sábado, 28 de novembro de 2009

48 - De São Paulo ao Mato Grosso do Sul

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A bordo do voo da Ibéria, Madrid - S. Paulo.

Em Barajas, Madrid, aguardando o voo de ligação.

Livros de contabilidade de uma fazenda à portuguesa.

O Luís, de vara na mão, colhendo mangas numa rua de Panorama.

Cenas de um casamento: Aguardando a noiva, Inês, na Igreja de Nª Sª da Saúde no Bº de Sta. Cruz em S. Paulo.

A caminho de uma fazenda.

Pormenor do arsenal de um Peão.

O Luís tratando da saúde a um Mc Crispy em Barajas.



Fachada da residência-base de S. Paulo.

Paragem para distribuição de água.

Igreja de Nª Sª da Saúde no bairro de Stª Cruz em S. Paulo, onde no sábado 21/11, se realizou o casamento da Inês, filha dos propritários do Terra Nova.
Fachada do hotel Terra nova em Bataguassu, MS.

Na praia, gigantesca albufeira artificial no curso do rio Paraná em Presidente Epitácio.

Perdido na selva!

Pormenor da artilharia de um Peão.

Posando para a foto ... não é fácil distingui-los!

Preparando o jantar na Fazenda Pombal.

Num trecho de mata nativa no estado de Mato Grosso do Sul.

Operação Machu Picchu (cont.)

Caros amigos e visitantes;

Em primeiro lugar quero dizer-vos que tenho sentido a falta das vossas visitas e comentários. E garantir que, se o Kurt tem andado arredio em notícias, é por boas razões. O que se tem passado explica-se de uma penada. Desde a chegada ao Brasiu, o nosso quotidiano virou um perfeito fandango. Os compatriotas daqui, fazem questão de receber as visitas nos conforme. Um amigo apresenta nóis para outro amigo e este para um terceiro. Ao fim dji um tempinho, você já bateu papo com metade da portuguêsada daqui, almoçou com parentes que nem conhecia, tomou tira gosto em casa de brasileiro, visitou fazenda, montou a cavalo, esfolou borrego, bebeu no córrego, esteve presente em casamento e boda dji ouro e até recebeu proposta pa noivá! E cadê o projecto Machu Pichu? Quasi tá indo para o cano, né?

Pois bem, como eu não quero que vos falte nada, aqui vão as primeiras notícias acerca do “empreendimento”. Eu e o meu amigo Luís Ferreira embarcámos nesta aventura num voo da Ibéria que partiu de Lisboa cerca das 21h00 de 17/11. Quarenta e cinco minutos depois chegávamos a Madrid. Depois foi só engolir um Mac Crispy, percorrer quilómetros de corredores entre os terminais de Barajas e “saltar” de um avião para o outro que nos trouxe até S. Paulo. Viagem longa e algo cansativa, mas menos aborrecida do que seria se tivéssemos viajado durante o dia. A meio do trajecto, uma passageira foi acometida por um treco dos diabos e dado que à pergunta se havia algum médico a bordo ninguém piou, lá entrou o Juan de serviço. Vai-se tornando habitual e se correr sempre tudo bem como até aqui, ainda acabo a viajar à boleia!

Chegada ao aeroporto de Guarulhos, S. Paulo, pelas 8h00 de 18 de Nov. onde após desembaraço das formalidades do SEF e Alfândega, nos juntámos a um casal amigo, o Manuel da Cecília e mulher (ela é a Cecília!), que nos aguardava no átrio do aeroporto. Conduziram-nos até ao Parque Novo Mundo, um bairro de S. Paulo, onde tivemos o privilégio de usufruir em regime de exclusividade, de uma bela moradia, a “casa do senhor Fernando”, que ainda nem tive o prazer de conhecer, apesar de se encontrar a residir em Portugal.
Tendo como ponto de partida esta “base” situada praticamente no coração da cidade, iniciámos o roteiro das visitas e festejos que se prolongou por nada menos do que uma semana. Aproveitando as deslocações para revisão da matéria dada sobre transportes públicos nesta grande metrópole, fizemos um sassarico pelos arredores utilizando a sua excelente rede de Metrô, ônibus e comboios regionais. Num destes passeios demos uma saltada até Campinas com janta, pernoita e almoço do dia seguinte em casa de amigos de velha data, a família Meira.
Quando eu já nem me lembrava do que me tinha trazido a este país, eis que o meu “sócio” Luís saca o seu plano secreto e “orienta” outra estadia, desta vez em Bataguassu, no Mato Grosso do Sul. Foram mais de 700 Km feitos de uma tirada e vejam só, à boleia de outros dois grandes amigos, os senhores Oliveira e Virgílio, do Éden Bar de Campinas, que por coincidência tinham uns afazeres lá para aqueles lados. Foi uma viagem tão prazenteira que nem demos pelo passar do tempo. Às onze da noite estávamos em Bataguassu petiscando uma saborosa tilaia frita num restaurante típico, acompanhada, pela minha parte, com muita água e guaraná. Querem ver que ainda vou engripar outra vez?

