terça-feira, 14 de maio de 2013

107 - Istambul., post 5

Passeio de barco no Bósforo.

 Apesar de todos os dias e por mais do que uma vez atravessar o “Canal” aqui na zona de Haçlic (corno dourado), resolvi fazer o clássico passeio como qualquer turista, acidental ou não. Foi no passado domingo, numa esplendorosa tarde de sol. Chegado a Eminönü, do outro lado do canal, por volta da hora de almoço, a primeira tarefa foi procurar o pátio das comidas, bastamente referido em postes anteriores e deitar abaixo uma deliciosa sandocha – meia baguete recheada com tandori de frango, carne bovina picada e muito bem temperada, 20 cm de malagueta, cebola, tomate e alface. Foi das melhores sandes que comi até hoje e enquanto a devorava com satisfação, pedi a um bacano que passava que me tirasse uma foto. A seguir, um bom copo de sumo de laranja, natural – aqui chama-se partakal que quer dizer Portugal. Hepsa (conta em turco): 7 TRY. Depois fó só escolher o barco, tarefa que se complica pelo facto de existirem tantos. São todos idênticos e o trajecto é o mesmo, a única coisa que varia é o preço. Os arrais chamam constantemente através dos altifalantes, promovendo o seu cruzeiro como o melhor. O passeio dura cerca de hora e meia e os preços vão das 12 TRY (liras turcas) aos 20 euro, mais do triplo! No entanto, as hordas de lorpas, principalmente de cabelos alourados ou grisalhos é tão grande, que nenhum dos bateaux fica com a sua capacidade por lotar. Não sei se por detrás deste negócio não estará a mãozinha do Guia (local) e a sua espectável comissão! Como não é assunto meu, andiamo
Pois com bom tempo e águas serenas o passeio foi muito agradável … talvez um pouco monótono … Para lá, ao longo do calçadão oriental, para cá, bordejando a margem europeia. Tivemos oportunidade de avistar ao longo do trajecto asiático, multidões intermináveis, alinhadas ao longo dos cais, esperando pelo seu barco ou simplesmente passeando, já que era domingo e a Turquia é um estado laico. Observámos também o quanto a região se torna bela graças ao verde vivo dos seus extensos bosques de aspecto impenetrável. Aqui e ali, bem camufladas na paisagem, algumas vivendas, pertença de bem-aventurados. Nesta zona há palácios que são hotéis e hotéis que são palácios. E restaurantes só para alguns, como Galatasaray, montado sobre estacas, bem dentro do canal. Já  distanciados da zona urbana, passámos sob duas novas pontes rodoviárias, altíssimas e ambas presas por arames! Já repararam que agora as pontes são iguais em todo o mundo?
E prontos, foi isto que resolvi contar acerca do meu passeio no Bósforo seguindo-se com não podia deixar de ser a respectiva reportagem fotográfica!
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Obs.: Este trabalho foi realizado enquanto aguardava na estação dos C. F. de Sirkeci - uma longas horas - pela partida do meu comboio para a Bulgária (Sófia). Fui informado que a partida será às dez da noite mas, os primeiros 115 Km serão feitos de autocarro, só depois se efectuará o transbordo para o comboio onde tenho passagem reservada em couchette 1ª classe. Felizmente havia Wi-Fi, o que me permitiu ir teclando. Enquanto isso, uma agradável (nostálgica?) música de fundo de emissão contínua, ecoa por toda a estação. Como aquela que desbobinava dos velhinhos Akai da minha juventude através dos altifalantes das casas de baile. Anunciava aos mancebos bem como às meninas e sua mães que um grandioso baile os aguardava. Fórróbódó, sim, mas  só um bocadinho!
 
Ali, à borda de água, uma deliciosa sandocha!
Aspecto da ponte da embarcação:
O meu colega ... posando para a foto.
Começando o embarque.
 

Mais uma vista da praça das comidas e barcos-restaurantes.
Eminönü e a sua mesquita.
 

