conheça conseguiria explicar. Por outro lado, tive oportunidade de assistir aos últimos instantes de pessoas em condições dramáticas, e nesse contexto, posso testemunhar o seu profundo, derradeiro e irreprimível apelo a Deus. Também já encontrei agnósticos e ateus militantes que no momento da aflição renegam a militância e, como toda a gente, imploram o divino. De modo que, estou seriamente inclinado a admitir a existência de Deus, não o reconhecendo contudo nos deuses inventados pelo homem, vestindo por um figurino que algumas ilustres figuras de pensadores acham completamente fora de moda.
Entre elas, encontra-se o nosso Nobel, José Saramago. Na apresentação do livro Caim, o contumaz escritor até teve o culot de afirmar que a Bíblia era um manual de maus costumes de todo desaconselhável à educação de uma criança. Na sua opinião, se não tivesse existido nós seríamos eventualmente melhores pessoas. Nesse livro estamos nós todos, os humanos, retratados através daquilo que temos de pior, obedientes a um Deus pouco recomendável.
Ocorre-me aqui um livro da minha adolescência, o “Drama de João Barois” de Martin du Gard, em que um sujeito passa a vida toda a negar a existência de Deus para, no momento em que está a bater a bota … mandar chamar um padre, confessar-se, comungar e pedir-lhe a extrema unção!
Antecipando um hipotético final como o João de Barois, lá foi dizendo que não era contra Deus mas sim contra a ideia que dele fazemos, já que um Deus vingativo e caprichoso só poderia ser uma invencionice humana, concebido à nossa própria imagem e por isso, vítima potencial de parricídio.
Dizem alguns que não se deve misturar ciência com religião. Talvez não, mas a tentação é grande. Se do ponto de vista científico nada nem ninguém conseguiu até hoje provar ou excluir a existência de Deus, com a mesma segurança podemos afirmar que muitos dos dogmas em que assentam as diversas religiões têm vindo a ser paulatinamente desmontados pela ciência. E aí reside o conflito que já motivou, por exemplo, que creacionistas e darwinistas chegassem às últimas.
Por aquilo que deu a entender, Saramago não será ateu e muito menos anti- Deus. Nisso parece estar certo já que cuidado e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém, e na sua provecta idade, ser prudente é uma virtude, não vá o diabo tecê-las. O que ele parece repudiar é uma relação próxima com O representante do Deus dos cristãos, o que não deixa de ser curioso dado que o nosso Nobel está neste plano muito mais próximo de Cristo do que aparenta. Pois não foi O Emanuel que expulsou os vendilhões do templo? E que revelou aos homens do seu tempo um Deus compreensível e compreensivo de face e coração humano, preocupado com a nossa condição de mortais e pecadores?
Como fazê-lo hoje sem beliscar um establishement com vinte séculos de mentiras, erros, hipocrisia, apropriação de bens alheios, genocídios etc., etc.? Difícil, não é? Por isso, em boa verdade vos digo, o nosso Zé abanou o vespeiro e agora está feito. Nem a sua condição de grande homem das letras de Nobél ao pescoço o poderá livrar das ferroadas!
Juan_jovi@sapo.pt

domingo, 18 de outubro de 2009

42 - Caminhar faz bem!

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Macieira de Alcôba, o nosso ponto de partida.

No miradouro da Urgueira.

Os caminhantes: Juan ao centro. À sua direita o Paulo e a mulher Teresa. À esquerda, a Rosa e o marido, Vitor.

Os mesmos da foto anterior com a diferença de que a fotógrafa Rosário foi substituída pelo Vitor.

Junto ao forno colectivo de Urgueira.

Uma rosa para a Rosário ...
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No trilho das Terras de Granito, revisitando a Urgueira.