Fomos recebidos pelo casal Joaquim e Cecília (outra Cecília), tios do Luís, que nos proporcionaram uma estadia inolvidável. O hotel Terra Nova de que são proprietários, situado no coração da cidade (Bataguassu), é uma verdadeira preciosidade. De dimensão e estrutura “familiar”, é gerido pela Cecília, pessoa de uma sensibilidade invulgar, alma de poetisa e também exímia artista plástica com formação académica de nível superior nessa área. Se o Joaquim, seu marido, foi o arquitecto como gosta de nos lembrar, a Cecília decorou cada recanto do hotel com trabalhos de pintura de sua autoria que, a meu ver, bem mereciam figurar numa exposição ao lado de “profissionais” reconhecidos.
Como não há mal que sempre dure nem bem que não acabe, hoje pela manhã tive que dar corda aos sapatos e de ônibus, cheguei pelas 15h00 a Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul. Têm caído fortes aguaceiros que revigoram o capim de que o gado se alimenta. Através da janela do autocarro pude observar uma paisagem monótona, em tudo semelhante à pampa Argentina, onde milhares e milhares de rezes da raça nelori pastoreiam livremente. Também se avistam vastos campos de soja, a cultura da moda por estas paragens. Criação de gado e culturas industriais como a da soja, cana do açúcar e oleaginosas não podem deixar de ter o seu impacto no meio ambiente. Mas este é um país imenso, com uma população de 200 milhões de pessoas que encontram no sector primário a principal fonte dos seus recursos.

No momento em que redijo este texto, são duas horas da manhã. Aguarda-me um pesado dia de trabalho pelo que tenho que abreviar! Estou instalado no hotel Gaspar situado no centro, propriedade de um português meu conhecido, o Sr. Melim. O Luís vai ficar mais um dia ou dois com os tios Joaquim e Cecília, devendo dar à costa entrtanto para ambos atravessarmos a fronteira com a Bolívia em Corumbá, que fica a um pulo daqui. Depois seguiremos para Santa Cruz de la Sierra, La paz e Cuzco. Darei notícias mais tarde. Até lá, sonhem com viagens e de preferência, pratiquem. Com o frio que aí faz, vão pensando como será andar por aqui, aconchegados por um bafo de uns trinta grauzinhos à sombra, de chinelo no dedo, calções e T shirt!
Juan_jovi@sapo.pt

terça-feira, 10 de novembro de 2009

47 - Objectivo: Machu Pichu!

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Machu Pichu, imagem da Net.

