quinta-feira, 16 de maio de 2013

109 - De Stara Zagora a Sófia.

Afinal o Senhor nem me tratou mal, eu é que não estava a entender a Sua mensagem!

Logo que dei com o gato, isto é; que estava apeado perto de trezentos quilómetros antes de chegar a Sófia, procurei as alternativas possíveis: Retomar a viagem pela mesma via (comboio), no mesmo dia ou no seguinte? E que tal o autocarro expresso, se o houvesse? Em menos de um nada estava na estação dos autobuses a inteirar-me do horário e custo dos expressos até à capital. A decisão não foi difícil! Por 9 euros e apenas 3 horas de viagem tinha à disposição um lugar num autocarro com partida marcada para as 10.50 na pista 7. Óptimo! Ali mesmo, num simpático snack da gare, tomei um pequeno almoço à burguesa. Eram 10.20 e ainda não tinha limpado as beiças, vejo a rapariguita que me vendeu o bilhete. Andava à minha procura porque, por razões que não apurei, tinha partida imediata num miniautocarro, de resto novo e muito confortável. Mantém-se o mistério do desaparecimento dos outros passageiros do Istambul-Sófia express.  Mas que cheguei muito mais cedo e com maior conforto do que eles, disso não tenho dúvidas. Obrigado Senhor! E ainda tive um bónus. A meu lado viajou um encanto de rapariga, a Iva, 23 anos, búlgara de origem mas a viver desde os 12 anos em Valência onde estuda economia. A sua família, a mãe professora, o pai engenheiro, ela e um irmão 1 ano mais velho, actalmente estudante, chegaram a Espanha há cerca de dez anos. A vida corria bem até que chegou a crise, o desemprego, as dificuldades … A família teve que regressar à sua cidade de origem, Stara Zagora. A mãe dá aulas aos detidos numa penitenciária e o pai não sei em que se ocupa mas, segundo ela, a sua paixão é a marcenaria e a recuperação de peças antigas. Depois da visita aos pais – uma semana por ano! – a Iva vai regressar esta tarde a Valência onde tem um part-time que a ajuda a custear os estudos. Convidei-aa passar um fim de semana em Pombal quando a vida lho permitir. Foi disto e de outras coisas que falámos e quase não dei pelo passar do tempo.
Depois … o costume! Encontrar hotel o mais central possível, negociar (sempre) e instalar. O meu alojamento fica bem no centro, mesmo ao lado do Ministério do Interior, numa transversal do boulevard Maria Luiza. Por isso não tenho quaisquer receios quanto a segurança – como não os teria de qualquer maneira! Esta avenida será, em termos comparativos, a nossa Av. da Liberdade em Lisboa. Quanto ao hotel, é do tipo hostel, de gerência familiar e os quartos individuais ou duplos são muito agradáveis como se pode ver na foto. O staff é simpatiquíssimo, particularmente a Mina, a Daniela e a proprietária. Acertei por setenta leva (plural de lev), que é a moeda local. No resto da tarde, ainda fiz um grande dia de trabalho conforme se pode ver pela reportagem fotográfica. Vou ficar 3 noites em Sófia: Descansar, comer, dormir, passear e concluir o programa de visitas e registos fotográficos. Espero poder apreciar a simpatia e hospitalidade dos búlgaros, um pouco mais reservados do que nós. Mas só até se lhes desatar a língua!!! Depois são umas matracas, principalmente as mulheres. Já quanto a honestidade, todos me dizem para ter cuidado, particularmente com os homens dos táxis e os cambistas. Afinal, todos diferentes, todos iguais!  Depois partirei para Belgrado, na Sérvia.
As primeiras doze fotos completam a série referente a Istambul. As seguintes já são de Sófia.
 Uma antiga locomotiva na estação de Istambul.
 Na mesma estação, a área da bilheteira internacional.
 Onde se pode ver também esta espécie de busto homenageando Ataturk, fundador do estado turco.
 Vitrais na sala de espera e  ...
 ... pormenor de um interessante quadro que se encontra no mesmo local (ampliar para ver).
 Uma vista para o interior da estação.
 Área reservada aos passageiros do Oriente Express e ...
 ... restaurante onde esses sortudos tomam a última refeição antes de embarcarem ou a primeira à chegada.
 
