sábado, 15 de maio de 2010

68 - Eyjafjallajökull, o caga-lume islandês.

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Esta escultura faz lembrar S. Jorge a lutar com o dragão, mas não sei ao certo o que representa. Encontra-se à frente da fachada principal da acolhedora gare ferroviária de Salamanca.
Apesar dos contratempos, tanto a Isabel como o Vasco sorriem e até parecem felizes. Será porque me viram?

Observação da Isabel (única): Quanto mais viajo e conheço outros países, mais gosto do nosso querido Portugal!

Bem, o Benfica é campeão e festejou condignamente a conquista do título, o Papa já abalou e o governo decretou assim como quem não quer a coisa, mais um apertão no cinto dos indígenas. Não fora o vulcão da Islândia, que continua a botar cá para fora toneladas de metralha, e eu nem teria banalidade sobre que me debruçar (sou um cultor de banalidades!), para proveito e alimento do Kurt. Porém, este (vulcão de) Eylafijallajökull veio salvar a minha produção literária desta semana. Em primeiro lugar, porque com um filhadaputa de um nome destes, qualquer mortal se sentirá atraído pelo fenómeno do vulcanismo, e vai daí, com interesse e muita força de Internet, quiçá consiga responder à profundíssima questão de saber se nos primórdios, quando Deus ainda era pequenino, alguém o deixou brincar com fósforos. Ainda não cheguei lá, mas já sei que em islandês, Eyja significa ilha, fjalla é uma montanha e jökull, um glaciar. Temos assim que esta fogueirita divina se localiza numa ilha onde existe uma montanha coberta por um glaciar. O resto, toda a gente sabe, pois os noticiaristas deste mundo têm enchido o papo a relatar os transtornos causados aos Ícaros do nosso tempo pelas nuvens de poeira que tomaram conta das auto-estradas do céu por onde habitualmente se deslocam os aviões. Uma simples peidoca do Criador e milhões de seres humanos ficam em transe, os que se amontoam nos aeroportos afectados e tudo quanto é hotelaria em redor, e a respectiva parentela no local de destino dos mesmos. E assim me foi dada também a oportunidade de descrever sumariamente uma viajem relâmpago, completamente inesperada, a que tive de me sujeitar. Num post recente, falei-vos do matrimónio da minha filha mais nova, a Isabel, com um homem de nome Vasco. Ela e este seu primeiro marido, tiveram a sua festa de casamento no passado dia 24 de Abril. Tem-se vindo a impor a tradição que obriga os noivos a fazerem uma viagem de lua de mel, de preferência ao estrangeiro e a um destino tão exótico quanto o permitam a bolsa e o número de dias concedidos para esse efeito, pela lei ou pelo boss, nem sempre concordantes. Estes meus entes queridos não são nenhuns benzetas, mas também não ficam atrás de muitos da sua geração, tanto mais que ambos trabalham e muito, garantindo o próprio sustento e dos meus netos que aí vêm. De avião viajaram do Porto para Barcelona e passearam-se entre as Ramblas, a casa do Miró e a Sagrada Família durante uns três dias após o que embarcaram num belíssimo cruzeiro pelo Mediterrâneo que durou mais uma semanita. Tiveram sempre bom tempo, a bordo e no exterior (excursões), mesa farta e muita animação. Como diz o adágio, não há mal que sempre dure nem bem que não acabe. Ou vice-versa. Chegou então o momento de voltar a pôr, literalmente, os pés em terra e voltar à rotina dos penitentes. Porém, o tal Eyjafjallajökull estendeu o seu braço e com dedos do tamanho do vento, cobriu os céus de Barcelona, Porto e depois Lisboa também. Mais três dias na capital da Catalunha que aproveitaram para descobrir muito do que havia ficado para trás, até que … o regresso era mesmo imperioso. Viveram então as 24 mais duras de todo o passeio, porventura de todos os passeios que fizeram na vida. Dos escritórios de rent-a-car para os das companhias aéreas, destes para os aeroportos de Girona e Barcelonana, daqui para as estações da Renfe e centrais rodoviárias … pode-se dizer que percorreram a via sacra dos viajantes num só dia. Para completar a cena é preciso dizer que se deixaram assaltar por um mãozinhas de veludo no aeroporto de Barcelona, o pobre diabo, na mochilita de que se apropriou não terá encontrado nada mais do que um lanche e um velho telemóvel! Para cúmulo dos azares, um dos cartões Multibanco de que os pombinhos se faziam acompanhar apareceu bloqueado, não se sabe bem porquê, o que lhes limitava o montante do saque diário.
Aqui entrei eu em acção e, frente ao computador, fui orientando os seus passos a partir das 18 horas. Encaminhei-os para um transporte rodoviário que os trouxe até Madrid onde chegaram pela uma da madrugada da passada 2ª feira, tendo pernoitado num quatro estrelas de Chamartin. Dormiram até tarde e às 11 horas da manhã de segunda feira tomaram na estação de Chamartin um comboio tipo Alfa que os trouxe até Salamanca onde chegaram pelas 12h49, hora de Portugal. A aguardá-los estava aqui o Juan. Mastigámos um quebab num bistrot da estação e juntos fizemos a viagem de regresso a casa, onde chegamos sãos e salvos muito antes da hora de jantar. A viagem até Salamanca, cruzando terras e paisagens da Beira interior (IC8, A25) num dia que se apresentou radioso, foi um encanto para os olhos e para a alma. O regresso fez-se pela A5 e A1 e não teve história. Eu é que já não estava habituado a estes caldos e, após quase oito horas de condução, fiquei com um derreaço nas cruzes que ainda não me deixa endireitar!
Saudações cordiais do,
juan-jovi@sapo.pt

