terça-feira, 19 de janeiro de 2010

57 - Cusco em imagens.

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Uma das portas de entrada de Cusco, junto ao seu centro histórico.

E a rua que se segue ao bonito arco da foto anterior.
Pintura mural representando os principais ícones da civilização Inca.

Obelisco situado num pequeno jardim da cidade no início da via que conduz ao aeroporto.

No exterior de um mercado de bairro ...

... e agora no seu interior ...

... e aqui, no mesmo mercado, na zona dos comedores, uma espécie de cantinas ou restaurantes populares onde se pode tomar uma refeição por cerca de um euro. Para nós o atractivo não foi o preço, mas o privilégio de conviver com os peruanos.

Panelas, panelões, caldeiros e alguidares com alguma javardice pelo meio. Ai se a nossa ASAE fizesse uma visita ... !

Eu não tive qualquer problema em abancar. Uma grande malga de sopa de galina (canja) com macarrão, muito bem temperada com salsa picada e hortelã, um pedação de carne (tora) no fundo e dois troncos de mandioca a boiar ... e fica um homem com uns peitos como um cavalo ... !
Já o Luís revelou alguma relutância e com razão , se considerarmos a real caganeira que o ia vitimando depois do episódio do chorizito em La Paz. Acabou por atacar também e a avaliar pelo ar de satisfação, o manjar até lhe estava a saber bem.

Homenageando os patriotas que lutaram pela independência.

Um edifício ao estilo colonial transformado em museu.

Ao fundo da rua, a igreja de S. .

Pormenor da fachada da mesma igreja.

E outra vista, esta a partir da praça fronteira à la Municipalidad (câmara municipal).
Embora pareça um cortejo de carnaval, trata-se de uma procissão em honra de Nª Sª da Conceição. Tal como em Portugal, o dia 8 de Dezembro é feriado nacional no Peru e estes festejos são muito concorridos e estendem-se a todo o país.

Sobre as ruínas de Karikancha, um palácio (templo?) inca, ergue-se a igreja de S. Domingos.

A procissão é a mesma, figurantes e banda pertencem a outra irmandade.
Procissão com andor.

Pormenor da banda e bailarino em traje tradicional.

Tal como acontece com os foliões que nos desfiles de carnaval representam as diversas escolas de samba brasileiras, também estas irmandades se destinguem pela cor da fatiota e respectivos adornos.
Plaza de armas. A Catedral, ensanduichada entre as igrejas de Jesus Maria e do Triunfo.
Pl. de armas.Pl. de Armas. Igreja da Companhia de Jesus.
Pl. de armas. Procissão com andor.

Outra vista da Pl. de armas e respectivos jardins.

A base sobre a qual assenta a imagem da Senhora é em prata massiça pesando várias centenas de quilos. São necessários 16 varões fortes para transportar o andor. O manto é bordado a ouro.

Pormenor da base do andor em prata. A grande porta da Igreja começa a abrir para permitir que a Senhora recolha.

Mordomos e mordomas com as faixas identificativas das respectivas congregações ao peito ao peito.Estandartes.
Até ao próximo ano, só as pequenas portas da Catedral darão passagem aos fiéis.
As fotos anteriores apresentam três diferentes perspectivas da Plaza de Armas e dos edifícios que a rodeiam, como os arcos e as suas belas varandas em madeira trabalhada. São na sua maioria estabelecimentos muito frequentados pelos turistas (cafés, restaurantes, lojas de souvenirs, agências de viagens, bancos etc).
Estas duas belas e riquíssimas igrejas situam-se na Plaza de Armas. Do lado esquerdo da fotografia podemos ver a Catedral, uma construção do séc. XVII, situada sobre as ruínas do antigo paslácio inca de Viracocha. À direita encontra-se a igreja da Cª de Jesus.

Edifício da Pl. de Armas.
Arco de Santa Clara.

Com o senhor Dartagnan Portugal. Um conhecimento imediato de banco de jardim, que nos seus oitenta e tais revelou ser um profundo conhecedor deste mundo e das tramoias que por cá se praticam.
Igreja das Mercês.