Caros amigos e visitantes;
De regresso ao “serviço activo”, aqui estou para vos dar conta dos últimos desenvolvimentos em matéria de planeamento da próxima “expedição”. Tal como anunciei em post anterior, através do qual enderecei convite a eventuais companheiros de aventura, tenho estado profundamente embrenhado nos preparativos da próxima viagem que englobará a região do Pantanal Brasileiro, a Bolívia, o Peru e, eventualmente a Colômbia. De tanto ver e rever possíveis itinerários traçados em mapas, até os olhos me doem! E mesmo assim, há decisões que só poderão ser tomadas localmente. São aquelas que têm a ver com possíveis cortes de circulação rodoviária ou encerramento de fronteiras relacionados com o mau estado da pavimentação de estradas e pontes, geralmente afectadas por grandes enxurradas nesta altura do ano, em que as chuvadas chegam a ser cataclísmicas. Depois foi o estabelecer de algumas “bases” de apoio, incluindo as residências de amigos e conhecidos de outras andanças, ao longo de um percurso que terá cerca de 12000 Km, só no continente sul-americano. Nos últimos dias dediquei-me a fazer algumas pesquisas sobre o Notebook mais indicado para manter o contacto e proceder à sua aquisição. Actualmente encontro-me na fase de arrumação da mochila seleccionando os ítems indispensáveis à realização do projecto. A primeira manga Lisboa – Madrid – São Paulo está prevista para a próxima semana. O dia do embarque não está ainda definido devido à greve do pessoal da Ibéria. Em São Paulo, cidade de mil encantos e de que nunca me canso, ficarei uns dias a descansar das 13 horas de voo, aproveitando para visitar mais alguns ícones da arte e cultura mundiais que esta grande metrópole tem para oferecer. Seguirei depois por via rodoviária para Campo Grande, capital matogrossence do sul esperando entrar na Bolívia pela fronteira de Corumbá, seguindo depois para Santa Cruz de la Sierra e La Paz. Se tal não for possível, terei de prosseguir para Cuiabá, capital do estado de Mato Grosso, procurando atingir a partir daqui a mesma cidade de Santa Cruz. Como terceira alternativa, tenho hipótese de voar de Campo Grande para Rio Branco no Acre e entrar directamente no Peru pelo posto fronteiriço de Assis, seguindo depois para Puerto Maldonado e Cuzco. Não vos incomodarei por ora com mais pormenores pois espero fazer um relato circunstanciado sobre as peripécias de cada troço que enviarei para o Kurt sempre que tenha Internet disponível e à borla, já que o preço do roaming é incomportável.
Então até breve, e para todos um abraço do,
juan_jovi@sapo.pt

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

46 - Bonança!


Imagem da Net.
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Ao 12º segundo dia de hibernação forçada a que a desgraçada gripe me condenou, começo a sentir e a responder ao apelo das teclas. Meio combalido, reitero aos amigos e visitantes a vontade de continuar a elaborar sobre viagens e seus projectos. Agora que o Inverno está para assentar arraiais, os destinos prazenteiros que o hemisfério sul nos oferece tornam-se irresistíveis. Cheiros, cores e sabores, paisagens de sonho, vibrantes comunidades humanas e até o ruído da passarada, são um consolo para o corpo e a alma que se reforça a cada nova visita. Disso e de outras coisas constará o esboço do próximo raide a que deitarei mãos dentro de dias, e que através do Kurt trarei ao vosso conhecimento.
Até lá,
juan_jovi@sapo.pt

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

45 - Quem anda à chuva, molha-se!

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Imagem da Net
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Pois é! Chegou com pezinhos de lã, dava a entender que não passaria de um ameaço. Abafei-me, abifei-me e dei um derrote no laranjal. Com o aproximar do fim de semana começou a pôr as garras de fora, principalmente ao nível da faringe. Parece que o tareco esteve a aguçar as unhas no meu gorgomilo. Recolhi a penates esperançado que o sistema imunitário daria conta do recado dado que, com a minha idade, pelo menos um primo do bandido já fez do meu canastro alojamento. E até parecia que estava a ficar melhorzinho, obrigado. Tanto assim que ontem (domingo) à tarde até fui ao Bodo das castanhas, uma festa e feira anual numa localidade próxima chamada Vermoíl. A retaliação não se fez esperar, passei a noite de levante e pela manhã estava feito num oito.
Não sei se é a dos porcos, das rolas ou dos grilos, nem me interessa, já que antes de mim, os familiares apanharam todos o mesmo cacimbo, fui o último resistente. Nesta espécie de paraquistão vou aguardar por melhores dias, o que até nem é só desvantagem. Tenciono aproveitar para dar início aos trabalhos de preparação da próxima viagem. Na verdade, o projecto já está meio alinhavado, falta entrar nos finalmente, ou seja nos aspectos mais concretos como o onde dormir, onde comer, de ônibus ou de avião etc.
Aproveito para dirigir o convite à comunidade, caso alguém me queira acompanhar, o nosso destino será o PERU. Bora lá?
juan_jovi@sapo.pt

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

44 - Shorts, bermudas, calças ou calções?