 Comboios estacionados.
 Próximo, no exterior, estas interessantes bancas de engraxadores.
E a seguir Sófia:
 Banca de fruta no mercado central.
 Uma vista do mercado central.
 Por aqui também há mesquitas e ...
 ... muitos edifícios apalaçados, quase todos albergando entidades públicas. Este serve de residência oficial ao Chefe de Estado.
 Por baixo fica o paraíso das lojas de marcas.
 Também há igrejas cristãs, na sua maioria ortodoxas.
 Esta é a Igreja ortodoxa de Santa Nédjlia, do séc, X.
 Edifício Arte Nova como milhares de outros que se podem ver por muitas cidades europeias. 
 Aprazível parque, no centro.
 Ao fundo desse parque fica o Teatro Nacional. A cultura e o lazer!
 Ainda o parque e nas ruas circundantes ...
 ... vasos com belas flores como este.
 Fontenário público junto ao qual o agenciador Georg se deu a conhecer. Ar executivo, óculos e fato escuros, pasta na mão, saca de uma carta de apresentação e compromete-se a trazer ao hotel sem qualquer compromisso, um álbum com as fotografias das meninas mais bonitas da cidade ... Mesmo recusando a oferta, despediu-se simpaticamente dizendo "não se esqueça que o Benfica joga mais logo e o jogo dá na televisão ... !
`´A direita, Museu Arqueológico.
 Uma avenida da cidade.
 Esta é a "casa dos partidos", onde estes possuem os respectivos gabinetes de trabalho, as suas próprias administrações etç.
 Gabinete do 1ºMinistro e alguns ministérios.
 Na mesma área, mais vasos floridos.
 Uma capela cristã, achado arqueológico, situada no centro de encontro de várias vias de atravessamento interior para peões.
 Parlamento ao fundo, palácio presidencial à direita.
 Obelisco. Ainda não sei o que representa ...
 
 
 Outra av. da cidade.
 Estação arqueológica no centro, próximom da capela atrás referida.
 Uma passagem inferior que serve ao mesmo tempo de entrada par o Metro.
 Interior da Igreja de Santa Nédljia com imensos Ícones ortodoxos.
 Entrada para o Metro.
 Escultura.
 Muitas esplanadas.
 Fachada do Mercado Central.
 Um dos quatro leões que guardam a ponte sobre a qual a av. Maria Luiza cruza o rio.
 Estação central de autocarros.
 Escultura situada em frente à estação central de C. F.
 
 Relógio de pêndulo e respectivo maquinismo em funcionamento no mercado central.
 
 O meu hotel.
 
 