A torre de gálata vista do barco.
Motores puxando água para os viveiros ali ao lado, sob toldos azuis.
Pequena paragem na estação do Koraköi para receber passageiros.
Passagem entre os dois tabuleiros da Gálata.
Nesta, decorrem os trabalhos.
Outra passagem com a sua plataforma miradouro.
Ao longe, as tais colinas que rodeiam Istambul.
Paquete ancorado numa das várias estações marítimas.
Ao longo das margens, multidões.
Mesquitas, também as há pequenas.
Aqui, vista de mais perto.
Palácio de Bleyberbeyi, antiga residência de verão dos sultões.
Visto de mais perto.
Uma nova ponte presa por arames ...
Marina.
Há palácios que são hotéis. Aqui, pagam-se mil por noite, segundo ouvi um coreano confidenciar a meu lado a três amigas de ocasião.
E hotéis que são palácios!
Visto de mais perto.
Universidade.
Outra ponte, muito alta e presa por arames.
Lá em cima, os veículos quase não se vêm apesar de estarmos praticamente sob o tabuleiro.
 

Repare-se na bandeira no alto do bosque. Não existe lá mais nada!
Aqui vivem os bem-afortunados. Assemelha-se à Riviera francesa.
Parece uma ponte ... ou um  barco, mas é um restaurante.
Para estes não há crise!
Sempre muita gente.
E mais gente ...
E fortificações praticamente engolidas pelo arvoredo.
Outra altíssima ponte. Esta marca o limite do passeio.
Terá sido uma construção militar?
Estamos quase a fazer meia volta ...
E aqui já demos uma guinada de 90º!
Mais um belo bosque com alguma moradias em madeira dispersas pelo seu interor.
Aqui, os telhados quase não se distinguem no horizonte. Prece uma aldeia dos Alpes.
Edifício público?
Kiz Kulles: Torre de Leandro ou Torre da Donzela. Ver Wikipédia, interessante!
 

 
O meu navio do cruzeiro!
 

Chegada à praça das comidas, novamente, e fim da viagem!
 

 
 

