segunda-feira, 14 de setembro de 2009

22 - Caminhar nos Pirinéus I

.
PS: Pic du Midi de Bigorre.

PS:Humm...não estou nada parecido. Alguém me diz onde é o jogo?

PS: Paisagem. Foto tirada no Pico du Midi.

PS: Trilho para o Pic du Midi.

Um torneio de Rugby para veteranos, nos Pirinéus.
Por: Paulo Santiago.
Tenho prazer em caminhar, cansar as pernas. Já ultrapassei, há anos, a fase acelerativa, aquela em que um gajo se excitava agarrado ao volante puxando os HP; agora só um cavalo...eu
Há um ano, Agosto / 2008, fui até aos Pirinéus, melhor dizendo, Hautes-Pyrénées. Em 2005 tinha andado no lado de Spain; montei a base perto de Ainsa, um notável exemplo de preservação, percorrendo os trilhos do Parque Nacional de Ordesa e Monte Perdido, com uma subida à Pena Montanesa...não sei onde meti as fotos...voltemos a França...
Hautes-Pyrénées...montei a base no Camping Le Monlôo, em Bagnères-de-Bigorre, sendo esta cidade a melhor escolha. Fica no centro, um raio para Tarbes, outro raio para o Pic du Midi, outro para Lourdes, outro para Gavernie, outro para....
Vamos caminhar...comecemos, para aquecimento, pelo Tour de Serris, com início na aldeia de Beaudéan, situada a 4km de Bagnères. É um percurso circular com uma duração de 3.00 horas e um desnível de 360 metros. Depois podemos ir subindo, há imensos percursos assinalados, e chegamos a La Mongie … de carro. Temos de subir ao Pic du Midi de Bigorre, escolhendo uma de duas alternativas:
1) Utilizando o teleférico que sai de La Mongie e pagando 30€ ou
2) Vai-se no automóvel até ao Col du Tourmalet ( onde passam os ciclistas),estaciona-se e...pés ao caminho...2.30 horas a subir e 2.00 horas a descer, com um desnível de 700 metros. A parte final da subida, tem uma inclinação muito acentuada, o que exige um esforço suplementar, mas sabe bem. Chegados ao Pic du Midi, pode-se optar por descer no teleférico. Já experimentei as duas alternativas. Em Maio / 2007, fui a Tarbes participar num Torneio de Rugby para Veteranos (informo, para quem não sabe, maiores de 61 anos) e a organização ofereceu-nos um voucher (?) ao Pic. No Verão passado subimos e descemos a pé, eu e a minha mulher...
( continua)
Abrantes Santiago

domingo, 13 de setembro de 2009

21 - Passeio à ilha da Madeira em carros antigos - Conclusão.

.
Arqo pessoal: Chegada ao quartel dos B.V. de S.Vicente.

Arqº pessoal: Grupo de senhoras participantes no passeio.
Arqº pessoal: No bar dos Bombeiros para um cafézinho.

Arqº pessoal: Um sorriso que vale por mil palavras.

Arqº pessoal: Juan, o patrão do Blog. Vista da encosta norte da Ponta de S. Lourenço

Arqº pessoal: Chegada da caravana à Ponta de S. Lourenço.

Arqº Pessoal: Tempo de eleições. Uma inauguração com a presença de Alberto João.

Arqº Pessoal: Moderna Igreja da Camacha.

Arº Pessoal: Vista geral da vila de Machico.