quarta-feira, 5 de maio de 2010

67 - Passeio anual de Carros Antigos.

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Do lado direito da mesa: Em primeiro plano, a "cabeça" do comandante Carvalho e a seguir, o "magrinho" de camisa azul. Do lado esquerdo, o PSP Carvalho, presidente do "Quatro As"e o Juan. No topo podemos ver o Arlindo, industrial de calçado, repousando a cabeça na mão e a seu lado, de bigode, o professor Coelho.


Na magnífica “sala de reuniões” que é o restaurante Manjar do Marquês nesta cidade de Pombal, encontraram-se na passada 6ª feira os elementos da comissão organizadora do próximo passeio anual dos “Quatro As” (Associação dos Amigos dos Automóveis Antigos).
Depois dos pasteis de bacalhau, chamussas, joaquinzinhos em molho de escabeche e outras especialidades da casa que nos foram servidas como entradas, vieram umas belas postas de bacalhau dourado na sertã, os filetes de pescada e os panados de porco acompanhados pelo com o “internacionalmente” reconhecido arroz de tomate à moda do Marquês, as migas e o feijão frade. Libações, variadas e a gosto.
Recompostas as almas e os corpos (porque a barriga não tem culpa nenhuma de os negócios andarem a correr bem …), passou-se à análise de uma espécie de ordem de serviço (!), meticulosamente elaborada pelo João Isidoro, proprietário da auto-lavagem Palomas de Pombal e, por isso mesmo, também conhecido entre os amigos como o João Palomas, mas também “fininho”, “minhoca “ ou “rato do deserto”. Depois de várias tentativas falhadas para se fazer ouvir no meio daquele vasqueiral de boa disposição, o João lá conseguiu tomar a palavra para dizer que o passeio se realizaria nos próximos dias 26 e 27 de Maio, com saída de Pombal pelas 08h00 de 26/5 em direcção a Sortelha (Sabugal) iniciando a partir desta, um percurso pela chamada Rota das Aldeias Históricas. Ficou em suspenso uma paragem prévia em Belmonte que pela sua beleza e património bem merece uma visita, no meu entender e de outros participantes. A pernoita vai ser em Almeida, cujas muralhas de elevado interesse histórico e arquitectónico visitaremos tendo como guia um filho da terra, nosso prezado amigo e colega, Dr. Henrique Vilhena. A noite vai ser de arromba, tanto mais que se perspectiva uma “saltadinha“ a Espanha, ali tão perto e com tantos “motivos de interesse”, se me faço entender!
O dia seguinte será dedicado em parte à recuperação da noitada e o restante talvez nos permita um passeio pela região de Castelo Rodrigo, cuja gastronomia ensaiaremos com o espírito e o rigor de bons gourmands que nos consideramos.
O regresso processar-se-á a partir do meio da tarde porque as Donas Elviras são senhoras de respeito e não gostam de andar nas ruas pela noite fora. Viajaremos em pequenas colunas de três ou quatro viaturas ficando a condução do carro vassoura, uma ambulância Mercedes branca dos anos cinquenta, com sirene e tudo, a cargo do comandante Carlos Carvalho. Cuja participação está em dúvida dado que o “magrinho” cortou, atou e botou no saco, escolhendo as datas que mais lhe convinham, o que lhe valeu uma forte mas amigável crítica por parte do comandante!
Entretanto, e dado que o Inverno foi longo, as velhas máquinas vão agora sair das garagens, pois os dias de sol que se adivinham são propícios para limpar as teias de aranha dos escapes, aquecer e afinar motores. Assim, teremos um prólogo já no domingo dia 9/5 com um passeio por Terras da Sicó e almoço de reencontro e convívio na vila de Ansião. Oportunamente darei mais notícias.
Saudações do,
Juan_jovi@sapo.pt