Ontem, sábado, foi dia para mais um passeio pela natureza num Outono colorido e cheio de sol que mais parece um apêndice do Verão.
Voltámos à Urgueira, uma freguesia do concelho de Águeda situada a uma cota próxima dos 600 metros de onde se avista uma paisagem magnífica de serranias, avultando a serra do Caramulo. Quase tudo quanto se vê é verde, o verde da floresta de pinheiro bravo e eucalipto, matizado aqui e além pelo ocre da folhagem das coníferas que começam a despir-se para receber o seu amado Inverno que as há-de revigorar.
Estabelecemos o ponto de partida no lugar de Macieira de Alcôba, uma freguesia do concelho de Águeda onde hoje se votou de braço no ar por ter menos de 150 habitantes.
Por caminhos atapetados com pedregulhos e carreiritos onde os pés se enterravam no manto de caruma e mato, eram 10h00 quando iniciámos a esfalfante subida que culminou no miradouro, junto ao forno colectivo da Urgueira, um local amplo e devidamente acondicionado para receber a festa anual da aldeia que se realiza no terceiro domingo do mês de Agosto.
Antes, passámos pelo Carvalho, um lugar onde tivemos oportunidade de dialogar com uma senhora idosa amparada por dois cajados, transportando um feixe de lenha à cabeça, que parecia ser a sua única habitante. No regresso revisitámos a minúscula localidade e aí tivemos a sorte de encontrar um representante do sexo masculino. Disse-nos que depois de percorrer meio mundo resolveu regressar às origens, gozando os anos que a vida tiver para lhe oferecer agarrado ao volante do seu Ferrari, um tractor Sam … qualquer coisa que o leva por montes e vales sem cansar as cansaditas pernas. Ofereceu-nos do que tinha em casa que delicadamente recusámos já que na antiga escola primária de Macieira, agora transformada em restaurante, nos aguardava o aprazado almoço.
Pela uma e meia da tarde, demos então início à sessão de cuja ordem de trabalhos constaram:
- Queijo fresco com ervas e gomos de tomate,
- Morcela regional com esparragado,
- Pataniscas de bacalhau com tiras de broa frita,
- Arroz de cabrito,
- Cabrito no forno com batata assada e legumes,
- Rojões.
Para derrotar definitivamente a crise, foi-nos servida uma queijadinha, especialidfade da casa a acompanhar o cafezito da ordem. Os condutores apreciaram a água fresca e cristalina que brota das fontes da região, enquanto as penduras até tiveram direito a um cheirinho, que me disseram ser áspero mas de origem desconhecida. Seguiu-se mais um momento de descontracção muscular e confraternização que terminou por volta das 17h30, quando os participantes, a ansiar pela próxima, iniciaram o regresso às suas residências. Se algum dos nossos visitantes se quiser juntar a nós, não faça cerimónias, a casa está ás ordens!
juan_jovi@sapo.pt

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

41 - Viagens e Segurança

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Imagem da Net.

