domingo, 6 de maio de 2012

92 - Delhi, Imagens I


Delhi, sendo embora uma cidade gigantesca se comparada com os nossos “enormes” burgos de Lisboa ou Porto que não vão além dos dois milhões e picos de habitantes, é uma cidade extremamente fácil de percepcionar do ponto de vista topográfico. O seu “core”, talhado à inglesa em 1929 quando a região não era mais do que uma grande coutada de caça, é a Connaught Place. Trata-se de um espaço circular com cerca de 500 metros de diâmetro, limitado por duas coroas de edifícios em forma de sector circular. Estes prédios em arcada, apoiados em pilares tronco-cónicos, estão divididos por blocos aos quais foi dada designação alfabética que vai de “A” a “P”. Foi concebido como Distrito Comercial da cidade e constituem no seu conjunto um gigantesco Shopping. Aqui podemos encontrar, rigorosamente, representações de todas aquelas marcas mundiais que nos são familiares. No centro da Connaught Place há um espaço ajardinado tipo parque, óptimo para o lazer. É muito procurado por jovens estudantes e tem condições para eventos ao ar livre. Tem música ambiente ocidental e claro, está bem guardado. Encerra à segunda feira! Na margem oriental do parque situa-se o Pilka Bazar, uma feira-mercado ao ar livre. O seu homónimo Pilka Shopping, encontra-se instalado no sub-solo. Este conjunto de Blocos delimita dois anéis de circulação, um interno e o outro externo, permanentemente congestionados com um trânsito extremamente ruidoso. Estão lá os “subways” ou passagens inferiores – que poucos usam – permitindo a circulação segura dos peões dentro da área comercial e o acesso às diversas bocas de Metro (Rajiv Chowk). Entre Blocos e estabelecendo a conexão dos “rings” interno e externo, existem as radiais internas. São artérias largas com cerca de 300 metros de extensão, todas elas dedicadas a actividades ligadas ao comércio e à prestação de serviços. Neste momento, a circulação pedestre em algumas delas está muito complicada devido às grandes obras em curso visando a requalificação das infraestruturas. No anel externo vão desembocar as sete grandes vias (radiais externas) numeradas de 1 a 7 que trazem e levam o tráfego a todas as partes da Índia, incluindo o que tem por origem ou destino as cidades satélites de Gurgaon, Huda City, Noida city, Faridabad etç. A cidade possui uma excelente rede de Metro que embora algo “crowdy”, chega a todos os pontos com interesse para o visitante, sendo este meio de transporte o meu preferido. Eis agora algumas imagens:

Tal como diz a placa, os Caminhos de Ferro da Índia são uma instituição muito prestigiada. Serve diariamente milhões de cidadãos que de outra forma não teriam qualquer hipótese de deslocação.
Esta é a fachada da velha estação de New Delhi. A nova fica exactamente do lado oposto a uma distância equivalente à largura das 16 plataformas que as separam. Vai-se de uma para a outra e acede-se às plataformas através de três passagens superiores.

Táxis e Tuc-Tuc's, os pequenos veículos de capota amarela, tambem chamados "autos", aguardando passageiros em frente à Delhi Railway Stn.
Mesmo ao lado da estação acima referida, fica a moderníssima estação do Airport Metro Express. Esta linha foi inaugurada há apenas um ano e nela circula o mais moderno e tecnológicamente avançado Metro do mundo.
Movimento habitual em qualquer uma das 16 plataformas da Delhi Railway Stn. ao longo das 24 horas do dia.
              O acesso às carruagens faz-se através desta escadaria metálica.
                                Movimento no interior da estação.
       A nova estação de Delhi a escassas dezenas de metros do "meu" hotel.

Pormenor artístico no interior da estação.

Moderna linha e estação do  Metro "convencional".

     No centro da cidade são muito poucos os edifícios modernos como este.
                                                  ... ou como este.
                ... ou ainda como este, o novo edifício da Bolsa de Valores.
Centro de feiras e Eventos de New Delhi.

Centro cultural espanhol - Instituto Cervantes.