terça-feira, 27 de abril de 2010

66 - O fim de um ciclo.

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A Isabel e o Vasco à porta da matriz de Pombal no dia do seu casamento (24/04/2010).


No passado sábado dia 24 de Abril, Isabel, a minha filhota mais nova, casou! Casamento de igreja, com vestido de noiva e madrinha tal como manda a tradição, seguido de copo de água para os familiares e amigos mais chegados. O evento trouxe-me ocupado nas últimas semanas, mais do ponto de vista psicológico do que pelos grandes afazeres que de facto não tive. Dos meus quatro descendentes, a Isabel era a solteira da família, constantemente acossada pela avó Encarnação (minha mãe) que lhe dizia “ó filha, legaliza-te, legaliza-te … “. Como pai, não poderia sentir-me mais “inchado”, primeiro porque rejubilo com a felicidade tranquila que leio nos olhos da minha Belocas, depois, porque este casamento é uma espécie de dois em um, já que além de ter ganho mais um genro, por sinal um gajo porreiro, na encomenda vem também o meu neto André, com chegada prevista lá para o mês de Setembro. Será o primeiro “homem” no meio de um enxame de primas que não deixarão de o examinar meticulosamente a ver se está tudo nos conformes.
E assim cheguei ao fim de mais um ciclo dos vários em que se desdobrou a minha vida pessoal, profissional e familiar. Outro começou há já algum tempo e vai ficando cada vez mais claro, aquele que implica um certo apagamento da minha identidade pessoal em detrimento de um reforço da identidade por afinidade. Pois tenho notado que com o passar dos anos, deixei em larga medida de ser “fulano de tal”, para passar a ser conhecido como o pai de … e de …, e agora também o avô da Inês, da Carolina da Joana, da Mariana etc. E do André, daqui por dois anitos, quando for levá-lo ou buscá-lo à sua escolinha.
É uma transição serena que se faz com muito gosto e grandes projectos! Já me imagino a conduzir um mini-autocarro com a cambada toda na maior desbunda, seja na loucura das viagens “à moda do avô” ou simplesmente a caminho da praia com pic-nic, gato e cão a bordo, e aqui o velhadas a prometer porrada a torto e a direito numa tentativa, sempre frustrada, de manter a ordem. Assim aconteceu com os pais!
Este é também um momento excelente para fazer um balanço da vida vivida. Valeu a pena, estou de medida cheia e tudo graças este investimento fabuloso chamado família, que me faz sentir milionário entre os milionários, Deus no céu e eu na terra!
E aqui vai a minha profissão de fé: Creio na família à moda antiga, creio no amor e na solidariedade entre os seus membros, creio na criançada de hoje que há-de conduzir o destino do mundo no futuro e acredito que envelhecer tranquilamente na companhia dos amigos até chegar a hora da “passagem”, é o melhor destino que podia estar reservado para qualquer ser humano.
Ah, mesmo a terminar queria deixar bem expresso o meu orgulho por ter agora a meu lado uma “força de combate” especial, constituída pelo filho e três genros. É que se a coisa algum dia ficar preta, aquelas que eu haveria de apanhar sozinho ... distribuídas pelos cinco … até já me sinto aliviado!
Até ao próximo post, saudações do,
juan_jovi@sapo.pt

segunda-feira, 12 de abril de 2010

65 - Do Algarve, com amizade e muito sol.