Uma rua do centro histórico num dia feriado.

Uma mulher estátua na mesma rua.

Uma vista da praça fronteira à Municipalidad.

Outra vista dfa mesma praça.

Torreão da Igreja de S. Pedro.

Faculdade de ciências.

Pormenor do arco de Santa Clara.

Igreja de S. Francisco.
.Outra vista da Igreja de S. Pedro e da Pr. com o mesmo nome.
Rua do Mercado Central.






As 6 fotografias anteriores representam outras tantas vistas do interior do Mercado central.
Vendededoras de frutas e hortaliças com banca montada junto à parede exterior nas traseiras do Mercado central.

Uma rua comercial do centro.


Duas fotos da estação dos CF peruanos de onde partem os comboios para Machu Picchu.

O Luís também decidiu ficar na fotografia!

Edifício da era colonial devidamente restaurado.

Cartaz promocional.



Loja de venda de roupas tradicionais.


La Paz, hotel Columbus, 8 de Dezembro de 2009. São 6 horas da manhã; desperto com a ténue claridade que a custo trespassa o ligeiro cortinado que protege o janelão que dá para as traseiras do hotel. Aí funciona o parque auto da companhia eléctrica boliviana onde os técnicos começam a carregar as carrinhas com escadas e escadotes e demais ferramental com que acorrem às chamadas do dia. Em crescendo, chega-me o ruído do tráfego automóvel na avenida Illiani, fronteira ao hotel. O Luís parece dormir profundamente pelo que num primeiro momento decido acordá-lo apenas depois de concluir as minhas abluções matinais. Por outro lado, o meu sócio é daqueles cujo lema é “temos tempo … “ e não raramente acaba entalado em apertos de horário! No meio da minha hesitação, ouço-o resmungar um bom dia estremunhado. Recordo-lhe que o nosso voo para Cusco descola às 09h15 e nestes países excessivamente controleiros para o meu gosto, as duas horas de antecedência que nos impõem para comparência no aeroporto, não nos permitem grandes larguezas. Temos ainda que contar com uma boa meia hora de automóvel até à aerogare, por isso … vamos lá a despachar, digo-lhe eu. Pelas 06h45 já nos encontramos na recepção do hotel com armas e bagagens quando chega o nosso guia e motorista, o senhor Martin, cujo serviço havíamos deixado contratado (e pago!) na véspera. Partimos de estômago vazio dado que a sala do restaurante onde são servidos os pequenos-almoços só abria às 07h00, o que acabaria por nos dar oportunidade de nos desembaraçarmos dos últimos bolivianos despendidos num glorioso mata-bicho “aeroportuário”, uma vez cumpridas as formalidades. Descolámos com sol e uma visibilidade excelente, num voo sem história nem sobressalto. Revimos lá do alto a inesquecível paisagem paceña que tanto nos impressionara à chegada e em breve estaríamos sobrevoando, mais uma vez, a já nossa conhecida cordilheira andina. Do meu ponto de observação a bordo pude contemplar com algum pormenor uma orografia rude e ao mesmo tempo magnífica, qual cartolina enrugada por mão gigante, onde picos nevados aparentando estar mesmo ali ao alcance da mão delimitam desfiladeiros e vales profundos onde verdejam campos de cultivo e lagos de um azul cristalino. Uma das coisas que mais me impressionou foi a observação de sinais de actividade humana a altitudes inimagináveis, tais como construções (abrigos?) e até parcelas cultivadas. Subitamente, as condições meteorológicas alteraram-se e à nossa chegada a Cusco fomos saudados por uma chuva miudinha e gélida, que no entanto, não foi impedimento para ainda no ar, termos uma panorâmica desta encantadora cidade. Encantadora e riquíssima, sobretudo em valores de natureza histórica e cultural já que foi a capital do mundo andino e ao mesmo tempo a cidade sagrada dos incas, mas também pelo dinamismo que a actividade turística lhe confere, muito favorecida pela proximidade de ex-libris como o Vale Sagrado ou Machupicchu. Topograficamente, a cidade é muito fácil de entender; situada a 3360 metros de altitude, possui uma extensa avenida orientada no sentido leste-oeste em cujo topo ocidental uma bela Plaza de Armas, ajardinada e rodeada por magníficos monumentos, é ponto de passagem obrigatória para quantos a visitam. De forma quadrangular, descai ligeiramente para sul, apresentando o lado norte praticamente todo ocupado com uma imponente construção do sé. XVII, a Catedral, onde no dia da nossa visita decorriam os principais festejos em honra de Nª Sª da Conceição. No lado oriental da praça encontra-se a Igreja da Companhia de Jesus, famosa pelo seu rico acervo em objectos de culto manufacturados em ouro e prata puros. A sul e poente, encontram-se as principais estruturas de apoio ao turista como bares, restaurantes, agências de viagens, bancos etc. No raio de apenas duas ou três quadras fica contido todo o núcleo histórico de Cusco, que engloba as igrejas de Santo Domingo, das Mercês e de S. Francisco entre outras, o belo arco de Santa Clara, o município e a sua praça, o mercado central e a estação CF de onde partem os comboios rumo a Machu Picchu, universidade, museus e casas de cultura. Muito parecida com algumas cidades do interior português onde impera o mesmo tipo de construção e a dimensão média dos edifícios não ultrapassa os dois ou três pisos em que predomina a cor branca, ruas mais ou menos rectilíneas dispostas ortogonalmente entre si, confluindo numa espécie de espinha dorsal que é a sua avenida principal, Cusco faz-nos sentir “em casa”. Ficará na minha memória como uma cidade a revisitar obrigatoriamente.
Instalados no hostal Albany, a dois quarteirões da Pl.de Armas, dele fizemos a nossa base para o ataque ao Machu Picchu que abordarei no próximo post.
juan-jovi@sapo.pt