No interior do Instituto Cervantes.

Por toda a cidade se vêm estaleiros de obra como este. Sinal de que algo está a mexer em Delhi!

Edifícios e obras da Connaught Place.

E a expansão do Metro não para de dia ou de noite!

Uma moderna avenida da periferia. Nem parece que estamos na mesma cidade.

Frondoso e refrescante jardim da Connaught.

O ursinho português entre os 143 "manos" que descrevem um círculo à volta do jardim central da praça.
A placa que identifica o ursinho como sendo portugês.

Alguns do "bonecos" que representam os outros 142 países.

O pulmão verde e denso que envolve a cidade. Mesmo assim, incapaz de contrariar o efeito dos altos níveis de poluição.

NZP (National Zoological Park) ou simplesmente jardim zoológico de Delhi.

                                 Uma vista no interior do parque.

                  Magestoso tigre branco repousando à hora da sesta.

                                      Mais dois habitantes do parque.

Um entre muitos cantinhos "refrescantes" dentro da cidade.

A Porta de Delhi (não confundir com Porta da Índia!).
      

quinta-feira, 3 de maio de 2012

91 - A Farda e a Arma.

E o Apito ...
Na Índia, como de resto em muitos outros países, vestir um uniforme confere a qualquer cidadão um indiscutível status. Melhor ainda se, a par do uniforme, for dado ao bacano o direito ao porte de arma. E se a arma pertencer ao estado (militares, polícia etç.), então estamos perante alguém!
A paranoia securitária desta sociedade é inaudita. Por todo o lado se vêm ninhos de metralhadora, devidamente guarnecidos, construídos com sacos de areia: Nos átrios do metro e nas plataformas dos comboios, ao longo das principais  avenidas da cidade e até nos passeios das ruas comerciais mais movimentadas. Lá terão as suas razões, razões essas que na qualidade de visitante não posso nem devo discutir. Agora que incomoda, incomoda, e ninguém diga o contrário! Nunca vi tanta gente exibindo arma a não ser, talvez, em Maputo que visitei há uns anos quando o país acabava de sair de uma guerra civil. É verdade que os homens das forças policiais – há-as de vários tipos – andam bem equipados quanto à artilharia com que se fazem acompanhar para todo o lado. Já a maioria dos “securitas” apenas tem direito ao porte de canhangulos que são verdadeiras relíquias; caçadeiras de um ou dois canos laterais e cães à vista, tão velhinhas que o oxidado original, preto para quem não sabe, há muito desapareceu. Estas armas são agora da cor das panelas quando bem areadas devido à polidela diária e obrigatória.
Mas aqui, na Índia, também há a burocracia securitária. Eis alguns exemplos: Para se comprar um simples cartão SIM a fim de fazer chamadas mais baratas, é-nos exigida documentação em que entram fotocópias de Visa e Passaporte, nome do hotel onde estamos alojados, itinerário anterior, cidade e país de destino, fotografia a cores, números de telefone e residência em Portugal, impressos, declarações e assinaturas várias. Para usar um computador na área da recepção do hotel (Parkway Deluxe) onde redijo este post, em Delhi, tive que assinar um documento onde basicamente constava tudo quanto atrás descrevi mais o nome do pai e da mãe! Para se adquirir um mero bilhete de comboio é necessária papelada que em rigor e volume equivale à que nos é solicitada em Portugal para se fazer uma escritura no notário. Qualquer recém encartado recepcionista de hotel, escalpeliza os nossos documentos como se fosse um oficial do serviço de estrangeiros e fronteiras do seu país. E tem razão, fá-lo para não ser ele entalado. A polícia vem todas as noites escrutinar e rubricar o livro onde se encontram registados os hóspedes, sempre à procura de eventuais falhas. Eu próprio fui “arrancado” da cama através de uma chamada telefónica e convidado a dirigir-me até junto de um destes indivíduos para explicar como é que podia estar alojado no hotel antes de ter dado entrada na Índia ?! Conferidos os dados do passaporte e detectada a burrice fui mandado de volta para a cama! Nem a pedido de desculpas tive direito.