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Caminho em terra batida, ciclável, que da minha casa (caravana) conduz ao canal da Fuseta.

Ao fundo, a lota, vendo-se também várias embarcações da pesca artesanal.

Dois galeirões tomando banhos de sol na margem do canal. Por aqui a vida selvagem é muito diversificada principalmente quanto a aves.

Outra vista da Fuseta, tomada do lado de sotavento do canal.

Ria Formosa. Embarcações dos pescadores da "Cidade sem Lei"

Zona de sapal.

Ria. Ao fundo o cordão arenoso da ilha de Armona.

O antigo posto da Guarda Fiscal da "Cidade". Um ex-líbris hoje transformado em local de lazer.

Vereda que faz a ligação entre a EN 125 e a Cidade. Ao fundo, um pequeno largo e a Ria.

O arvoredo pertence ao Camping da Fuseta.

A Fuseta vista da minha caravana ...

Uma "casa" na pradaria!

E para terminar este magnífico pôr do sol sobre as salinas aqui ao lado.

Uma história de insucesso!

Numa época em que eu nem sequer sabia onde ficava o Algarve, passou na simpática vila da Fuseta, a mesma onde a ti’Anica terá deixado a barra da saia preta, um western chamado “Cidade sem Lei”. O filme foi projectado ao ar livre como era usual na época, tendo por écran um lençol mais ou menos resguardado sob um toldo de pano. A assistência era numerosa e distinta, para além dos filhos da Fuseta compareceram em peso os habitantes de uma localidade vizinha, a Arroteia de baixo, a quem os fusetenses chamavam “montanheiros”, talvez por os acharem menos civilizados. Grandes apreciadores do cinema de acção onde houvesse abundante distribuição de murro, tiro e facada, os montanheiros não tardariam, ainda durante a exibição do filme, a assumir comportamentos inspirados por aqueles machos barbudos que de revólver em punho fulminavam os adversários à velocidade do relâmpago. Tudo se agravou quando às tantas caiu um pé de água tocada a vento que levou pelos ares fora, toldo, écran, câmara de projecção e restantes atafais da arte. O banzé foi tal que, ainda hoje, no reino de Portugal e dos Algarves, d’aquém e d’além mar, o pitoresco lugar de Arroteia de baixo, localizado na margem da Ria Formosa, freguesia da Luz de Tavira, a escassas centenas de metros da EN 125, é conhecido como a “Cidade sem Lei” ou simplesmente “a cidade”.