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Imagem: kimrichter.com

Foto de: oglobo.globo.com

Dicas aos viajantes.
Reporte ao post nº 9 de 28/08/2009
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Ao assistir aos telejornais de hoje, notei com pesar o relevo dado aos últimos desenvolvimentos sobre guerra civil em curso nalgumas favelas do Rio de Janeiro. Muitos mortos e, estranhamente, parece não haver feridos ou presos! Dir-se-ia que as autoridades fazem o seu papel que basicamente, consiste em limpar as favelas e infundir o sentimento de segurança à população. Qualquer pessoa, a começar pelos próprios cariocas, aplaudirá todas as medidas visando a tranquilidade das pessoas e salvaguarda dos seus bens. Neste ponto estaremos todos de acordo, por maioria de razão aqueles que já foram vítimas de assalto, sequestro, intimidação ou outra forma qualquer de crime violento, e no Brasil eles são-no com muita frequência. A questão está no modo como o fazem.
É difícil aceitar que os responsáveis políticos, militares e policiais relacionem a onda de violência com ordens de serviço emitidas por comandos que se encontram engaiolados numa prisão de alta segurança no estado do Paraná. Enquanto os (pequenos) operacionais do crime vão sendo eliminados pela tropa e pela polícia, os seus chefes parecem ter mão livre para continuar a recrutar e dirigir o narcotráfico a partir da prisão.
Não estamos a falar de marginais munidos de sofrível escupeta, faca de mato ou seringa com sangue de galinha. Trata-se de pessoal aparentemente com formação militar, apto a manusear armamento sofisticado a ponto de derrubar helicópteros, capaz de se bater, taco a taco, com a força armada do Estado. Uma organização desta natureza exige uma logística pesada. Definir a hierarquia na cadeia de comando, operacionalizar uma rede de comunicações, garantir o remuniciamento, tomar decisões quanto à disposição no terreno e estratégias de combate, não são pêra doce nem mesmo para profissionais.
Como é que tudo isto acontece à luz do dia no país mais poderoso do continente sul-americano?
A conclusão só pode ser uma; embora com algumas perdas na infantaria, os barões estão a ganhar a guerra porque o seu poder estende-se muito para além do limitado espaço das respectivas celas. Nalgum ponto têm que existir "complacências" a alto nível. Não falo em promiscuidades entre poderes porque não sou investigador, não tenho provas e como tal, não tenho o direito de apontar o dedo a ninguém. Mas que a bota não bate com a perdigota, parece-me evidente.
Além disso, o que me importa é poder continuar a viajar pelo mais belo país do Mundo, como tenho feito, de Amapá até Pelotas. Sempre na maior tranquilidade e segurança entre o mar e a montanha, da selva amazónica à selva urbana. Conheci várias favelas e tudo o que encontrei foi gente boa, trabalhadora, preocupada em encher a barriga aos filhos e mandá-los para a escola. Não me senti mais inseguro do que em alguns bairros suburbanos do nosso país onde volta e meia se desenrolam batalhas campais e os habitantes mais antigos e pacatos se vêm forçados ao confinamento do lar ou ir morar para outro local. Ao invés, os habitantes das favelas amam o seu sítio e o espírito de comunidade que tão bem sabem cultivar. Nunca fui vítima nem sequer testemunha de qualquer acto de violência. Antes pelo contrário, os brasileiros são particularmente cordiais e atenciosos para com os portugueses. Meio a brincar, já me disseram que americano, inglês, francês … é tudo gringalhada, mas “português é dá família, rapais!”.
Todos, e não apenas o Saramago, sabemos que onde existirem dois homens, há probabilidade de sangue derramado, violência física e psicológica, inveja, cobiça e consequente apropriação de bens alheios. O viajante tem que ter em conta esta herança humana de modo a saber comportar-se em meio estranho, potencialmente hostil, culturalmente diferente do seu.
Em algumas partes por onde tenho andado, verifico amiudadamente que nem sequer há o mínimo respeito pela miséria e sofrimento dos povos anfitriões. Manifestações ostensivas de riqueza perante seres humanos que esgravatam o alimento no chão ou em lixeiras, não são apenas um insulto mas também um perigoso incentivo a qualquer forma de agressão.
Quem não presenciou a petulância de certos bandos de galhardos turistas, carregados de anéis, relógios e outras jóias de elevado valor, passeando-se entre pobres e famintos como se estivessem de visita à quinta?
Ao meu amigo visitante com tarimba nas viagens, nada tenho a ensinar. Aos outros, peço licença para sugerir o seguinte:
Não ofendas os indígenas com a tua abastança. Veste-te com simplicidade, come com frugalidade. Enfia o chinelo e o calção se fores à praia, atavia-te como toda a gente para ires ao restaurante, às compras ou assistir a um espectáculo. Na rua, cumprimenta as pessoas com quem cruzas, em particular os vendedores ambulantes que se dirigirem a ti. Oferece-lhes um aceno ou um sorriso e pede "por favor" sempre que precisares de alguma informação.
Respeita as instituições e autoridades ainda que te pareça que a sua formação fica abaixo do desejável. Esforça-te por aprender algumas palavras ou frases da língua local, e se estás com alguém da tua nacionalidade, evita falar em tom agressivo ou muito alto; ninguém precisa saber que és forasteiro e assim evitarás um mau encontro na esquina seguinte. Não abuses da câmera de filmar, guarda-a no bolso e se quiseres colher imagens, repara primeiro se existe algum dístico a proibi-lo. Se fizeres close-ups de pessoas em mercados, praças ou jardins, pede-lhes autorização e não esqueças que em quase todo o mundo é proibido filmar aeroportos, edifícios governamentais tais como esquadras de polícia, quartéis da tropa e tudo aquilo cujo recato o bom senso nos diz que devemos respeitar.
Quanto às jóias, o melhor é deixá-las em casa. E, por favor, se pertences a essa tribo de gente loura, perna esbranquiçada e à vista, sandália ou sapatão nº 45, casquette de tenista e sinais exteriores de riqueza, tem cuidado. Para todos os efeitos é como se fosses portador de um pirilampo a dizer … assalta-me … assalta-me!
Respeita sempre esta máxima de ouro:
Em Roma, faz-te romano!

