domingo, 11 de maio de 2014

133 - Roma, finalmente!

(Editado)
Fui a Roma e vi o Papa!
Este Blogg trata de viagens como consta no seu editorial de apresentação. No entanto, seria muito redutor ficar-se pelas questões ligadas ao preço da passagem low-cost ou do hotel mais conveniente, pelas informações relativas a locais e horários de funcionamento dos principais museus ou espectáculos, dicas quanto a segurança, o como lidar com as autoridades locais ou melhor maneira de nos desembaraçarmos de uma qualquer enrrascada. Todos estes itens são importantes e devem ser analisados, atrevo-me a dizer, estudados, quando se prepara a “grande escapada” mas, acerca deles existem na internet milhões de sítios e triliões de páginas! Executadas  por profissionais, o que não é o meu caso embora, sem falsas modéstias, tenha que admitir que já vou tendo alguma experiência. Aquilo que neste ponto de convivialidade pode ter algum interesse ou torná-lo um pouco mais interessante é, na opinião do seu autor, não apenas o relato de experiências mas sobretudo, a partilha das suas emoções e estados de alma. Antes, durante e depois do evento. Do frenesim da escolha do destino ao mais ou menos laborioso planeamento da viagem, da excitação do tiro de partida até ao arrastar de botas próprio do regresso de qualquer périplo de longo curso! A casa deve regressar-se com a alma cheia e uma grande e urgente necessidade de férias ...
Pois, meus queridos amigos, seguidores ou visitantes, se à partida não tinha definido um destino ou objectivo concreto param este tour, acabei por realizar aquilo que para muitos, sobretudo católicos, pode ser a viagem de uma vida: Ir a Roma e ver o Papa. E gostei! Gostei de, no seio daquela encenação fantástica criada e recriada vezes sem conta na Praça e Basílica de S. Pedro não ter sido acometido por qualquer sentimento místico especial, gostei de perceber minimamente como é que a máquina funciona e tão bem que, todos os anos, atrai milhões e milhões de peregrinos de todo o mundo. Gostei sobretudo de perceber como é que um homem bom, embora sem chama nem carisma e sem a necessária largueza de vistas, foi escolhido pela clique cardinalícia para ser Papa. Reparem no termo “escolhido”. Elege-se o supostamente melhor, escolhe-se o mais conveniente. E aqui reside toda a diferença. Se me é permitido ter opinião fundada, este Papa foi o preferido pelas máfias que comandam o Vaticano onde preponderam os tubarões do Banco eclesiástico ligado a alguns dos maiores escândalos que têm escapado para a comunicação social, os grupos de pressão (lobbies) que actuam a favor da ordenação das mulheres, do casamento dos clérigos, dos homos e dos seus direitos a casar e adoptar, das abortadeiras, das consumidoras da pílula do dia seguinte e dos laboratórios que as produzem, dos abusadores de menores de elevada patente (eclesiástica), os abafadores profissionais de escândalos no seio da Igreja católica, os testas de ferro mancomunados com os mais diversos governos e regim,es políticos, etç, etç.
Este Papa não assume compromissos, não cria rupturas nem pontos de fricção, contemporiza com uns e com os outros, flutua, vai na onda. É o Papa do Nin. E sabe que tem a máquina consigo. Todos os dias, em qualquer parte do mundo, essa máquina, através dos jornais, revistas e televisões, talk-shows ou programas de opinião se encarrega de difundir aquela fotografia, um discurso de três palavras ou o pensamento do dia de Francisco que alimentam o mito. Por detrás dela estão especialistas, tudo gente que ou é propriedade ou trabalha a soldo dos donos do pilim. Fazem o seu trabalho com o profissionalismo de um general em campo de batalha. Não há nem pode haver pormenores, só pormaiores! Tudo é tratado com os meios técnicos mais avançados e os recursos humanos mais qualificados que os executores encontram nas universidades ou vão recrutar aos mais prestigiados centros de investigação.
E os resultados estão à nossa vista, oito dias depois de ter tomado posse, o  Francisco já era quase santo, agora só falta que morra para ser canonizado! E merece-o já que se presume que vai levar a sua vida até ao fim sem chatear ninguém. Bem ao contrário do seu antecessor Bento XVI, que pela sua matriz cultural alemã, pela sua personalidade onde os traços de rigor, inflexibilidade e conservadorismo/puritanismo relativamente a aspectos fundamentais da crença de que foi o supremo pontífice, pela vontade demonstrada através de acção de levar a cabo uma valente varredela da instituição, acabou por ter que abandonar o cargo que em catolicês se diz resignar. Não por medo ou cobardia suponho eu, mas por vontade de não fazer mais mal do que bem à sua Igreja, permanecendo no lugar. E Aqui vamos nós!
Dito isto vamos ao texto e fotos da viagem.