Esta paranoia é geral, colectiva e acima de tudo ridícula para não dizer mesmo risível. É certo que o estado de permanente crispação com o vizinho do norte tem passado por perigosas fases de agudização agravadas pelos acontecimentos de há dois ou tês anos em Mumbai. Mas, daí a transformar o país numa espécie de estado policial e controleiro como aqueles de que se ouvia falar na vigência do defunto Bloco de Leste, parece um exagero. Sobretudo, porque as medidas tomadas são, mesmo aos olhos de num leigo, de todo inefectivas. Por exemplo: Não há loja digna desse nome, centro comercial, hotel de gama média, condomínio, parque ou jardim etç, etç, que não tenha segurança pública ou privada. Para além desta, há os “agentes” cuja função é revistar os utilizadores desses espaços. Lá estão também os conhecidos pórticos, dispositivos de RX  que vasculham a nossa bagagem à semelhança do que acontece hoje em dia nos aeroportos. Porém, são tantas as falhas que observei no sistema que a meu ver a sua única valia terá sido a criação de milhares de postos de “trabalho”.  Cito as situações em que autênticas enxurradas humanas acedendo a cada minuto às plataformas dos comboios ou Metro, com pessoas e mercadorias a saltarem por cima ou por baixo de muros, cercas ou barreiras electrónicas, ou infiltrando-se através de passagens interditas, se furtam assim, virtualmente, a qualquer tipo de controlo. Os oficiais lá estão, até parecendo que atentos aos monitores de RX ou às manobras de eventuais prevaricadores. Fiquei no entanto com a impressão de que não raramente estão a passar pelas brasas ou a namorar ao telefone como ainda hoje constatei ser o caso de uma jovem e bonita polícia! No Hindustantimes de hoje (24/04), pode ler-se o seguinte título: “10 sacos que poderiam ter sido dez bombas”. A história desenvolve-se deste modo: Uma equipa do jornal abandonou em dez pontos estratégicos da cidade onde é exigida a mais alta segurança, dez sacos contendo objectos metálicos, restos de papel amachucado e garrafas. Pois pasme-se, estas pseudo-bombas ali ficaram durante horas até que alguém desse por elas. No comment! Pela minha parte, ninguém me tira da cabeça que o mesmo poderia ter acontecido em qualquer outra cidade do mundo. Todas aquelas medidas, que ainda por cima implicam o pagamento de taxas como é o caso do transporte aéreo, não são mais do que operações de cosmética para convencer os papalvos de que tudo está bem e seguro no reino da Dinamarca. Não posso terminar este texto sem fazer referência a uma outra situação, deveras cómica, que tenho presenciado. É a seguinte: Neste país, qualquer pessoa a quem tenha sido atribuído o mais leve vestígio de “autoridade”, faz-se acompanhar sempre de um cacete de bambu com mais ou menos metro e meio de comprido. São os polícias, numa mão a espingarda na outra o varapau, vigilantes e guardas, funcionários do Metro e da Índia Railways (ou ao seu serviço), contínuos e porteiros. Usam-no em simultâneo com estridentes apitadelas para pôr o pessoal na fila, para o tirar da fila, para o fazer calar, avançar ou recuar, para o dividir por grupos, para lhe balizar ou impedir a passagem … Até vi um velho Imã de uma mesquita correr à paulada um crente que se esqueceu de tirar os sapatos à entrada do templo! Acho que, em determinada ocasião, eu próprio não apanhei umas arrochadas por ter a tez um pouco mais clara! Porém, parece-me óbvio que não existe por detrás desta forma de actuação nenhuma vontade de dar porrada em quem quer que seja. O cajado terá apenas valor simbólico. Reforça a autoridade e mostra a todos quem é que manda. As suas raízes podem situar-se, talvez, no tempo da ocupação colonial. Ou não. Mas não deixa de ser desconcertante que em pleno século XXI, naquela que é a maior democracia do mundo, um povo pacífico, afável (e fatalista), aceite resignadamente estas tropelias. Entrega-se de corpo e alma aos seus Deuses e, como a maioria de nós, acredita pouco nos políticos!
Neste texto deixei alguns salpicos que não são de irritação, apenas de alguma ironia. Contudo, e antes de terminar, quero deixar uma homenagem e a expressão do meu sincero agradecimento às autoridades, funcionários públicos e trabalhadores do sector privado e de uma maneira geral a todo o povo indiano, pela forma simpática, amistosa e sobretudo tolerante como só ele sabe receber os seus visitantes. Fica aqui também a garantia de que hei-de voltar!