Arqº pessoal: outra vista de Machico


Funchal, Hotel Monumental Lido, 11 de Setembro de 2009, quase meia noite.
Não há mal que sempre dure nem bem que não acabe. E o que é bom, acaba depressa!
No restaurante Real Canoa, está a decorrer o jantar de encerramento do passeio. Desenfie-me e deixei os companheiros à mesa para concluir este apontamento final.
É tempo de despedidas e agradecimentos. Em primeiro lugar, deixamos um grande abraço aos Bombeiros da Madeira, personalizados nas figuras dos senhores Xavier e Miguel do Destacamento de S. Vicente. Foram inexcedíveis quanto a cuidados para que tudo corresse bem. Devemos-lhe o sucesso do passeio e o privilégio de ter podido visitar locais que habitualmente não estão acessíveis a vulgares turistas. E quem melhor do que os Bombeiros conhece a sua terra?
De um ponto de vista mais pessoal, devo também uma referência carregada de especial carinho aos meus parceiros de aventura. Foram condescendentes, aturaram-me as maluqueiras e contribuíram largamente para que na hora da partida já bata a saudade e a vontade de repetir. Se não for antes, até para o ano, amigos!
Este último dia de visitas começou à hora habitual, nove da manhã. O pessoal mantém a exuberância do costume, mas … nota-se que todos sentem que o bem-bom está a chegar ao fim! Por auto-estrada, partimos em direcção a S. Vicente. De passagem revemos Câmara de Lobos onde chegamos num ápice. Pouco depois arribamos ao quartel do Xavier onde fazemos uma breve paragem para um cafezinho e visita às suas modernas instalações. Próximo destino, a vila de Santana onde temos almoço aprazado no restaurante Colmo. Antes, do alto da estrada marítima, contemplamos a bela povoação de Ponta Delgada, onde reside o nosso guia. Continuando em direcção ao almoço, avistamos Boaventura e Arco de S. Jorge. No miradouro de Cabanas, um vendedor de frutas abastece a caravana com especímenes exóticos de que nós, continentais, nem conhecíamos o nome e ainda menos o sabor, como por exemplo a pêra-melão ou o fruto da costela-de Adão. E a Madeira aqui tão perto!
Após um excelente almoço que primou pela qualidade do serviço, seguimos para a Ponta de S. Lourenço que com o seu ar rude e selvagem bem podia ser considerada um ex-líbris desta Ilha. Esta Ponta é uma espécie de estrema a partir da qual se avistam grandes extensões das costas norte e sul. Assim como o Pico do Funcho, que visitamos em seguida e de onde se pode confirmar visualmente esta curiosidade: A pista do aeroporto do Funchal é a única em todo o mundo que se estende por duas cidades, Santa cruz e Machico. É quase sol posto, mas ainda há tempo uma paragem na Camacha com visita a uma loja de artesanato.
Fim de dia, de trabalhos e de reportagem!

Juan

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

20 - Passeio em carros antigos à Ilha da Madeira - 2º dia

.
Arqº pessoal: O Miguel, elemento do Destacamento de Bombeiros de S. Vicente, Porto Moniz.

Arqº pessoal: Eira do Serrado, a 1094 metros de altitude.

Arqº pessoal: FIAT 600 de 1961, viatura participante, aquela em que me desloquei. A seu lado, uma irmãzinha mais nova.

Arqº pessoal: O Juan junto ao cruzeiro do Pico da Torre.

Arqº pessoal: Miradouro do Cabo Girão

Arqº pessoal: Câmara de Lobos vista do miradouro do cabo Girâo. Com muito zoom e pouca expertise.

Arqº pessoal: Almoço no restaurante Vides, vila do Estreito. Em primeiro plano à direita, moi, o Juan.

Arqº pessoal: Curral das Freiras visto do Miradouro da Eira do Serrado.

Arqº Pessoal: Carrinhos de verga ou zorras, veículos de tracção gravitacional.