Era uma das capitais europeias que mais ansiava conhecer. Sem planos nem projecto, calhou agora! Não tenho muito para dizer excepto que vai além do que todos conhecem da História, dos livros, dos filmes etç. Procurei até, dentro do possível, fugir dos clichés fotográficos que encontramos em qualquer página de revista ou panfleto publicitário das agências de viagens. Se como dizem, uma imagem vale por mil palavras, não há imagens que só por si consigam dar ideia do que é o pulsar do coração desta cidade. Romanos e visitantes fazem dela um caso único na Europa em termos de convivência. Por um lado, com um passado grandioso, épico que fez da romanidade a base daquilo que tanto orgulha os europeus, a herança cultural e civilizacional do ocidente. Por outro, é uma cidade aberta ao moderno, direi mesmo entusiasta do que é avançado para o seu tempo, sem tabus ou preconceitos. A cada esquina de rua, em cada praça, nas múltiplas estações arqueológicas lá está o passado a lembrar-nos que afinal o saber e o conhecimento já vem de muito longe. Mas o dinamismo dos romanos de hoje só podia ser consentâneo com os avanços e conquistas que a humanidade do sec. XXI da era de Cristo alcançou. Nem tudo são rosas. Roma dever ser a capital com mais desempregados, esmagadormente - em termos percentuais - com origens étnicas longe do nosso continente. Recebe-os como pode e deixa-os viver conforme podem. Mendicidade, pequenos negócios de rua, esquemas diversos não são quadros raros nesta cidade. Estruturalmente apresenta deficiências que vão da higiene urbana à regulação do trânsito com a agravante de viver paredes meias com um vizinho, o estado do Vaticano governado pelo Papa Francisco que em pouco tempo se tornou numa autêntica estrela pop à escala planetária. O volume de visitas que querem ouvi-lo ou simplesmente vê-lo tornou esta cidade que já era das mais cosmopolitas do mundo numa babel com sérias dificuldades em responder às solicitações. No plano hoteleiro por exemplo, é difícil encontrar soluções. Pediram-me 130 euros por noite para ter direito a uma cama num dormitório! Os hoteleiros chegam ao ponto de tratar com duas pedras na mão quem vem à procura de alojamento, em certos casos nem deixam o cliente expressar a sua necessidade, enxotando-o com um gesto. Não existe um único lugar de estacionamento disponível e os automóveis circulam espelho com espelho no meio de uma algazarra claxónica de ensandecer. E o vociferar dos condutores? Abaixo de carroceiro. Assim vai Roma. Mas eu quero voltar!
 No hotel avisaram-me que convinha chegar cedo à praça de S. Pedro se queria assistir à missa "comandada" pelo Papa. Ás 07H30 apanhei o Metro na Vitor Emanuel e quando cheguei o aspecto da praça era este ...
Pouco depois chegavam os primeiros madrugadores que aproveitavam para fazer o reconhecimento da Praça.