terça-feira, 20 de outubro de 2009

43 - Tramou-se!

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Foto retirada de: tribunadonorte.com

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Não saberia dizer exactamente onde ou quando, sei que foi um texto que encontrei na Net, haverão uns meses, que me deixou a pensar.
Dizia o seu autor que acreditar em Deus é uma espécie de pulsão, algo para que estamos geneticamente condicionados, como se no genoma humano existisse um código que nos empurra para os braços de Deus.
Sou um daqueles (raros) casos que vivenciaram situações que nenhuma teoria humana que eu conheça conseguiria explicar. Por outro lado, tive oportunidade de assistir aos últimos instantes de pessoas em condições dramáticas, e nesse contexto, posso testemunhar o seu profundo, derradeiro e irreprimível apelo a Deus. Também já encontrei agnósticos e ateus militantes que no momento da aflição renegam a militância e, como toda a gente, imploram o divino. De modo que, estou seriamente inclinado a admitir a existência de Deus, não o reconhecendo contudo nos deuses inventados pelo homem, vestindo por um figurino que algumas ilustres figuras de pensadores acham completamente fora de moda.
Entre elas, encontra-se o nosso Nobel, José Saramago. Na apresentação do livro Caim, o contumaz escritor até teve o culot de afirmar que a Bíblia era um manual de maus costumes de todo desaconselhável à educação de uma criança. Na sua opinião, se não tivesse existido nós seríamos eventualmente melhores pessoas. Nesse livro estamos nós todos, os humanos, retratados através daquilo que temos de pior, obedientes a um Deus pouco recomendável.
Ocorre-me aqui um livro da minha adolescência, o “Drama de João Barois” de Martin du Gard, em que um sujeito passa a vida toda a negar a existência de Deus para, no momento em que está a bater a bota … mandar chamar um padre, confessar-se, comungar e pedir-lhe a extrema unção!
Antecipando um hipotético final como o João de Barois, lá foi dizendo que não era contra Deus mas sim contra a ideia que dele fazemos, já que um Deus vingativo e caprichoso só poderia ser uma invencionice humana, concebido à nossa própria imagem e por isso, vítima potencial de parricídio.
Dizem alguns que não se deve misturar ciência com religião. Talvez não, mas a tentação é grande. Se do ponto de vista científico nada nem ninguém conseguiu até hoje provar ou excluir a existência de Deus, com a mesma segurança podemos afirmar que muitos dos dogmas em que assentam as diversas religiões têm vindo a ser paulatinamente desmontados pela ciência. E aí reside o conflito que já motivou, por exemplo, que creacionistas e darwinistas chegassem às últimas.
Por aquilo que deu a entender, Saramago não será ateu e muito menos anti- Deus. Nisso parece estar certo já que cuidado e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém, e na sua provecta idade, ser prudente é uma virtude, não vá o diabo tecê-las. O que ele parece repudiar é uma relação próxima com O representante do Deus dos cristãos, o que não deixa de ser curioso dado que o nosso Nobel está neste plano muito mais próximo de Cristo do que aparenta. Pois não foi O Emanuel que expulsou os vendilhões do templo? E que revelou aos homens do seu tempo um Deus compreensível e compreensivo de face e coração humano, preocupado com a nossa condição de mortais e pecadores?
Como fazê-lo hoje sem beliscar um establishement com vinte séculos de mentiras, erros, hipocrisia, apropriação de bens alheios, genocídios etc., etc.? Difícil, não é? Por isso, em boa verdade vos digo, o nosso Zé abanou o vespeiro e agora está feito. Nem a sua condição de grande homem das letras de Nobél ao pescoço o poderá livrar das ferroadas!
Juan_jovi@sapo.pt