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

56 - Holocausto de inocentes.

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A propósito da tragédia que atingiu o Haiti.

Mas as crianças , Senhor,
Porque lhes dais tanta dor,
Porque sofrem assim?
Augusto Gil
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Não sei se Deus existe. Mas se há um Deus que nos governa e tem o poder que Lhe atribuem, exijo explicações. Que pecado monstruoso terá cometido o povo haitiano, porventura o mais desgraçado à face do planeta, para merecer tal punição? Dizem que foi um capricho da mãe natureza. Mãe madrasta esta, que com tão estranha e incompreensível manifestação de amor envolve seus filhos.
O desconsolo e a impotência tomam conta de mim. Eu queria, eu devia estar lá. Dispensaria as expedições de batedores… De bom grado partiria com a minha mochilita às costas, na certeza de que teria de dormir na rua, comer o pão do demónio, beber onde bebem os cães. Por paga desejaria apenas acolher na minha, a mão de um moribundo, animar o menino que numa questão de segundos ficou sem família, espantar as ratazanas que devoram os cadáveres.
Também seria capaz de amputar um membro morto pela gangrena, ajudar a nascer uma criança ou acalmar a dor de um corpo mutilado. Mas não! Aqui estou eu, parte integrante de um exército de involuntários ociosos, porque até na desgraça há que respeitar hierarquias, prioridades, formalismos, interesses, em nome da suprema hipocrisia mascarada de ajuda. Mal por mal, prefiro as lágrimas da hiena às do compungido crocodilo.
Entretanto, os contabilistas do share audiovisual hão-de prendar-nos com textos que de tão repetidos mais parecem uma litania, ornamentados com imagens chocantes, as mais chocantes que conseguirem adquirir no leilão da bolsa mundial das desgraças. Também elas repetidas até à exaustão. Porque já lá vão três dias, não tardará o momento em que nos será servido o prato forte de todos os pesadelos, como a agonia dos que tendo sobrevivido ao impacto de pedregulhos e ferros retorcidos acabam morrendo às mãos dos micróbios, da fome e da sede. Rostos inchados e disformes cobertos de varejas darão close-up’s fabulosos, enquanto cadáveres a serem despejados por pás carregadoras em valas comuns, gritos que já não passam de gemidos dos que permanecem enclausurados sob a grande escombreira que já foi uma cidade, ou o cachorro que se passeia com uma perna humana atravessada na boca perante a indiferença dos transeuntes, farão a felicidade dos principais editorialistas da nossa praça. Tudo em nome do direito de informar, da partilha de audiências … do vil metal como já lhe chamaram.
Não há limite ético que contrarie o direito de informar e à informação, dizem os comunicadores sociais. Concordo, se de informação se tratar. Mas quantos esquemas, quanta manipulação por detrás desta pseudo-informação!? Ainda agora tivemos o caso da campanha alarmista da pandemia de gripe A que afinal não há. Não há, mas houve quem se abotoasse com milhares de milhões. E o dinheiro de tanta conta aberta em tudo quanto é banco, supostamente destinado a acções visando diminuir o sofrimento das vítimas, quem o controla, a que bolsos vai parar. Que dizer quanto ao balanço, isenção, tratamento igual, de acontecimentos idênticos em suma?