segunda-feira, 13 de maio de 2013

106 - istambul, post 4

Taksim Square
 A paisagem humana da Turquia, pelo menos nesta que é a maior cidade do país, não tem muito que a distinga das congéneres europeias. As gentes apresentam-se bem nutridas e arreadas, não se vêm indícios de indigência e os poucos sem-abrigo com que topei tinham ar de quem aqui chegou vindo de outras paragens. Também não observei qualquer tipo de mendicidade de rua embora me tenha cruzado com dois ou tês miúdos e outros tantos velhotes a venderem pensos rápidos ou lenços de papel. Entre os jovens, homens e mulheres, há muitos de tipo “executivo”, pelo que suponho terem mais o que fazer do que coçá-los (ou las!), como acontece com os portugas. A mulherada é bem-cheirosa, muito faladora, péla-se por adereços e nalguns casos abusam da maquilhagem.
Infelizmente, pareceu-me existir uma tendência generalizada  para o cigarrito, entre eles e elas. Há-as bem escondidas debaixo de lenços e véus, trajando saias compridas de ganga, mas a grande maioria anda de perna e mais alguma coisa ao léu. Outras, quando muito, cobrem a cabeça com o hijab. Este é um povo simpático, hospitaleiro e bem-educado. Isto isto é, sabe mamar na teta do turista! Para azar nosso, a esmagadora maioria não sabe uma palavra de inglês como pude constatar ainda hoje no guichet de informações da estação de C. F. A adúltera (tinha cara disso!) que me atendeu, tratou-me abaixo de cão, com total desprezo e não dizia uma que se entendesse. Virei-lhe as costas depois de a mandar para o c. em bom e sonante português depois de, ainda que informalmente, me queixar dela aos colegas. Já agora e a título de informação, não contem com uma única placa identificativa (junto de um monumento, por ex.) ou esclarecimento, que não esteja em língua turca. A propósito, também não me passou despercebido o enorme orgulho que os turcos têm no seu país e a sua fervorosa devoção ao Islão. A prová-lo estão dois omnipresentes ícones: A Bandeira Nacional e as mesquitas. Estas, com os seus altos minaretes (quanto mais altos e em maior número mais importantes são), são os pontos mais conspícuos de toda a cidade. Não consegui contá-las todas nem um pouco mais ou menos e de algumas que visitei nem sei o nome. Os muezins também já não sobem lá acima para chamar os fiéis, fazem-no através de altifalantes ligados a modernos amplificadores de som (gravado?). Içadas em mastros altíssimos, as bandeiras estão por todo o lado, rubras, de dimensões gigantescas mas todas como novas. Bem ao contrário das nossas que, murchas, decrépitas e esfarrapadas, mostram bem o povo que somos. Um dos últimos passeios a que me atrevi, foi subir até à praça mais importante de Istambul, a famosa Taksim square. Do meu hotel até lá, serão pouco mais de mil e quinhentos metros, sempre a subir. Mas valeu a pena, pelo que pude apreciar até lá chegar. Percorri toda a Av. Istiklal e posso garantir-vos que aquilo é de primeiríssimo mundo. Igual ou apenas parecido, só a Paulista e outras na América, talvez. Tem a largura de uma autoestrada, mais de 1 Km de extensão e cada edifício é um “monumento”. Todas as grandes marcas de roupas e acessórios, calçado, jóias, relógios de luxo, enfim, tudo o que é símbolo de sumptuosidade , riqueza e ostentação, está lá representado. Os preços são elevados mas a alta qualidade dos produtos é evidente.  A gente sente-se algo minorcas se nos comparamos com a estatura de consumidor dos fregueses habituais daquelas lojas. O que mais me impressionou foi a quantidade de excelentes restaurantes e a qualidade das iguarias que tinham para oferecer aos seus fregueses, algumas expostas no exterior, como por exemplo o peixe fresco e os mariscos. Chegado ao planalto onde se encontra a praça, não tive dificuldade em perceber o porquê da sua localização. Contrariando a regra das grandes urbes europeias cujos centros mais dinâmicos procuram as zonas ribeirinhas (downtown), a Taksim fica num ponto onde no inferno do verão corre uma ligeira brisa que torna o ar mais respirável.                                     
E agora, as fotos da ordem!
Num sábado á tarde, com muito sol, a criançada diverte-se neste belíssimo parque situado a poucos metros do meu hotel
Um pouco mais acima tenho esta vista da cidade. ou o horizonte estava empoalhado (termo náutico), ou a minha máquina já pode ir para a reforma. Sem penalização!
Passei pelo bonito estádio do Kasim - os turcos são doidos por futebol.
E fui avançando por ruelas comerciais secundárias mas também elas apinhadas com people.
Até que encontrei um pelotão da polícia de choque em passo de corrida. Meti atrás deles para ver se ia haver molho e ... aí estou eu, sem saber como, a participar numa manifestação sindical!
Como outros, tentei esgueirar-me por aqui, mas ali à frente está a bófia com um canhão de água a trancar a rua ...
Os rapazinhos - são todos muito novos - têm ar de quem não está ali para a fotografia. Embora esteja tudo muito calmo, ninguém me pode garantir que esta não seja uma aula prática em que os putos vão aperfeiçoar a nobre arte de malhar no cidadão. Por isso ...
... é melhor buscar outra saída!
Aqui está o belo peixinho que será servido a uns priveligiados gulosos!
Istiklal Av. Lojas e mais lojas e um mar de gente ...
... uns para cima ... outros para baixo. É quase impossível atravessar e um lado para o outro.
Afinal temos outra vez a políocia a barrar-nos o caminho ...
... mas aqui tá-se bem!
Um largo sem gente na avenida?
Ah, aqui vêm eles. Fizeram uma pequena pausa para café no consulado de França, mesmo ali ao lado.
Os franceses são assim; mesmo em distantes representações diplomáticas não esquecem que estão lá para servir os cidadãos!
Uma lateral da Iskitlal.
E, novamente a avenida, agora mais desobstruída ...
Óh, pudera, ali estão eles outra vez. E agora?
Lá mesmo em cima, próximo do centro da praça, todo engalanado com flores, está o funicular, bondinho em linguagem de brasileiro. A linha não tem mais de 1 Km, vai apenas até à estação do Túnel, mas permite a comutação com o Metro.
No centro, monumento aos soldados turcos que morreram na luta pela criação. do estado turco moderno.
Um bonito e refrescante jardim
 .
Pessoal a destroçar
 
                  
A praça, o funicular e ao fundo, aquilo que parece uma mesquita, é uma basílica ortodoxa.
O maior edifício da Praça.
Um parque anexo.
Com o seu repuxo.
Hotel Mármara.
Outra vista do monumentoo ao soldado turco e igreja ortodoxa ao fundo.
Manifestação a favor do fair play no desporto
Agora vista de frente com respectivo cartaz.
O bondinho no seu ponto de descanso.
E agora, já de regresso, descendo a Iskitlal.
Um kebab de uma tonelada, como deve ser!
Um shopping de luxo com saída para a avenida.
Um artista popular ganhando a vida.
 

Coro de crianças cantando canções tradicionais turcas.
 
Uma moderna estação de Metro
Uf...