Ainda mal recuperados da ressaca de emoções do dia anterior, eis-nos de partida para mais um dia de convívio em que também contamos encher o coração e os olhos com paisagens e momentos irrepetíveis. Para evitar novos tresmalhes, o Xavier conta a partir de hoje com a ajuda de um elemento do seu corpo de bombeiros, o Miguel. Segue na cauda da coluna e a sua missão é recuperar algum participante mais teimoso ou distraído.
O nosso primeiro destino foi o lugar do Monte, sobranceiro à cidade do Funchal. Neste local existem alguns pontos de interesse, como a Igreja de Nª Sª do Monte, a estação dos carrinhos de verga ou zorras, e o edifício superior do teleférico. Terminada a visita, o road book obriga-nos a seguir para o Pico dos Barcelos. Breve paragem para umas fotografias e ala que faz tarde para a Eira do Serrado, um miradouro natural de onde se avista uma paisagem deslumbrante sobre o Curral das Freiras. Num dia de muito sol, o centro desta pequena vila fervilhava com turistas. Atiravam sorrisos de simpatia aos recém chegados visitantes e os seus olhares, atraídos pela caravana de carros antigos impeliam-nos a fotografar. Simplesmente porque os achavam bonitos? Evocação de momentos felizes de tempos idos?
Na programação das visitas para este dia, foi introduzido um capítulo destinado à revisão da matéria dada. Voltámos por isso à Ribeira Brava e Câmara de Lobos que explorámos ao pormenor, sendo dada particular atenção às ligações ao Funchal e interior da Ilha através de novas vias, capazes de despertar a inveja de muitos países continentais desenvolvidos. Uma bem concebida rede de modernas estradas e túneis, deu xeque-mate às encostas de grande declive; a Madeira tornou-se menos acidentada, mas também mais pequena. Para além de facilitarem a circulação de pessoas e mercadorias, estas infra-estruturas também fizeram encolher a região, já que as distâncias medidas em tempo são agora muito curtas e, num instante, está-se em qualquer lado. No Estreito de Cãmara de Lobos, fomos à procura do almoço servido no restaurante Vides.
Após o repasto, uma agradável moléstia tomou conta do grupo, a rapaziada só pensava em bater uma curta sesta. Posta a questão ao Xavier, este decidiu curtocircuitar o programa e asssim rumámos ao cabo Girão, de onde se pode gozar uma vista magnífica sobre Câmara de Lobos. À esquerda, avistam-se algumas construções do Funchal situadas junto ao porto comercial, na zona dos silos. Entretanto, a modorra dissipou-se como as nuvens que encobriam os picos mais elevados e ainda houve tempo para saborear um delicioso fim de tarde junto ao cruzeiro do Pico da Torre. Por volta das 18h30 foi decretado o fim das operações e cada um ficou por sua conta e risco durante o resto de tarde e a night. Amanhã será dia de folga.

Juan.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

19 - Passeio à Ilha da Madeira em carros antigos - 1º dia

.
Arqº pessoal: O velho e o novo. O sr. Cruz, participante, 80 anos e o Afonso, filho do cte. Artur.

Arqº pessoal: O Sr. Artur, Comandante dos Bombeiros Voluntários de Porto Moniz com o filho ao colo.

Arqº pessoal: Algumas das máquinas participantes.

Arqº pessoal: O grupo dos entusiastas dos carros antigos.


Arqº Pessoal: O Sr. Xavier, adjunto de comando e nosso guia durante todo o passeio.