Para os ferrenhos das grandes expedições (terrestres), o continente euro-asiático oferece tantos destinos de sonho quantos se quiserem. Nem uma vida inteira chegaria para levar a cabo uma ínfima parte dos projectos de grandes viagens que aqui se poderiam conceber. Infelizmente, o viajante tem razões para se sentir ofendido na sua liberdade de movimentos e espoliado no seu direito à cultura e à confraternização com outros povos que desde há muito se habituou a considerar como amigos. Numa boa parte deste imenso território, é-lhe negado o acesso livre e seguro a locais considerados berço da civilização que partilhamos. Certos países do próximo oriente, vastas regiões do Irão, Iraque, Afeganistão, Paquistão e norte da Índia, são alguns destinos de todo desaconselháveis, onde até o viajante mais temerário se mete nas encolhas dado que, perder a vida, pode não ser o pior dos desfechos.
E porquê? Em poucas palavras, algumas causas:
- Gula das potências industriais do ocidente por matérias primas consideradas estratégicas, em que aquela região é rica.
- Delimitação de esferas de influência, de forma tão ou mais exacerbada do que durante o período da guerra fria, entre as forças hegemónico-imperialistas.
- Interferência nos assuntos internos dos países da região por parte de serviços especializados estrangeiros, tendo como objectivo dividir para reinar.
- Erros políticos do passado, cristalizados em acordos e tratados internacionais sem qualquer sustentação, para cuja solução nunca foi encontrada a necessária abertura política.
- Desconhecimento generalizado por parte dos ocidentais acerca dos perfis religioso e sócio-cultural dos povos que aí habitam, tornando-os presa fácil de políticos manipuladores e sem escrúpulos, acolitados por comunicadores sociais ignorantes crassos.
Como resultado, temos em curso um número obsceno de guerras abertas, larvares e potenciais.
Como se sabe, os mandantes ficam á distância e são sempre os mexilhões que se lixam. Depois do 11 de Setembro e em consequência do ímpeto revanchista dos ianques e seus aliados, os mortos e estropiados contam-se pelas centenas de milhar, entre vítimas inocentes e combatentes das diversas facções.
No caso do Iraque, a coligação dos vendidos fez a bulha e escaramunha. Agora, com o rabo entalado, meteu-se em copas e recolheu a quartéis. E a carnificina continua! Onde é que pára a tal promessa de ao menos deixarem um país livre, democrático e pacífico, desenvolvido à medida das suas riquezas? Foi pelo cano, naturalmente, como a maioria das promessas vindas daquele lado.
O Jornal de Negócios de ontem, publicou um texto de João Carlos Barradas em que o jornalista se interroga acerca do que fazer com a gigantesca fraude que retirou qualquer vestígio de credibilidade às recentes eleições no Afeganistão. Estas eleições, encomendadas e telecomandadas pelo ocidente, controladas por uma comissão presidida por um canadiano e da qual fazem parte um americano, um holandês e duas marionetas afegãs, uma das quais acabou por se despedir, deviam fazer reflectir o Mundo. Porque de uma vergonha se trata para o mundo inteiro e em particular para um circo chamado Nações Unidas.
Avizinha-se um Inverno dramático para as forças da Nato e associados, naquele teatro de operações. Os últimos meses foram os mais mortíferos nesta guerra que era para durar seis meses no máximo e já leva oito anos de combates assimétricos e cada vez mais ferozes. Os comandantes militares gritam desesperadamente por reforços, que as opiniões públicas estão cada vez mais relutantes em consentir. Os responsáveis políticos, jogam tudo por tudo, gritando ao seu povo que a segurança nas ruas de Londres se joga nos vales e montanhas do Afeganistão, como ainda ontem ouvi da boca de um cretino europeu. Um trampolineiro do outro lado do Atlântico usou a mesma retórica, mas esse, ainda há-de ir à barra do tribunal responder pela morte de milhares de rapazes e raparigas do seu país, sacrificados no altar da pulhice e da mentira. O processo está em andamento.
E nós portugueses, que papel nos cabe no seio desta chafurdice? O que mandam os nossos maiores? Em que estado fica a segurança nas ruas de Lisboa ao tornar-nos cúmplices, colaborando nestas bandalheiras?
Escreve o jornalista:
[Uma companhia de comandos partirá para o Afeganistão em 2010 para integrar a "Força de Reacção Rápida" do contingente internacional e os custos da participação portuguesa, iniciada em 2002 e centrada sobretudo no treino da polícia e exército afegãos, superarão os 80 milhões de euros no final deste ano].
E termina o João Carlos Barradas com a seguinte reflexão:
Não serão só os 40 mil militares que Barack Obama possa vir a destacar como reforço do contingente dos Estados Unidos, como pede insistentemente o seu comandante no Afeganistão, o general Stanley McChrystal, que acabarão por se interrogar sobre o sentido da sua presença na Ásia Central. Também as tropas portuguesas dificilmente compreenderão o que se quer nesta guerra”.
Agora a(s) minha(s) pergunta(s):
Será que esta gentinha ainda não percebeu que está irremediavelmente derrotada? E que fugas para a frente como mandar mais tropas para o teatro de operações só servem para dilatar a extensão do desastre? E que os duros que pretendem fazer a vontade ao patrão, mantendo e reforçando até os seus contingentes no terreno, o fazem mais por cobardia do que por convicção?
Algum destes iluminados já pensou nas consequências a médio prazo de um fogo que todos os dias avança mais para além das fronteiras do Afeganistão e já chega ao Punjab e a vastas zonas no coração do Paquistão?
Dos noticiários de hoje da Net, retiro:
The Times newspaper reported on Thursday that Italy's secret services paid the Taliban "tens of thousands of dollars" to keep the Sarobi area in Afghanistan safe for its troops, but did not tell Nato allies about the deal.It accused Italy of misleading the French, who took over control of the district in mid-2008, into believing the area was safe, leaving them unprepared for the attack in which the (10) soldiers died”.
Ou seja, segundo a notícia, os serviços secretos italianos compraram aos Taliban o sossego das tropas que guarneciam um posto avançado. Não avisaram os franceses que os substituíram o que teve como consequência a morte de dez soldados gauleses num único ataque.
Mas há mais e mais grave! Notícias da Al Jazeera:
Hoje também, a sede da secreta paquistanesa em Lahore ( porventura um dos locais mais bem guardados do país), foi assaltada por quatro guerrilheiros que abateram quatro funcionários. Na mesma cidade, um ataque a uma academia de polícia deixou seis oficiais mortos, havendo ainda a referir um ataque às “Pakistani Elite Force Headquarters in Bedian” e outro a uma esquadra de polícia.
E os ataques suicidas contra edifícios públicos, incluindo hospitais e escolas, mercados, autocarros, hotéis … ? Quando é que isto vai parar? O que podemos fazer junto dos nossos governantes para ajudar a pôr um ponto final nesta chacina?
E já agora, porque será que os nossos pivots, sempre tão pressurosos a noticiar as façanhas dos rambos, parecem menos interessados em dar o devido relevo ao maior flagelo dos nossos dias?