108 - Stara Zagora


 Stara Zagora
Stara Zagora
Ganda seca estava eu a apanhar na estação ferroviária de Sikerci, Istambul, aguardando a hora da partida (10:00 PM) para Sofia, a capital Búlgara. Em virtude de obras na linha ou por outra razão que desconheço, os passageiros juntamente com a tripulação do combóio foram transportados de autocarro até uma localidade situada a 115 Km de Istambul e aí se fez o transbordo. Neste país, a profissão de ferroviário deve possuir elevado estatuto dado o aprumo dos funcionários e bom gosto dos uniformes, que inclui fato escuro, camisa azul e gravata a condizer, com as cores e logotipo da companhia.
Os cento e quinze Km foram percorridos em pouco mais de hora e meia. Chuviscava mas, no conforto de um bom autocarro, tivemos uma panorâmica by night de alguns dos mais modernos bairros desta cidade localizados para os lados do aeroporto. Chegados a uma obscura estação, os nossos amigos apressaram-se a abrir as portas da carruagem-cama e cada um tratou de procurar a sua couchette. A mim coube-me a nº 51, um rés do chão. Instalámo-nos o mais comodamente possível no que fomos auxiliados pelos funcionários: Acenderam luzes, armaram beliches onde foi necessário, regularam a temperatura dentro do compartimento para o nível de conforto, entregaram a cada passageiro um kit com lençóis fronha e almofada impecavelmente limpos e forneceram todo o tipo de explicações que lhes foram solicitadas. Como os passageiros eram em número reduzido, cada um teve direito a um compartimento só para si, com excepção dos casais, naturalmente. Só o que não havia era água par oferecer a um determinado passageiro que se queixava de uma sede de morrer. Como naquela composição não existia vagão-restaurante onde pudesse comprá-la e, na sua boa fé, um dos tripulantes tentou ajudar o passageiro solicitando a um colega que transportava água a bordo para uso pessoal, (ou seria para negócio?), que dispensasse uma garrafa ao sequioso passageiro. E aí, estalou a discussão, porque este clamava alto e bom som, que pagar um euro que além do mais não possuía, por uma garrafa de meio litro de água, era mais do que especulativo, era uma exorbitância, era um roubo! E assim ficou,  para ali, cabisbaixo, sentado no chão, enquanto o tripulante fechava a porta do seu camarote e abalava corredor fora. Chegou o meu momento de intervir! Como tinha euros em cascalho e não achei o preço nada exagerado dada a situação, chamei o cavalheiro, puxei lustro aos seus brios e por duas patacas de euro, ele aviou-me duas garrafinhas de excelente água, fresca e gaseificada. Até a mim, que tinha jantado um kebab bem puxadito antes de embarcar, caíu que foi uma maravilha!
Para trás, ficou um pormenor: Enquanto discutiam, ouvi o ferroviário perguntar:
- Então você não tem euros porquê, lá no Brasil não há euros?
Fiquei a saber que o meu amigo de ocasião era brasuca e foi em português que reatamos uma conversa iniciada pouco antes em inglês. Era um jovem mineiro de Belo Horizonte, alto, de porte atlético e bastante moreno, aparentando possuir algum sangue negro. Uma pequena madeixa branca na cabeleira de azeviche, dava-lhe um certo ar de sagesse. De seu nome Thales, como o de Mileto mas que pronunciava “Tális” à brasileira, como o TGV europeu, Thalys! Deve ter lido umas tretas sobre o filósofo pelo que se chegou à frente debitando teoria! Entretanto, o comboio denominado Istambul-Sofia Express, tinha iniciado a marcha. Longe de ser um TGV como supus, era um comboio agradável, silencioso e rápido.
O cansaço já pesava e o sono … está quieto ó mau! Eram duas e meia, rebola para um lado, rebola para o outro e, estremunhado, descubro que o meu compartimento estava quase a pegar fogo, tal era a temperatura, estando o aquecimento ligado no máximo. Tive de abrir a janela e vir para o corredor, aguardando que a suite refrescasse um pouco. E eis que surge a primeira paragem (03.45). Estávamos na fronteira turco-búlgara: No meio da quase total escuridão, houve que saltar do comboio, atravessar linhas e cancelas e galgar plataformas até ao barraco onde dois senhores oficiais do SEF lá do sítio tiveram o desplante de aparecer uma hora depois para dar uma espreitadela às nossas fúcias e carimbar o castanho. O comboio estremece, prestes a arrancar, quando dou conta da ausência do meu amigo brasileiro. Através da janela, apercebo-me da presença de alguém junto de um quiosque situado a poucos metros do posto policial. Era o Thales, claro, fazendo a aquisição de alguma necessidade que só podia ser imperiosa, pois corria o risco de ficar em terra. Esbaforido, salta para o comboio que já começava a mover-se, trazendo na mão … uma garrafa de Martini! Sobravam-lhe dez liras turcas e tinha que as cambiar antes de deixar o país. Terá sido este, então, o melhor negócio que lhe propuseram, ou a sua sede já não era de água?! Questionou-me sobre a murraça. Dentro dos parcos conhecimentos que possuo sobre