Caros amigos e visitantes,

Sei que têm sentido a minha falta, pelo menos tanto quanto eu a vossa. Espero poder compensar-vos com material que estou a preparar sobre uma viagem … não posso adiantar mais nada. Só posso dizer-vos que até eu gosto do que já escrevi, o que é raro!
A causa da minha fraca produção nos últimos dias, deveria ser do vosso conhecimento se se tivessem dado ao trabalho de ler os posts anteriores. Mas vá lá, aí posso eu dar uma ajuda dizendo-vos que me encontro na Pérola do Atlântico desde o passado dia 7/9, para o passeio à Ilha da Madeira em carros antigos (v. post nº 5). Conforme previsto, os participantes embarcaram com as respectivas viaturas no ferry Volcan de Tijarafe que partiu de Portimão no domingo dia seis de Setembro, com considerável atraso. Excluindo esse contratempo, a viagem foi magnífica com um mar de senhoras a saudar aqueles que ensaiavam a sua primeira experiência náutica. Atraso puxa atraso e, a chegada ao Funchal deu-se pelas duas da tarde, cinco horas após o horário de tabela. Tudo correu lindamente e como não faltavam a bordo os comes e bebes, até foi uma forma de prolongar o cruzeiro à borliú. Porém, este vosso amigo viajou de avião, dada a indisponibilidade da viatura com que participa habitualmente nestes encontros e passeios, um Morris 1300 Saloom de 1968. E como não havia carro a embarcar, preferi a viagem de avião, bem mais cómoda para quem é piloto náutico. Juntei-me aos meus companheiros, na segunda dia sete, à hora de jantar.
Todo o programa, foi delineado com base nos apoios com que iríamos contar nesta ilha, fruto da profunda relação de amizade entre o comandante Carlos Carvalho dos Bombeiros de Pombal e os seus colegas madeirenses. Um pequeno aparte para referir que o comandante Carvalho, nosso amigo comum e meu compadre, auto-excluíu-se do passeio à última da hora por imperioso motivo de natureza profissional. Todos lamentamos que não tenha podido acompanhar-nos mas, graças aos seus homens de mão instalados no terreno, a operação revelou-se extremamente facilitada.
Terça dia 8/9, foi então o primeiro dia de trabalho a sério. Num rápido briefing realizado no hotel Lido onde nos encontramos alojados e no qual participou o Xavier, adjunto do comando do destacamento dos bombeiros voluntários de Porto Moniz, foram acertados pormenores quanto ao percurso, dispositivo da coluna, comunicações, paragens para café e fotografia.
Encosta acima, encosta abaixo, partimos à descoberta do paraíso da laurisilva.
Radiadores a ferver, embraiagens a patinar e caixas de velocidades a ranger e a cuspir dentes, provocavam franzidelas de sobrolho aos choféres. Na atmosfera, aquele infernal cheiro a guerra que é o do cheiro do ferodo queimado, a lembrar a toda a gente que a qualquer momento, poderiam surgir as primeiras baixas. Apesar de tudo, as relíquias submetidas a tratos de polé não se têm negado e ainda nenhuma necessitou de enfermaria nem ambulância. Mas deverá reconhecer-se honestamente que a orografia da ilha não se presta a este tipo de exercício, devido ao extremo esforço exigido a quem já deu tudo. E para estes automóveis, que têm alma e sentimentos como as pessoas, é como se fosse uma falta de respeito.
Saída do Funchal em direcção à Ribeira Brava, com uma breve passagem por Câmara de Lobos a contrastar com a demorada visita às grutas de S. Vicente, completaram o périplo da manhã. Ao almoço, na Estalagem do Mar na Fajã da Areia (S.Vicente), compareceu o sr. comandante Artur dos Bombeiros de Porto Moniz que, para além de nos desejar as boas vindas, teve a amabilidade de trocar palavras muito simpáticas com alguns dos participantes. O passeio continuou da parte da tarde com visitas ao Seixal, Porto Moniz e Paúl da Serra. Regressámos ao Funchal pela via expresso Prazeres – Ribeira Brava com passagem pela Calheta. Durante todo o passeio, houve muita força de boa disposição, retratos a tudo o que mexia ou estava quedo, cavaqueira a dar com um pau e a presença constante do Xavier que pacientemente ia colmatando as lacunas que estes continentais interessados, por vezes ignorantes, revelavam acerca da Madeira, suas gentes e recursos. A noite terminou em beleza com o jantar servido num restaurante do Funchal, o Barqueiro, que se recomenda.
Pois são estas, amigos, as notícias que vos envio a partir da Madeira sobre este passeio que ainda há-de ser contado e recontado aos nossos netos. Mais notícias frescas, só amanhã.

Juan

domingo, 6 de setembro de 2009

18 - Viagem a Tenerife

.
C.V. - Tenerife, Pico Teide

C.V. - Tenerife, palmeiral no Loro Parque

C.V. - Tenerife, paisagem árida na base do Pico Teide
Em Tenerife, comemorando os 25º aniversário de casamento.
Por: Carlos Vinhal