Há cerca de trinta anos, tomei uma decisão radical. Desse por onde desse, iria ser rico!
Na altura, o que estava a dar era o negócio da construção civil pelo que decidi tornar-me “promotor imobiliário”. Entusiasmo vários níveis acima do q.b. tanto mais que naquela belíssima manhã de um 5 de Outubro, um auspicioso arco íris parecia emoldurar o meu horizonte para onde quer que me virasse, aí venho eu direito ao Algarve, livro de chéques no bolso e vontade férrea de me lançar no mundo dos negócios.
Comecei por S. Vicente e, palmo a palmo, fui batendo a costa algarvia à procura do recanto mais idílico que pudesse existir nesta região. Encontrei-o ao fim da tarde, paredes meias com a Ria, situado a uns cinquenta metros de um imenso lençol de água azul turquesa, na novíssima urbanização Vila Bragança. Tranquilo, ao mesmo tempo belo e selvagem, onde nem sequer cheirava a turista, este pedaço de paraíso, perdido numa terra que já era mais de beefs e de bosches do que de indígenas, era o milagre que eu procurava. Obtive informações e no dia seguinte, de regresso a casa, passei pelo escritório do promotor que na altura residia em Almada, acabando por adquirir nada mais, nada menos do que três lotes de terreno para construção, pela astronómica (para o meu gabarito!) soma de seis milhões seiscentos e cinquenta mil escudos!
Infelizmente, ganhar muito dinheiro em pouco tempo, não era o desígnio que a divina providência me tinha reservado. E para isso chamou a minha atenção da forma mais radical. Uma semana depois, na data acordada para a escritura e quando já me encontrava no escritório notarial, recebi a trágica notícia de que o vendedor havia falecido. Assim, sem mais nem menos, nem prenúncio de doença oculta ou conhecida, o jovem de quarenta anos come uma barrigada de castanhas regadas a tinto de boa cepa, pois tinha condições para isso, sente-se mal e vai parar ao hospital de S. José onde se finou sem um pio. O imbróglio que daí resultou é simplesmente inenarrável. O homem tinha um sócio (sociedade irregular), deixou viúva e filhos menores. Até deslindar o que pertencia a cada um dos sócios, à viúva e aos putos, a justiça andou pelas calendas. E eu, sem escritura da aquisição dos lotes, não podendo por isso construir ou vender … desanimava, atribuindo o meu infortúnio ao mau olhado dos invejosos! Com o tempo, tudo acabou por se resolver.
Conformado com o facto de que afinal iria ser pobre para sempre já que a minha prometedora carreira de pato bravo foi tão efémera que terminou antes de começar, descoroçoado com a montanha das formalidades legais, acabaria por instalar uma caravana num dos lotes, o que me permite gozar, assim como á família, deste pedacinho de paraíso privado, aqui, num sítio a que chamam a Cidade., de onde envio abraços para todos os meus amigos e visitantes.
Juan_jovi@sapo.pt

segunda-feira, 22 de março de 2010

64 - Anatomia de um jipe!

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O chassis já foi tratado. Monta-se a carroceria.

Moi, ao lado do Rui pintor.

Uma vista da mecânica.

Caixas de velocidade e de transferência.

Em chassis.

O Rui dá mais uma pistolada na caixa da roda.

Parcialmente protegido com papel e plástico durante alguns trabalhos de pintura.

A zona dos pedais, limpa como um laboratório.

À esquerda, o Rui pintor. À direita, o António bate-chapas.