o assunto, lá lhe vou dizendo que a bebida era um vermute muito forte. Tomava-se normalmente acompanhada com uma rodela de limão e umas pedras de gelo e servia de aperitivo. Que não, a pinga nem devia ser assim tão forte pois até era adocicada ... Gole após gole, a garrafa já estava em adiantado estado de esvaziamento quando me dispus a pôr fim a uma longa converseta de cariz filosófico acerca dos altos valores da civilização grega no tempo do pensador seu xará: A liberdade individual e o direito de cada um consumir as drogas da sua preferência, a ética nas relações humanas … abaixo a exploração do homem pelo homem, etç., etç.,etç,. Preparava-me para tirar um cochilo quando surgiu a primeira vaga de controladores. Depois outra e outra, uns civis e outros militares. Parecia que estavam a nascer dentro comboio! À boa maneira do antigamente por estas paragens, uns grunhiam ticket, ticket, outros pediam o passport que examinavam cuidadosamente à contra-luz, e outros ainda, de lanterna em punho, revistavam minuciosamente os compartimentos e a nossa bagagem. Tive a sensação de que estava a ser protagonista num filme da década de sessenta.
Terminada a vaga controleira, fez-se silêncio, as luzes de corredor diminuíram e o comboio deslizava suave e velozmente, agora traccionado por uma potente locomotiva a diesel de nacionalidade búlgara, embora a linha estivesse toda electrificada. Cansado mas sem conseguir adormecer, corria de vez em quando a cortina para dar uma espreitadela dos campos verdejantes mas de aspecto abandonado vistos aos primeiros raios de sol de um dia que se apresentava radioso. Devo ter adormecido.
Subitamente ouço vozeria e uma espécie de descargas de ar comprimido dentro da carruagem que obnubiladamente interpreto como sendo uma “operações limpeza”. Olho para o relógio: São oito e meia, ponho-me a pé e do corredor, avisto na fachada da estação, em letras bem gordas as palavras Стара Загора e por baixo: Stara Zagora. Traduzo rapidamente: "Santa Sofia? Estrela de Sofia?" Estamos mesmo em Sófia decidi eu! Mas, será que já chegámos? Reparo então que, com excepção do compartimento ao lado do meu, pertencente ao meu amigo filósofo Tális, todos os outros estavam desertos. Ainda estava a tentar integrar a coisa quando ouço uma voz do Brásiu:
- Ôi Vitô, chêgámos, não?
- Não sei …
- Como não … todo o mundo já saíu!
- !?!?!
Mochilita às costas e ala. Lanço uma última olhadela à nossa carruagem. Parece, sozinha, abandonada, sem máquina ou outras carruagens atreladas. Caminhámos sobre um emaranhado de carris, saltámos para o cais e ali mesmo nos despedimos. Ele seguira para norte, sem destino concreto. Com base no que sabia, deixei-lhe algumas dicas sobre a Rép. Checa, Alemanha, Hungria … Tinha o regresso ao Brasil programado para Dezembro; não perguntei mas acho que deve ter deixado penates por um ano. Mas diz que vai regressar mais cedo, está farto da opressão que constatou nos países já visitados: Egipto, Yemen, Emiratos, Jordânia …  onde, até foi avisado de que poderia ser preso se fosse caçado  a beber álcool em público! Além disso, está cansado destes controlos todos, pesados e sempre idênticos, por onde tem passado. No Brasil não é nada assim, exclama em tom de protesto. Para complicar a sua vida teve um probrêminha com o cartão de crédito. Sem saber como, sacaram-lhe metade do dinheiro que tinha na conta. Só azares para este rapaz!
À saída da muito tranquila (?) estação, avisto um casal de meia idade que está a arrancar de carro, a quem pergunto para que lado fica o centro da cidade. O simpático senhor faz-me um sinal que parece um manguito … dá dá dá … é só atravessar o parque e estás no centro, diz ele.
Centro? Mas qual centro? Esta cidade parece que não tem centro! Caminho há um quarto de hora numa avenida bastante movimentada. Uns dizem-me que o centro fica uns trezentos metros, ou nem isso, mais abaixo. Aí dizem-me que fica um tudo de nada mais arriba … Começo a ficar intrigado. Cruzo-me com um chaval assim para o gorducho, na casa dos vintes, shorts, fralda da camisa de fora e chinelo de enfiar no dedo mas de aspecto geral muito decente. Pergunto-lhe onde fica o posto de turismo mais próximo. Como resposta obtenho a a pergunta:
- Sabes falar espanhol?
 - Claro, pois existe algum português que não saiba falar espanhol?
E na língua de Cervantes, cujo conhecimento o jovem vai melhorando todos os anos no trabalho das vindimas, em Espanha, fomos conversando até ao posto de turismo, que afinal era uma agência de viagens de algum amigo. Fui atendido por uma senhora simpática. Sofia? Sofia …? Sófia? Sófia … ? Mas o senhor está a trezentos quilómetros de Sófia, seis horas de comboio! Ofereceu-me um mapa de Stara Zagora e desejou-me boa estadia.
Senhor, porque me tratais assim? Eu, que nem bebo, apenas respirei os vapores emanados do hálito do Tális, e acontece-me uma coisa destas! Porque achais que mereço um tal puxão de orelhas?