Depois daquela romagem de saudade à Ilha da Madeira em1985, durante uns anos não houve férias para ninguém. Provavelmente demos umas voltas pelo nosso lindo rectângulo, do qual tenho algumas fotos, tão boas que nem parecem tiradas por mim. Qualquer dia mostro-as.
O tempo foi passando e sem darmos conta, íamos completar 25 anos de casados. Estávamos então em 1997.
Para festejar, resolvemos ir ao “estrangeiro”. O mais “estrangeiro” a que tínhamos ido, foi ali em Vilar Formoso ao passarmos para o outro lado do meco que assinala a fronteira entre Portugal e Espanha.
Tinham-nos dito que as Ilhas Canárias eram muito bonitas, quase tanto como a Madeira e os Açores, pelo que resolvemos ir dar uma escapadela.
Fui à Agência de Viagens, não sei viajar doutra maneira, marquei o Hotel, em Tenerife, em função das estrelas dele e do meu dinheiro, respectiva passagem de avião, e lá fomos numa altura que incluía o dia de aniversário do nosso casamento e dos anos da minha mulher. Por acaso ela nasceu no dia em que havia de casar 24 anos mais tarde. Coincidências.
Viagem muito agradável até que o Comandante da aeronave anunciou a chegada ao nosso destino. Vou tentar descrever o que vi, ou melhor, não vi.
Pela janela do avião vislumbrava-se uma área enorme de não sei quantos quilómetros (ou milhas) de nuvens, e de repente no meio das ditas, o pico de um monte a furá-las.
O avião continuava a perder altitude para fazer a aproximação à pista e eu a tentar ver os hotéis, piscinas, casas chiques, praias de areia dourada e tudo o mais que eu julgava ir encontrar. Mas nada, só paisagem lunar. De repente no meio do deserto viu-se um aeroporto. Bem ao sul da Ilha, tão ao sul que quase o faziam no mar. Pousámos no meio do deserto, literalmente, esperando que estivessem à nossa espera. Convém dizer que no nordeste da ilha há outro aeroporto próximo da capital, Santa Cruz de Tenerife.
Estávamos já no interior do Aeroporto Rainha Sofia, assim se chamava este, quando alguém exibia um cartaz com o meu nome.
O ar estava sufocante, mesmo não havendo sol. Estava completamente desiludido.
Metidos num autocarro lá fomos a caminho de... nem eu sabia de quê.
Andados uns quilómetros, começou a aparecer a “civilização”. Quem havia de dizer que debaixo daquelas nuvens todas, se iria encontrar aquela aglomeração enorme de hotéis para todos os gostos e carteiras. Gente de todas as nacionalidades e cores, vestidas, ou despidas, da maneira mais adaptada ao clima tórrido que se fazia sentir. O nosso destino era a Praia das Américas e o Hotel Las Palmeras.
O Hotel tinha uns jardins muito bonitos com vegetação predominantemente tropical.
A Praia das Américas é uma zona projectada para o turismo. Toda a noite tem movimento. As esplanadas dos cafés e hotéis têm música a toda a hora. Juro que “vi e ouvi” os Platters a cantar o “Only You”. Também “vi e ouvi” os Beatles ao vivo e a cores, ali mesmo à mão. Pintores mais ou menos audazes pintam a spray, a carvão e a óleo. Charretes puxadas a cavalo levam turistas a passear por umas quantas Pesetas (ainda não havia chegado a era do Euro), para nós portugueses muitas.