Ei-lo, o único, o verdadeiro, o inigualável “salta-pocinhas”. Comprei-o novo na firma Adelino Morais das Neves, representante da British Leyland em Leiria, em Fevereiro de 1982. Fez agora 28 anos, é um jovem portanto. Na altura, não podia sequer adivinhar que a moda dos jipaços estava para chegar, pelo que me considero um pioneiro na utilização deste tipo de viaturas para fins particulares. Já então, o apelo da viagem-aventura, a evasão através de espaços sem limite nem fronteiras, chegar onde nem todos podiam, eram a marca de cada dia da minha existência. Ainda me recordo de como estive próximo do êxtase ao contemplar as imagens da brochura promocional que li e reli vezes sem conta antes de me decidir pela aquisição. Eram fotografias espectaculares obtidas em condições muito favoráveis de luminosidade natural e enquadramentos paisagísticos de sonho. Numas, podia ver-se aquela bela máquina em fatigue de trabalho (toldo de lona) ou traje de gala (capota fixa com janelinhas no tejadilho), perseguindo manadas de zebras ou gnus e outros bicharocos de maior ou menor porte, deixando atrás de si um rasto de pó na estepe africana. Noutras, deslizava suavemente sobre as dunas de um qualquer deserto num indolente e melancólico fim de tarde, ou trepava um cume íngreme e gelado, tudo imagens de fazer arrepiar de emoção. E de facto, esta velha máquina nunca defraudou as expectativas que nela depositei. Posso dizer que fez e continua a fazer parte da minha vida e da vida da minha família. No meu Land Rover, série III de 109 polegadas, uma das últimas unidades produzidas em todo o mundo, fiz algumas das viagens mais excitantes de que me recordo. Aprendi a rolar sobre leitos de pedra ou lama, atravessei oceanos de areia e cursos de água a dar pelo para brisas. Algumas vezes, para que os meus acompanhantes não corressem riscos desnecessários, fazia-os apear antes de atacar os pontos mais perigosos, recuperando-os à frente. Noutras ocasiões, todos partilhávamos do frenesim da intrepidez (estupidez?) natural que se apodera de nós quando a adrenalina começa a picar. Nessas ocasiões, no meio do tal silêncio ensurdecedor, a expressão que mais se ouvia dentro do habitáculo era “ó pai, tu és louco!”. E às vezes era. Mas o meu Land Rover não foi apenas objecto de diversão, foi também um carro de trabalho. Transportou lenhas, electrodomésticos, materiais de construção, peças de mobiliário … rebocou o Zodiac e a caravana Pyc, levou os filhos à escola e até a garotada da vizinhança se habituou ao sinal da partida quando fazia soar as buzinas a ar tipo “peixeiro”. Apareciam em magotes para apanhar boleia para mais um dia de aulas, causando a admiração dos passantes quando à porta da escola, o caudal de miúdos a saltar da viatura parecia não cessar. Depois, como o local de trabalho não era longe da escola, os meus putos tinham sempre um lugar para se recolherem durante um furo no horário, passar os olhos pela matéria uma última vez antes do teste ou fazer uma retemperadora sestinha! Foi tal a afeição que passaram a dedicar ao seu velho jipe que, passados muitos anos, quando lhes comuniquei o meu desejo de o trocar por um novo, desencadeei uma crise de pranto generalizado que só cessou com a promessa de que o velhinho ficaria na família para sempre. E a provar que o que se promete é para cumprir, estão as fotos acima, que mostram a minha relíquia após ter sido completamente desmantelada, encontrando-se actualmente em fase de pintura e montagem. A mecânica foi melhorada com a instalação de uma “over drive”, peça caríssima (1500 euros) que chegou em mão desde o fabricante em Vancouver, no Canadá, um acessório da caixa de velocidades que serve para desmultiplicar as dez que traz instaladas de origem. E “prontos”, aqui tendes a história resumida de uma geringonça que muito prazer e até alguns momentos de felicidade trouxe ao seu dono e familiares. E há-de continuar na mesma senda por mais um par de anos, agora com novos protagonistas das suas aventuras, os meus netos. Está a vestir-se …
Beijos e abraços do,
Juan_jovi@sapo.pt

sábado, 13 de março de 2010

63- Parabéns!

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A Mariana com cara de poucos amigos ao colo da tia Isabel.

No laranjal ao pé da porta ...

... e de pé sobre o parapeito da janela.

Aqui, com os pais.

Ontem, 12 de Março, a minha neta Mariana completou o seu primeiro ano de vida. Foi um ano de algum sofrimento para a pequenina e de uma grande angústia para família, porque a Mariana nasceu com uma enfermidade que não sendo muito rara – doença de Hirschprung – implica tratamento cirúrgico “pesado”. Foi submetida a cinco intervenções tendo a 5ª, que será também a última, assim o esperamos, ocorrido há cerca de um mês no Hospital D. Estefânia em Lisboa, sob orientação do Dr. Casela, a quem estamos todos muito gratos assim como aos outros elementos da equipe, sem esquecer o pessoal de enfermagem e assistentes operacionais.
A Mariana está bem, é uma criança normal e feliz e comporta-se como todos os petizes da sua idade. Hoje, por ser sábado, podemos reunir a família e fazer-lhe uma pequena festa de aniversário durante a qual foram colhidas as fotografias acima apresentadas.
Aproveito para anunciar que tenho mais três netas a caminho! Uma deverá nascer em Junho, a segunda em Agosto e a terceira desta revoada lá para Setembro/Outubro.
vitor_junqueira@sapo.pt

quarta-feira, 3 de março de 2010

62 - Pensando bem ...


… nem sei o que pensar!