 Num abrir e fechar de olhos, tínhamos uma fila galharda.
 E aqui estou eu aguardando pacientemente que a "coisa" avance. O caso é que começaram a chegar centenas de guias turísticos e como já vêm munidos com os bilhetes, os seus clientes passam todos à nossa frente. E nós a vê-los passar!
 Aqui já há alguns desistentes.
 Uma vista do pessoal compactado dentro da igreja. O Papa entrou por uma porta lateral, entre cânticos, e já ocupou o seu lugar junto dos seus cardeais e Bispos todos vestidos de branco.
 A pia baptismal.
 Eu adormeci lá dentro! Aquelas litanias altamente repetitivas puseram literalmente KO. Tive que vir tomar um pouco de ar fresco. Aproveito para mostrar aqui atrás de mim a aparelhagem de som  com "milhões" de decibéis através da qual o Papa, depois de terminar a missa, se dirigirá aos fiéis desde a sua janelita. Mas eu ainda tenho pouca prática nestes eventos, é quase meio dia e já estou cansado. Como também fiz o reconhecimento do local, reparei que lá ao fundo há um snack-bar que vende uns menus tipo Mc Donald. Vou dar o fora ...
 Já suspenderam uma espécie de estandarte púrpura da janela através da qual o Homem se irá dirigir às sua Ovelhas, salvo seja.
 Entretanto, o movimento na via Octaviano que conduz à praça de S. Pedro e ao Vaticano não para.
 Um elemento do corpo da Guarda Suiça do Papa.
 Esta era a mole humana à espera de Metro depois das celebrações.
 A alguma distância, esta é uma das entrads para a Praça do Pópolo.
 Uma vista da Praça do Pópolo, sempre muito animada.
 Uma das Vias adjacentes.
 Lá em cima o complexo da Trinitá del Monte. A seus pés fica a Praça de Espnha
Burro sou eu que ando a aturar estes índios, pensa o animal. Há centenas de charretes espalhados pela cidade, como esta na Praça de Espanha.
 Praça de Espanha.
Um conjunto muito engraçado de músicos da Transilvânia. Lá, para não se ser mordido pelos vampiros é melhor não ter cabeça nem pescoço.
Aqui, próximo da Praça de Espanha com o meu amigo violinista.
 Monumento a Colombo.
 A famosa Fontana de Trevi
 Adereços à +porta de uma loja.
 Monumento a Vitor Emanuel.
 Coluna de Trajano na Praça Venezia.
 A mesma coluna de Trajano vendo-se a seu lado ruínas de antigas termas romanas.
 Outra vista do "controverso" monumento a Vitor Emanuel, o pai da Itália unificada moderna.
 Outra vista da Praça Venezia.
 Museu Capitolino.
 Teatro Marcello.
 Campo arqueológico na Praça da Argentina.
 Rio Tibre com suas pontes e ilha. ilha.
 Parque arqueológico próximo do Coliseu romano.
 Outro parque arquueológico no monte do Capitólio.
 O Cokiseu.
 Uma visitante paquistanesa envergando as sua roupas tradicionais.
Soldados romanos à conversa sobre a próxima comissão na Gália ou talvez na Ibéria.

sábado, 10 de maio de 2014

132 - Montpellier, passando por:

Figueres:
Decidi passar para o lado francês franqueando La Jonquera, uma localidade que me inspira alguma simpatia já que ostenta um nome algo parecido com o meu (Junqueira). Deixei Barcelona a meio da manhã após o frenesim matinal para que o tráfego rodoviário se diluísse um pouco. Segui pela carretera nacional em vez de tomar a auto estrada e aconselho este trajecto muito concorrido em termos de  pontos de apoio. Tais  como restaurantes, postos de gasolina, oficinas de reparação automóvel, parques de descanso e algumas substitutas. O trânsito continuava intenso mas muito disciplinado, o traçado da estrada assim como o piso bastante cómodos tornavam a condução muito agradável. Atravessando os Pirenéus catalães tem-se a impressão de estar na Suiça. Aqui campeia o verde carregado e fresco da floresta, em grande parte nativa, mas onde se vêm também muitos pinheiros bravos e matas bem ordenadas de choupos. Entre as manchas de floresta, zonas de pastagem onde algum gado é apascentado. Já próximo de Girona entrei num troço de autoestrada, por enquanto gratuito (o que eu desconhecia), onde topei com a indicação do desvio para Figueres. Nem hesitei, havia anos que eu queria visitar Figueres era ... agora ou nunca! A viagem faz-se através de uma bem tratada estrada rural, parece nova, rodeada de beleza, cumes cobertos de neve ao longe, infindáveis prados correndo ao longo da estrada.Trata-se de uma pequena cidade da província de Girona com cerca de quarenta mil habitantes que deve toda a sua fama e prestígio ao facto de nela ter nascido e vivido Salvador Dali e sua jovem mulher, Gala. Próximo existem algumas praias mas, ao que me pareceu, o turismo cultural constitui o mais importante motor do seu desenvolvimento.
gTeatro-museu, sala de exposições da Fundação Salvador Dali/Gala.
Catedral de Figueres.
Fila com várias centenas de pessoas aguardando vez para a bilheteira. Havia outra que se estendia pela rua perpendicular, junto à cabeça desta.
Praça frente à Catedral e Câmara Municipal.
Rua comercial do centro.
Ouytra rua tranquila do centro.
Congresso com participação dos sobreviventes dos bombardeamentos da Guerra civil.
Este perdeu.se! Devia estar no Porto e fui encontrá-lo no hall da Câmara Municipal de Figueres.
No mesmo local, dois gigantones.
A fila não diminuiu, antes pelo contrário. Estes visitantes tiveram para várias horas o que me fez pena porque este é um dos raros museus que eu gostaria de visitar. Aprecio bastante a obra de Salvador Dali embora só conheça uma ínfima parte. Acho que o artista tinha uma pancada o que fez dele simplesmente genial, provocador e contrcorrentista.
Estátua em que a cabeça foi substituída por um ovo, frente à entrada do museu
Perpignan:
A caminho de Perpignan, preparava-me para cruzar a fronteira na zona de la Jonquera sem grandes complicações, que de facto não tive. Mas eis a surpresa, os franceses repuseram as barreiras e os controlos fronteiriços. Filas e mais filas, nervos ... muitos! O dia seguinte amanheceu cinzento, o céu carregado de nuvens ameaçadoras e durante a noite caíram mesmo algumas gotas. No entanto, com o passar das horas, voltámos ao tempo primaveril solarengo. Deu para bater umas fotos desta cidade semi catalã em que o catalão é também língua oficial
Enquanto esperava, tirei esta foto que mostra um velho olival que bem poderia estar algures ali para os lados de Pousadas Vedras.
À frente, os barracos decadentes e abandonados dos espanhóis. Logo a seguir os dos franceses, novos ou muito bem recuperados.
Logo à frente encontrava-se um vendedor ambulante de cerejas. Aproveitei a oportunidade, comprei uma caixa delas que pareciam ginjas e com umas coisitas que tinha trazido de casa fiz um belo pic-nic.
Um lindo parque muito arborizado no centro de Perpignan. paralelo à Av. Wilson-
Perpignan, centro.
A principal av. de Perpignan toda engalanada com as cores da bandeira francesa.
Monumento a Pablo Casals.
Uma pincelada de cor.
O Castellet, casa de Josep Deloncle, hoje museu catalão.
Uma rua do centro histórico de Perpignan.
Restaurante da Praça do Município.
Rua comercial do centro histórico.
A grande praça, no centro.
Catedral de S: Joâo Batista.
Narbonne:
No Languedoc Roussillon, antigo porto de mar tem hoje o seu litoral a cerc
a de 15 Km. de distância. Muito procurada por veraneantes nacionais e estrangeiros, alguns aqui fixaram residência durante todo o ano. Fica no caminho para outras cidades importantes do Midi francês como Montpellier, Carcassone, Marselha e as conhecidíssimas S. Tropez, Nice.
Uma das praças por onde se entra em Narbonne, a Praça dos Pirinèus.
O edifício é um centro comercial outrora dirigido "Aux Dammes de France", conforme se lê na alto da sua fachada.
Edifício da Mairie.
Nesta Praça, fronteira ao Município, tomei o meu almoço que faria vomitar muitos dos meus amigos (bife tártaro). Em compensação serviram~me um leite creme que não pediria meças ao do Manjar do Marquês!
O cardápio do meu almoço.
Avenida ao longo do Canal do
Um aspecto do Canal, mais um cano de esgoto urbano.
Acesso à Catedral.
Catedral de Narbonne.
Os claustros.
Pormenor dos claustros com suas gárgulas.


Outra vista do Canal do
Rotunda que assinala a entrada na zona balnear.
Esta já muito próximo das praias.
Que não chegam aos calcanhares das portuguesas.

--- Afinal, em Monpellier acabei por me limitar a fazer uma estreia já que a cidade é minha sobeja conhecida de visitas anteriores. A sua Universidade, é uma das mais antigas da Europa sendo a primeira a de Bolonha seguindo-lhes outras como as de Coimbra, Paris, Salamanca etç. Por esse motivo goza de especiais pergaminhos sendo muito visitada por académicos e não só. Mas a estreia a que me refiro foi a pernoita pela primeira vez num hotel pertencente ao grupo Accord. Trata-se dos F1 (fórmula um) da linha Ibis Budget. Práticos, asseados, com tudo o que o cliente necessita e por um preço muito razoável. Fiquei cliente!