Estão disponíveis autocarros de graça para levar os turistas aos pontos de interesse, devidamente publicitados. Cada autocarro tinha o seu destino. Estou a lembrar-me de um horto onde fomos só com cactos, onde também se podia andar de camelo.
Os hotéis situados à beira-mar têm saídas nas traseiras que dão directamente para um passeio em cimento que corre ao longo da praia de... godo. Areia, nem vê-la naquela zona. Este passeio era pejado de pequenos restaurantes e vendedores ambulantes, africanos a maioria, pelo que dava para se dar umas boas caminhadas, comprar umas bugigangas ou comer qualquer coisa.
Uma noite fomos ver um espectáculo à Pirâmide de Arona com a actuação do Gran Ballet Clássico Espanhol, coreografado por Carmen Mota. Inesquecível.
Nesta sala de espectáculos cabiam largos milhares de pessoas e estava praticamente esgotada.
Outra noite, coincidente com o dia de aniversário do nosso casamento, fomos ao Casino ver um espectáculo de variedades, com direito a champanhe tudo.
Nas outras noites, quando não havia programa, passeava-se e ouvia-se música ao longo das ruas.
Juntámo-nos com uma senhora que andava acompanhada da filha e do namorado, alugámos um carro e assim pudemos dar umas voltas pela Ilha.
Visitámos o Parque das Águias, onde presenciámos os voos das ditas que iam para tão longe que dava a ideia de que tinham ido embora para sempre, mas ao fim de algum tempo regressavam, em voo picado com uma precisão impressionante, à mão do seu domador. A seguir, vimos um elefante a fazer habilidades no meio da multidão, parte de que gostei menos, porque o paquiderme podia estar mal disposto naquele dia e atacar alguém.
Seguimos depois para o Loro Parque, espécie de Jardim Zoológico, onde se podia ver espectáculos de ilusionismo, golfinhos, papagaios amestrados, uma flora fabulosa e animais, ditos selvagens, de toda a espécie.
No Parque tinha ainda um aquário que era uma maravilha, com tubarões que se passeavam num enorme tanque de água, em vidro que fazia um túnel por cima dos visitantes. Perdi-me com a máquina de filmar a registar aqueles movimentos vagarosos e elegantes daqueles bichinhos, mesmo, mesmo por baixo deles. Pudemos ainda ver outros peixes de menor porte em diversos aquários mais pequenos.
Um dia tentámos ir ao cimo do famoso Pico Teide, o tal que consegue furar as nuvens, mas chegámos tão tarde e a fila para o teleférico era tão grande, que nos limitámos a olhá-lo cá de baixo e continuar viagem.
Seguimos então para Santa Cruz de Tenerife, uma cidade típica da beira-mar, ventosa e cosmopolita. Lembro-me que na altura jogava no Clube de Futebol local, o Domingos Paciência, meu vizinho e actual treinador do Braga FC.
Outro dia bem ocupado, foi um que passámos a navegar ao largo da Ilha, a bordo de um navio com o casco em fibra de vidro, com almoço e lanche a bordo. Pude ver e filmar os golfinhos que nos acompanhavam, que brincando passavam de estibordo para bombordo, e vice-versa, por baixo do navio.
O que é bom, acaba sempre, e lá chegou o dia do fim das férias e de voltar à realidade. Regresso ao Porto e ao trabalho.
Um dia destes trago mais uma perigosa aventura, acontecida em mais uma viagem organizada a algures onde haja um hotel com quarto e banho privativo.