quinta-feira, 26 de abril de 2012

90 – Varanasi: Cancelled!

Tanto quanto sei, Varanasi é uma cidade situada na margem do rio Ganges (Ganga), seiscentos e tal Km a sueste de Delhi. É um destino turístico procurado por muitos estrangeiros mas é sobretudo um local de peregrinação para milhões de indianos. Acreditam que banharem-se nas águas do Ganges lhes faz bem ao corpo e devolve a pureza à alma. Aqueles para quem o fim está próximo, veem ou são trazidos a Varanasi para aqui falecerem na crença de que assim estarão no bom caminho para a salvação e a vida eterna. A cidade transforma-se diariamente numa espécie de palco onde vida e morte desempenham os seus papéis em íntima ligação com o público assistente. Neste imenso necrotério, os remediados ou ricos são cremados em piras funerárias à medida das suas posses e as cinzas lançadas ao rio. Enquanto isso, os familiares dos mais humildes, não dispondo de meios para comprar a lenha para a fogueirita (mais ou menos 50 euros), despedem-se dos seus entes queridos deixando-os flutuar livremente na corrente de vida que é o Ganges. Leva o seu tempo, mas a Natureza fará o resto até que de cada corpo não restem mais do que as imutáveis partículas que constituem este Universo a que todos pertencemos. Este espectáculo macabro onde se vêm corpos semidevorados pelos bichos deslizando à tona de água é muito apreciado pelos turistas que a ele assistem ao nascer e pôr do Sol em passeios de barco alugado para o efeito. Não se perca de vista que a morte também é um negócio! Pois foi tudo isto que li e que me contaram, mais a descrição das áreas adjacentes ao local dos rituais onde a crónica falta de higiene pública pode ser chocante, que me fizeram cancelar o “projecto” Varanasi. No entanto, os meus arrojados companheiros de viagem cumpriram o roteiro até ao fim. No dia 21/04 fui despedir-me deles à plataforma nº 15 da New Delhi Railway Stn., aqui à porta do hotel onde me encontro alojado. Embarcaram pelas 20h10 numa viagem de mais ou menos 11 horas até uma pequena cidade próxima de Varanasi, sendo que o restante trajecto terá sido feito de táxi, suponho. Espero que tenham aproveitado a noite para descansar já que viajaram numa cabine “sleeper” de quatro lugares, óbviamente sem a qualidade dos comboios europeus mas ainda assim, de um nível muito acima do standard. Pernoitaram (duas noites) próximo do “local dos acontecimentos” daí tendo regressado por via aérea ao aeroporto internacional de Delhi de onde a Lufthansa os trouxe de volta à Europa. Quanto a mim, fico ansioso por encontrar-me com eles e saber dos detalhes. Entretanto, aproveito para descansar enquanto vou teclando estas prosas. Contrariando uma certa impressão inicial, comecei a gostar desta cidade que é uma das maiores capitais do mundo e que vou conhecendo cada dia melhor. Por mais uma semana apenas!
Juan_jovi@sapo.pt

segunda-feira, 23 de abril de 2012

89 - Agra.