domingo, 18 de outubro de 2009

42 - Caminhar faz bem!

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Macieira de Alcôba, o nosso ponto de partida.

No miradouro da Urgueira.

Os caminhantes: Juan ao centro. À sua direita o Paulo e a mulher Teresa. À esquerda, a Rosa e o marido, Vitor.

Os mesmos da foto anterior com a diferença de que a fotógrafa Rosário foi substituída pelo Vitor.

Junto ao forno colectivo de Urgueira.

Uma rosa para a Rosário ...
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No trilho das Terras de Granito, revisitando a Urgueira.

Ontem, sábado, foi dia para mais um passeio pela natureza num Outono colorido e cheio de sol que mais parece um apêndice do Verão.
Voltámos à Urgueira, uma freguesia do concelho de Águeda situada a uma cota próxima dos 600 metros de onde se avista uma paisagem magnífica de serranias, avultando a serra do Caramulo. Quase tudo quanto se vê é verde, o verde da floresta de pinheiro bravo e eucalipto, matizado aqui e além pelo ocre da folhagem das coníferas que começam a despir-se para receber o seu amado Inverno que as há-de revigorar.
Estabelecemos o ponto de partida no lugar de Macieira de Alcôba, uma freguesia do concelho de Águeda onde hoje se votou de braço no ar por ter menos de 150 habitantes.
Por caminhos atapetados com pedregulhos e carreiritos onde os pés se enterravam no manto de caruma e mato, eram 10h00 quando iniciámos a esfalfante subida que culminou no miradouro, junto ao forno colectivo da Urgueira, um local amplo e devidamente acondicionado para receber a festa anual da aldeia que se realiza no terceiro domingo do mês de Agosto.
Antes, passámos pelo Carvalho, um lugar onde tivemos oportunidade de dialogar com uma senhora idosa amparada por dois cajados, transportando um feixe de lenha à cabeça, que parecia ser a sua única habitante. No regresso revisitámos a minúscula localidade e aí tivemos a sorte de encontrar um representante do sexo masculino. Disse-nos que depois de percorrer meio mundo resolveu regressar às origens, gozando os anos que a vida tiver para lhe oferecer agarrado ao volante do seu Ferrari, um tractor Sam … qualquer coisa que o leva por montes e vales sem cansar as cansaditas pernas. Ofereceu-nos do que tinha em casa que delicadamente recusámos já que na antiga escola primária de Macieira, agora transformada em restaurante, nos aguardava o aprazado almoço.
Pela uma e meia da tarde, demos então início à sessão de cuja ordem de trabalhos constaram:
- Queijo fresco com ervas e gomos de tomate,
- Morcela regional com esparragado,
- Pataniscas de bacalhau com tiras de broa frita,
- Arroz de cabrito,
- Cabrito no forno com batata assada e legumes,
- Rojões.
Para derrotar definitivamente a crise, foi-nos servida uma queijadinha, especialidfade da casa a acompanhar o cafezito da ordem. Os condutores apreciaram a água fresca e cristalina que brota das fontes da região, enquanto as penduras até tiveram direito a um cheirinho, que me disseram ser áspero mas de origem desconhecida. Seguiu-se mais um momento de descontracção muscular e confraternização que terminou por volta das 17h30, quando os participantes, a ansiar pela próxima, iniciaram o regresso às suas residências. Se algum dos nossos visitantes se quiser juntar a nós, não faça cerimónias, a casa está ás ordens!
juan_jovi@sapo.pt