CV



sábado, 5 de setembro de 2009

17 - Alma de Viajante

.

Lago Baikal: wwwrussianspy.org


Catedral de Kazan, S. Petersburgo: wwwwikimedia.org


Sibéria: www20minutos.es


Há cerca de três meses decidi contratar uma empregada à hora para fazer umas limpezas lá em casa. Uma prospecção rápida, mostrou que apesar da tão propalada crise e consequente desemprego, não era fácil encontrar mão de obra nacional disponível. Virei-me então para a Mariska, uma bela ucraniana que trabalha no café onde costumo tomar a bica da manhã e perguntei-lhe se conhecia alguma amiga (assim como tu …!), fluente em português, disposta a assumir o lugar. Não prometeu nada, mas ofereceu-se para indagar. Esperei três ou quatro semanas até que resolvi questionar a Mariska quanto à falta de notícias. Disse-me que a espera se devia ao facto de andar à procura de alguém que fosse da sua inteira confiança. Por acaso ou talvez não, nessa mesma semana recebo uma chamada, mais ou menos nestes termos:
- Bom dia …olha senhor J. fala Svetlana, mulher para trabalhar horas nas limpezas.
Como tenho uma colega russa chamada Svetlana, perguntei-lhe se era realmente ucraniana.
- Não, eu sou de Rússia! Pode chamar Svetlana ou Svêta que é nome mais pequenino (diminutivo).
- Então e onde é que estás? Tens transporte? Sabes onde eu moro?
- Sim, tem carro mas não conheço casa. Estou com Mariska, no café.
- Muito bem, aguarda um momento que eu vou ter contigo.
Fui ao seu encontro. Ao chegar, apercebi-me que havia várias mulheres na cavaqueira, de pé, junto ao balcão. Falavam uma língua “lá daqueles lados” e riam muito. Algumas eram lindíssimas como são quase todas as mulheres do Leste, e estavam todas muito bem “arranjadas”. Rezei baixinho para que a minha futura empregada fosse uma delas!
Aproximei-me e perguntei:
- Bom dia, qual das senhoras é a Svetlana?
A risota acabou, e lá do meio do grupinho, sai-me um pisco … um pinto molhado!
- Sou eu, diz uma rapariguinha com o dedito indicador no ar.
Apresentei-me e, pelos olhares, percebi que aquelas malinas estavam num descomunal gozo com a pobre cachopa. A causa da boa disposição das colegas prendia-se sem dúvida com insinuações maldosas sobre a futura convivência da Svêta com o patrão.
A minha empregada tem o corpo de uma adolescente. É uma mulher de trinta e tal, perto de 40anos, de estatura média a puxar para o franzino. Tem cabelo louro, com um corte pelo pescoço e uma franja espetada para a frente que ela compõe com um sopro. Os olhos são de um azul tão intenso, que eu suspeito serem reflexos das águas do lago Baikal.
É casada com um motorista de longo curso e vive há oito anos em Portugal. Tem dois filhos, a mais velha com oito anos, sofre de paralisia cerebral e o mais novo de quatro, nasceu cá. Profissionalmente, não lhe reconheço grande virtuosismo na área das limpezas, o que me despertou uma certa curiosidade quanto à sua profissão na Rússia. Esquivou-se delicadamente à resposta esclarecendo que não veio para Portugal por causa do dinheiro. Disseram-lhe que encontraria entre nós condições para uma melhor qualidade de vida do seu filho deficiente (frequenta uma Cerci), por isso não hesitou em abandonar a sua cidade natal, situada a trezentos quilómetros a nordeste de Moscovo, a caminho da Sibéria.
Mas a Svêta é também uma personalidade muito curiosa. Nem sempre aparece à hora combinada. Se se atrasa, já conheço o refrão:
- Olha senhor J., noite de ontem muito bom …calor. Nós gosta muito de dar voltinha. Meninos brinca, brinca … Manhã de hoje muuuuiinto sono!
Chega de malita (carteira) na mão, vestida de calça de ganga, T shirt e chinelo de enfiar o dedo. Arruma o seu Audi no jardim e muda de roupa. Uns trinta segundos depois, aparece-me de calças de ganga, T shirt e chinelos de enfiar o dedo! Tudo um pouco mais usado, é certo. Acompanho-a aos “pontos nevrálgicos” da habitação a requererem os seus cuidados e, sumariamente descrimino-lhe as tarefas do dia. A partir daí, a Svêta eclipsa-se! Desloca-se pelos três pisos da casa sem fazer o menor ruído. Não fala, apenas sussurra, e raramente se deixa ver. Quando tal acontece, vislumbro-a ao fundo de um corredor ou no limiar de uma porta com dois ou três baldes numa mão, um feixe de vassouras debaixo do braço e uma resma de panos do pó ao ombro. Não empeça, não colide, não toca em nada, e os seus passos não se ouvem. Parece uma sombra, só o desgraçado do aspirador a denuncia!
Nas raras vezes em que nos cruzamos, observo-lhe o rosto afogueado e a franjita da testa transpirada. Faz-me lembrar a conhecida figurinha tradicional da Rússia, a matrioska. Quando precisa da minha atenção para qualquer assunto, aborda-me silenciosa e invisível com um toque no ombro.
A semana passada, senti um desses toques subtis. Virei-me e na minha frente, a Svêta, com ar muito sério, diz-me num quase murmúrio:
- Olha senhor J., (o olha senhor, inicia todas as frases), dizer que mês de Setembro, férias, não trabalha.
- OK, Svêta. Vais então até à Rússia … e já têm data marcada? Vão de avião certamente. …
- Nããão. Vamos na carro!
- Como assim? Então tu não sabes que já existem voos directos para a Rússia?
Aí, um sorriso franco iluminou-lhe o rosto. Com uma expressão doce e paciente de quem tenta ensinar qualquer coisa a um burro, replicou:
- Sim, sabe muito tempo. Mas viagem na carro, três dias … férias muito bom. Umas vezes vai por Alemania, outras por Áustria ou República Checa, já foi também por Polónia e Eslováquia … Três dias (faz o sinal com os três dedos da mão), muito bom!
Gosta muito ver paisagem, fala com pessoas, prova comida deles …muito bom … muito bom!