terça-feira, 14 de maio de 2013

107 - Istambul., post 5

Passeio de barco no Bósforo.

 Apesar de todos os dias e por mais do que uma vez atravessar o “Canal” aqui na zona de Haçlic (corno dourado), resolvi fazer o clássico passeio como qualquer turista, acidental ou não. Foi no passado domingo, numa esplendorosa tarde de sol. Chegado a Eminönü, do outro lado do canal, por volta da hora de almoço, a primeira tarefa foi procurar o pátio das comidas, bastamente referido em postes anteriores e deitar abaixo uma deliciosa sandocha – meia baguete recheada com tandori de frango, carne bovina picada e muito bem temperada, 20 cm de malagueta, cebola, tomate e alface. Foi das melhores sandes que comi até hoje e enquanto a devorava com satisfação, pedi a um bacano que passava que me tirasse uma foto. A seguir, um bom copo de sumo de laranja, natural – aqui chama-se partakal que quer dizer Portugal. Hepsa (conta em turco): 7 TRY. Depois fó só escolher o barco, tarefa que se complica pelo facto de existirem tantos. São todos idênticos e o trajecto é o mesmo, a única coisa que varia é o preço. Os arrais chamam constantemente através dos altifalantes, promovendo o seu cruzeiro como o melhor. O passeio dura cerca de hora e meia e os preços vão das 12 TRY (liras turcas) aos 20 euro, mais do triplo! No entanto, as hordas de lorpas, principalmente de cabelos alourados ou grisalhos é tão grande, que nenhum dos bateaux fica com a sua capacidade por lotar. Não sei se por detrás deste negócio não estará a mãozinha do Guia (local) e a sua espectável comissão! Como não é assunto meu, andiamo
Pois com bom tempo e águas serenas o passeio foi muito agradável … talvez um pouco monótono … Para lá, ao longo do calçadão oriental, para cá, bordejando a margem europeia. Tivemos oportunidade de avistar ao longo do trajecto asiático, multidões intermináveis, alinhadas ao longo dos cais, esperando pelo seu barco ou simplesmente passeando, já que era domingo e a Turquia é um estado laico. Observámos também o quanto a região se torna bela graças ao verde vivo dos seus extensos bosques de aspecto impenetrável. Aqui e ali, bem camufladas na paisagem, algumas vivendas, pertença de bem-aventurados. Nesta zona há palácios que são hotéis e hotéis que são palácios. E restaurantes só para alguns, como Galatasaray, montado sobre estacas, bem dentro do canal. Já  distanciados da zona urbana, passámos sob duas novas pontes rodoviárias, altíssimas e ambas presas por arames! Já repararam que agora as pontes são iguais em todo o mundo?
E prontos, foi isto que resolvi contar acerca do meu passeio no Bósforo seguindo-se com não podia deixar de ser a respectiva reportagem fotográfica!
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Obs.: Este trabalho foi realizado enquanto aguardava na estação dos C. F. de Sirkeci - uma longas horas - pela partida do meu comboio para a Bulgária (Sófia). Fui informado que a partida será às dez da noite mas, os primeiros 115 Km serão feitos de autocarro, só depois se efectuará o transbordo para o comboio onde tenho passagem reservada em couchette 1ª classe. Felizmente havia Wi-Fi, o que me permitiu ir teclando. Enquanto isso, uma agradável (nostálgica?) música de fundo de emissão contínua, ecoa por toda a estação. Como aquela que desbobinava dos velhinhos Akai da minha juventude através dos altifalantes das casas de baile. Anunciava aos mancebos bem como às meninas e sua mães que um grandioso baile os aguardava. Fórróbódó, sim, mas  só um bocadinho!
 