Chegámos a Agra a meio da tarde de 17 de Abril depois de mais uma viagem épica. Não pela distância, pouco superior a 200 Km, mas pela lentidão do tráfego perfeitamente caótico (para nós ocidentais), que aqui na Índia se arrasta a passo de caracol através de inimagináveis “autoestradas”. São os veículos em contramão, as bermas esburacadas e poeirentas transformadas em faixas de rodagem, as incompreensíveis portagens, os muitos troços em reparação que obrigam a que numa única via se concentrem 5 ou mais filas de automóveis, camiões, tractores e tudo o que tenha rodas, viajando em sentidos opostos … Incredible Índia!
Alguns motivos para fotografia que fomos encontrando ao longo do trajecto:
Posto de abastecimento de combustível.
Os omnipresentes ceirões para transporte da casca do cereal.
Oficinas especializadas na reparação de tuck-tuck's.

O tráfego habitual nas estradas indianas.

Dentro da viatura ... muitos! Empoleirados no pára-choques ... outros tantos!
Dizem que o subsolo é rico em água. Deve ser assim a julgar pelo numero imenso de aerobombas que avistámos.

Entrada para um restaurante de beira de strada "especializado" em camones, gringos e pessoal de outras origens.

O nosso hotel em Agra.
Tudo isto sob um sol abrasador num país onde, curiosamente, não se vê ninguém de “sombrero” ou simples boné a proteger a cabeça. Excepto os Siks que transportam metros de tecido sob a forma de turbante para marcar a diferença (superioridade) da casta e esconder um toutiço de cabelo enrolado logo acima da testa. Também vi alguns muçulmanos usando o característico barrete branco. Verdade seja dita, as cabeleiras deste povo são fartas e lustrosas, não sendo invulgar ver um cavalheiro sacar do seu pente para ajeitar a trunfa de que certamente se orgulha. As calvícies são raras, facto que pode ter explicação na genética ou mais prosaicamente porque esta população é muito jovem. Na rua quase não avistamos pessoas no escalão médio da vida, tendo esta uma esperança à nascença muito mais baixa do que nos países do primeiro mundo. Ao ser interrogado quanto à minha idade - 64 primaveras -, notei algum espanto na cara dos meus interlocutores que esperariam ver um velhote meio alquebrado à semelhança dos seus concidadãos. Permitam-me o conselho: Aqueles que se insurgem facilmente quanto às deficiências do nosso SNS ou protestam contra as taxas moderadoras, que vociferam pelo atraso nas consultas ou pela forma menos cortez do atendimento … venham cá! Garanto que uma viagem a este país, ou melhor ainda, através deste país, lhes fará um enorme bem à cabeça. A começar pela dissipação dos medos mais ou menos latentes que todos temos quanto à velhice, doença e morte, evolução da crise, situação financeira futura etç. Por apenas esse momento de reflexão, a viagem terá valido a pena.
Voltando ao tema: Em Agra ficámos alojados num 4 estrelas, o Royal Residence. Aqui começaram os meus problemas com a Internet só disponível no lobby e, por acaso ou talvez não, sob o escrutínio de várias câmaras bem visíveis no teto. E como acedi a determinados sites, o meu computador entrou em quarentena e não tive mais Net até ao final da viagem! Deste assunto e de outros correlativos haverei de falar noutro post.
Agra é uma cidade pequena, diz Sanjay, o nosso motorista. Nela vivem “apenas” dois milhões de seres humanos, mais os cães, pombos, ratazanas, corvos e macacos que a população alimenta devotamente. Alimentar estes bichos é, na crença dos hindus, uma forma de agradar aos seus Deuses e atrair boa sorte. Vi homens cuspindo sangue e saliva, com apenas a pele a cobrir os ossos, retirando forças não se sabe de onde para transportar vários passageiros às vezes famílias inteiras, em rikshaws puxados a pedal. Mas não vi um único cão que não estivesse gordo! Dormem em matilha o dia todo sob as melhores sombras sem que ninguém ouse incomodá-los. Neste como em muitos ouros aspectos esta cidade é um caso de “dejá vu”, não se distinguindo das outras que já visitámos. Comércio e turismo vibrantes na zona dos hotéis e das principais lojas, algumas avenidas largas no centro onde o trânsito flui, mas muito longe da “nossa” normalidade e, a pequena distância, a mesma arquitectura colonial decrépita ou mesmo em ruína, os omnipresentes indícios das deploráveis condições de vida da sua população. Que distância entre o que observámos e as belas frases e fotos dos cartazes turísticos! Mas afinal, porque é que aqui afluem turistas às “manadas”? Porque é nesta cidade que se situa o mais famoso dos monumentos da Índia, o Taj Mahal. Um “produto” que continua a vender bem, e de que maneira, como pudemos constatar. Provavelmente porque para além da sua indiscutível magnificência, a ele está associada uma história romântica capaz de fazer chorar as pedras! Não vou contá-la porque está muito bem descrita na Wikipédia – leitura obrigatória. Património da Humanidade (Unesco) e uma das sete maravilhas do mundo (Lisboa), o Taj Mahal … impressiona! Apenas um curto comentário: O Shah, ou era podre de rico e não sabia o que fazer ao dinheiro, ou a paixão lhe toldava as ideias, ou ambas, para gastar uma tal pipa de massa com uma mulher, ainda por cima, depois de morta. O segundo motivo de interesse nesta cidade, situado à vista do Taj Mahal (2,5 Km), é o seu Forte ou Forte Vermelho de Agra, assim chamado devido à cor do tijolo com que o edifício original foi construído e que mantém. Imponente exemplo da arquitectura militar de outrora, dele se ouve falar desde 1080 da nossa era. Era mais propriamente uma cidade fortificada (380.000 m2) e aqui viveram, morreram ou foram executados, Imperadores, Shahs e Moghals. Objecto de vários actos de conquista e reconquista, passou igualmente por fases de destruição e reconstrução até chegar à forma actual. Gostei muito de ter tido a oportunidade de o visitar.
Em Agra existe um grande parque de estacionamento para as viaturas dos visitantes do Taj Mahal. Daí até á entrada do monumento, o percurso é feito nestes simpáticos e agradáveis carros eléctricos.