Não há muito tempo, a profissão de jornalista ocupava entre nós um dos lugares cimeiros no ranking das profissões mais prestigiadas. Depois, alguma água correu debaixo das pontes e uma espécie de vento ruim começou a varrer as redacções. Hoje em dia é o que se sabe, e ainda mais o que não se sabe. Leitores, radiouvintes e telespectadores andam confusos, só têm uma certeza, a de que alguém lhes quer enfiar o barrete. E para isso passou a valer tudo, interferências daqui, pressões dacolá, diz que disse e achismo (eu acho que …) generalizado. Da meia verdade à omissão completa da verdade, passando pelo cobardolas “alegadamente”, de tudo tenho dado conta na minha bovina pacatez. Noto que a par de alguns génios, raros, na arte da entrevista, campeia a impreparação, uma boçalidade atrevida e mal-educada em que uns janotas de microfone em riste ou mais modernamente, telemóvel activado, maltratam os entrevistados, a língua portuguesa e quanto aos números nem fazem ideia daquilo que representam. Atiram a matar, como pequenos gladiadores do circo em que se tornou a sua profissão, talvez na esperança de que algum imperador dos mídia repare neles e, quem sabe, lhes conceda a graça que é ter um mísero salário garantido ao fim do mês em vez da famigerada remuneração a “recibo verde”. Este tipo de (des)informação, já foi suficientemente adjectivado tendo recebido, entre outros, os seguintes epítetos:
- Jornalistas (ou jornalismo) de buraco de fechadura,
- Calhandrices,
- Mexericos,
- Alcoviteiro,
- Coscuvilhice,
- Travestido,
- Criminoso,
- Caça ao homem, etc., etc.
Os nossos queridos políticos, primeiros responsáveis pelo lamaçal onde desprecavidamente ou talvez não se atolou comunicação social doméstica, resolveram criar uma comissão (pat)ética destinada a apurar quem foram os culpados pelo status quo actual. Dos trabalhos, alguns excertos chegaram até nós, o bastante para pôr em causa a seriedade e o propósito do que lá se passa. Temos visto e ouvido de tudo. Fico-me no entanto por alguns episódios ou alegações que prenderam a minha atenção de uma forma particular. Destas, a mais frequente, é o eu acho … e também acho … e daí concluo que !!! Saindo da boca de jornalistas de investigação, isto não é de partir a moca a rir?
- Deplorável, assim foi classificado pelos seus pares o “espectáculo” que o injustiçado Mário Crespo deu quando foi inquirido pela supracitada comissão,
- O Sócrates (parece que andou com ele na escola!), até telefonou ao rei de Espanha, afirma convictamente uma gárgula despeitada por lhe terem cortado o pio num jornal televisivo onde, acolitada por uma personagem grotesca tirada dos Marretas, destilava peçonha que dava para matar cascavéis. E aproveita para dar umas dentadas na PJ, na delegada do MP de Setúbal e em tudo o que mexa. Imagino que daqui por algum tempo quando tiver que sentar o cu no mocho para ser responsabilizada pelas cretinices que hoje proferiu, irá gritar aqui del-rei que estão a atentar contra a minha liberdade de expressão!
- Diz outra jornalista investigadora: Querem saber quem são os accionistas? Não percebo qual o vosso interesse, mas tomem lá … e acto contínuo distribui uma rodada de fotocópias a preto e branco com umas carantonhas não se sabe de quem,
- Eram tantas as críticas do sindicato dos jornalistas (do sindicato? Terei ouvido bem?) e da Autoridade Reguladora da qual depende a nossa licença de emissão, que fomos forçados a acabar com o jornal, diz o patrão da TVI.
Ao que nós chegámos! Em nome de quê? Ao serviço de quem? Certamente, não por amor à verdade ou à liberdade de expressão. Néscio sou eu e não acredito nisso!
Aos bons profissionais, que os há e muitos, tiro o meu chapéu. Oxalá consigam fazer escola de modo a que possamos ver no vosso trabalho a garantia de que convosco, o regime democrático está de pedra e cal.
Post scriptum: Não tenho nenhum partido nem quero que mos partam e, de canhoto, não tenho nada.
juan_jovi@sapo.pt