juan_jovi@sapo.pt

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

40 - Caminhada pelo trilho da Vezeira, Montalegre

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Imagens colhidas durante mais uma caminhada por Terras de Granito. Desta vez em Vezeira, concelho de Montalegre.
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Fotografias e texto de Paulo Santiago

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Este trilho da Vezeira, situa-se nos baldios da aldeia de Fafião, concelho de Montalegre. É de grau de dificuldade elevado, não só pela distância percorrida, 20,33 km, mas também pelas diferenças de cotas, 500 m e 1265 m.
Vezeira? Uma explicação retirada de uma publicação da ADERE, associação localizada no parque Peneda-Gerês: "A vezeira consiste na junção dos rebanhos duma aldeia para serem pastoreados em terrenos comuns, baldios. É baseada no agrupamento dos proprietários de gado, seguindo regras de funcionamento desta forma comunitária, transmitidas de geração em geração. O papel principal de todos os membros da vezeira é conduzir o rebanho à vez"
O trilho está assinalado com "mariolas" pirâmides de pedras que poderão ir de três pedras até às dezenas ou centenas, sempre dispostas naquela forma geométrica. Apesar destas marcações ,não me arrisco numa marcha na serra sem um guia experiente. Desta vez foram dois amigos da Javsport que nos guiaram.
Saímos de Fafião às 9,30 horas, a uma cota de 500 m, caminhando, em plano, uns 2000 m, seguindo-se uma descida até uma cota de 300 m, percorridos 3000 m. Andados 9000 m, atinge-se a cota máxima,1265 m.
Por volta das 12,30 horas, uma rápida paragem para comer uma refeição ligeira, queijo, presunto, pão de centeio, e água...muita. Tínhamos andado 7,7 km e estávamos a uma altitude de 900 m. Esta paragem foi feita junto a um abrigo de pastor, uma construção rudimentar de grandes pedras. Após a refeição começou a parte mais penosa da subida, zonas com vegetação, outras de rocha lisa, até atingirmos os tais 1265 m, e mal imaginando o que vinha a seguir. A descida, mais ou menos 10000 m é extremamente dura, sendo os joelhos os mais sacrificados, mas passados dois dias, o ácido láctico é lixado, são os músculos das coxas a doerem.
Foi uma bela jornada, encontrei um veterano da Guiné, António Novais, Fur .Milº de Trams, esteve em Mansoa e Bissau, em 1968-69, tem 64 anos, deu-me uma"rapada", não é fácil acompanhá-lo. Pensem nisto … !
Chegámos a Fafião às 19,30 horas. Fomos jantar ao restaurante A Clínica a Santo Tirso

Fotos representando várias fases da marcha. Na 1ª , o António Novais e este escrevinhador.

Abraço, e ponham os músculos a funcionar,

P. Santiago