Ali, à borda de água, uma deliciosa sandocha!
Aspecto da ponte da embarcação:
O meu colega ... posando para a foto.
Começando o embarque.
 

Mais uma vista da praça das comidas e barcos-restaurantes.
Eminönü e a sua mesquita.
 

A torre de gálata vista do barco.
Motores puxando água para os viveiros ali ao lado, sob toldos azuis.
Pequena paragem na estação do Koraköi para receber passageiros.
Passagem entre os dois tabuleiros da Gálata.
Nesta, decorrem os trabalhos.
Outra passagem com a sua plataforma miradouro.
Ao longe, as tais colinas que rodeiam Istambul.
Paquete ancorado numa das várias estações marítimas.
Ao longo das margens, multidões.
Mesquitas, também as há pequenas.
Aqui, vista de mais perto.
Palácio de Bleyberbeyi, antiga residência de verão dos sultões.
Visto de mais perto.
Uma nova ponte presa por arames ...
Marina.
Há palácios que são hotéis. Aqui, pagam-se mil por noite, segundo ouvi um coreano confidenciar a meu lado a três amigas de ocasião.
E hotéis que são palácios!
Visto de mais perto.
Universidade.
Outra ponte, muito alta e presa por arames.
Lá em cima, os veículos quase não se vêm apesar de estarmos praticamente sob o tabuleiro.
 

Repare-se na bandeira no alto do bosque. Não existe lá mais nada!
Aqui vivem os bem-afortunados. Assemelha-se à Riviera francesa.
Parece uma ponte ... ou um  barco, mas é um restaurante.
Para estes não há crise!
Sempre muita gente.
E mais gente ...
E fortificações praticamente engolidas pelo arvoredo.
Outra altíssima ponte. Esta marca o limite do passeio.
Terá sido uma construção militar?
Estamos quase a fazer meia volta ...
E aqui já demos uma guinada de 90º!
Mais um belo bosque com alguma moradias em madeira dispersas pelo seu interor.
Aqui, os telhados quase não se distinguem no horizonte. Prece uma aldeia dos Alpes.
Edifício público?
Kiz Kulles: Torre de Leandro ou Torre da Donzela. Ver Wikipédia, interessante!
 

 
O meu navio do cruzeiro!
 

Chegada à praça das comidas, novamente, e fim da viagem!