Ouvi uma curta entrevista do Dr. Fernando Nobre da Ami, à TSF. Logo nas horas que se seguiram ao trágico acontecimento, previu ele e não falhou nada, que o circo mediático e não só (o circo é meu), não tardaria a ser montado, avançando para isso a seguinte explicação: Muitos haitianos têm nacionalidade norte-americana e no país, existe uma força de manutenção de paz (manutenção de quê?), integrando militares de vários países, alguns dos quais também foram vitimados pelo sismo. Li nas suas palavras uma profunda mágoa por uma tragédia de amplitude semelhante ocorrida recentemente numa cidade Iraniana que simplesmente desapareceu do mapa, não ter merecido atenção e mobilização semelhantes por parte da cada vez mais desacreditada comunidade internacional, em geral, e da comunicação social em particular. Pessoas são pessoas, independentemente do país onde vivem ou do regime a que estão sujeitas. A compaixão é, talvez, o mais elevado sentimento humano, aquele que nos distingue radicalmente das feras e como tal, não pode nem deve fazer qualquer descriminação entre inimigos e amigos, ou amigos dos amigos, como se tem visto ultimamente.
E como não tenho a memória curta, pergunto: Quem se lembra, ou simplesmente deu conta, de que em 8 de Outubro de 2005, um sismo matou perto de uma centena de milhar de pessoas no norte do Paquistão, das quais 17000 eram crianças segundo dados da Unicef, deixando mais de dois milhões de seres humanos sem abrigo, comida, água ou medicamentos? Quem estremeceu ou perdeu uma noite de sono com os 75 000 mortos e cinco milhões de desalojados por um terramoto na província de Sichuan, China, por altura dos últimos jogos olímpicos (12 de Maio de 2008)?
E como não tenho a memória curta, não posso deixar de referir algumas tragédias humanitárias causadas ao Homem por vontade do seu irmão, como Dresden, Hiroshima, Hanoi, Bagdad … e os respectivos danos colaterais que se contam pelos milhões de vítimas inocentes, tão desvalorizados pelos nossos noticiaristas e comentadores da treta. Terá sido porque estes não eram amigos dos nossos amigos? A contrastar, notai as faces exibindo esgares orgásticos quando os ditos cujos ao lado de videowall’s gigantescos descreviam todas as potencialidades das maravilhosas e moderníssimas máquinas de matar gente e arrasar cidades, que não pedem meças a um sismozeco de grau sete.
Afinal Deus existe mesmo, o que estava era um pouco distraído quando engendrou esta humanidade. Com a capacidade que me deu para julgar, penso que deve estar arrependido e pretende corrigir o erro. Começou pelos inocentes, estará o cálice reservado para os que ficarem? Ai de nós!
Juan_jovi@sapo.pt