A "portaria" do Taj Mahal.
Grandes espaços ajardinados e estruturas de apoio rodeiam o monumento.

Uma das duas mesquitas que ladeiam o Taj.

Os meus companheiros de viagem. Perdidos na multidão ... !
O Taj Mahal em todo o seu esplendor.
Luís, o "Pensador".


De frente e de  ... costas!

Luís no átrio de onde se acede ao Taj.
Novas tecnologias: Um puxa e o outro empurra!
Pormenor de um mosaico interior do mausoléu.
Depois da  visita ao Taj, esta é a alameda de saída.

Segundo comentário, bem rapidinho: Quando os europeus empilhavam pedras e lhes davam a forma de castelos, já este povo construía fortes e cidades fortificadas como as que visitámos (Jodhpur, Agra). No tempo em que os europeus construíam igrejas e catedrais, os indianos erigiam o Taj Mahal e outros edifícios de índole religiosa, igualmente impressionantes. Eu, que sei pouco de História, pergunto: O que (quem) eram os gentios? Quem, por nosso intermédio, recebeu a luz da civilização ou a esperança da fé, (quantas vezes à espadeirada)? Claro que não ignoro o contexto!
No Forte de Agra, o mais importante da Índia.

Forte de Agra.
Os Claustros onde o marajá recebia e falava às massas.
No interor do Forte.

Belos espaços relvados e ajardinados rodeiam os principais edifícios no interior do Forte de Agra.
Voltarei.

sábado, 21 de abril de 2012

88 - Em Panne!

Caros amigos e visitantes,
Estou com as calças na mão! E se o problema não e do c* é porque é mesmo das calcas! O meu computador liga à rede mas nao acede a internet. Diz que o DNS nao responde. Até ja mudei de hotel na esperança de que o problema se resolvesse, mas ficou tudo na mesma. Utilizei a pesquisa e resolução automática de problemas do windows, reconfigurei placas, verifiquei o adaptador de conectividade etc. e ... nada! Alguém sabe como e que isto se resolve? Quem souber deixe um comentário neste post p.f.
Como e óbvio estou a utilizar um computador configurado para indianos, não tem acentos e é uma grande bosta. Obrigado pela vossa paciência.
Editado em 16/05/012.