Tem alma de viajante, minha empregada russa!
Prometeu-me que nas próximas férias eu poderia acompanhar a família. Aguardo ansiosamente o seu regresso. E o verão de 2010.

PS: Pouco depois de ter escrito este texto, falei com uma filha a quem a Svêta também presta alguns serviços. Disse-me que a nossa empregada é licenciada em economia e o marido é engenheiro de rodovias.

Juan



sexta-feira, 4 de setembro de 2009

16 - A minha primeira Viagem - II

.
C.V. - "Os meus pais e eu"

C.V. - Igreja matriz de Azurara

Não tenho por hábito comentar os posts de outros participantes. Mas, para dar força a uma ideia que explicitei anteriormente em que convidava os visitantes a descobrirem o Homem através dos seus escritos, esta pequena história merece uma referência especial. Por trás de uma aparente singeleza, o seu autor consegue em dois ou três parágrafos, mostrar como uma família pode ser pobre em recursos materiais e abundar em felicidade. Estão de parabéns os pais se ainda forem vivos, a esposa e os filhos do Carlos por poderem contar com o seu amor e carinho.
O editor, Juan

A minha primeira viagem

Por: Calos Vinhal


Teria pouco mais que 8 meses de gestação e ainda estava no quentinho da barriguinha da minha mãe.

O meu pai, ainda solteiro, havia “emigrado” em Dezembro de 1945 de Azurara, freguesia do concelho de Vila do Conde para Matosinhos em busca de uma vida melhor. Um familiar da minha mãe tinha-lhe arranjado um modestíssimo emprego como funcionário público na “Junta”, assim era conhecida na época a entidade que administrava os Portos do Douro e Leixões, mas muito bom para quem não tinha nenhum meio de subsistência. A minha mãe, sua namorada, ficou em Azurara à espera de melhores dias para se poderem casar.

Mais tarde, em 1947, os meus pais casaram e ficaram a viver num quarto, em Matosinhos que o meu pai já ocupava em solteiro, propriedade de um senhor que eu ainda conheci, o senhor Alexandre, também funcionário da Junta, onde eu terei sido concebido. Vida difícil, a deles, como a de quase toda a gente naquele tempo, estávamos (estavam eles) no pós guerra. Havia imensa falta de emprego, de géneros alimentícios, as pessoas, em virtude das privações, eram doentes e não tinham dinheiro para se tratarem. O meu pai ganhava pouco e a minha mãe não tinha emprego, como a esmagadora maioria das mulheres naquele tempo, destinadas à função de donas de casas. Imagine-se as dificuldades por que passavam, ainda por cima longe da família,

Apesar de tudo, fui-me desenvolvendo de acordo com as leis da natureza, até que chegou a data em que eu tinha de conhecer o mundo. Como naquele tempo não havia Maternidades, nem para fechar, as crianças nasciam todas em casa, das avós preferencialmente, que pela prática, tinham adquirido conhecimentos quase empíricos que as habilitava a assistir aos partos das mulheres mais novas, filhas, noras ou simplesmente vizinhas. A ideia era eu nascer na casa da minha avó materna, em Azurara, sendo a função de parteira destinada à minha avó paterna que tinha sido mãe já 11 vezes.

Matosinhos e Azurara distam entre si um pouco menos de 25 quilómetros, distância que hoje se faz em pouco mais de 20 minutos, mas naquele tempo era preciso apanhar um lento comboio em Matosinhos, ir até à Senhora da Hora, sair deste e esperar por outro, um pouco menos lento, que vindo do Porto, Trindade, ia para a Póvoa de Varzim. A estação de Azurara ficava duas paragens antes do fim da linha.
Da estação do caminho de ferro até casa da minha avó ainda era um bom bocado a pé, pelo que imagino hoje a dificuldade que a minha mãe terá tido para percorrer a distância já que estava “no fim do tempo”.

Nasci nos fins de Março de 1948, e como não aparentava grande saúde, fui baptizado logo a 12 de Abril, não fosse morrer e não me serem franqueadas as Portas do Paraíso. Não esqueçamos que naquele tempo, quem morresse antes do baptismo, ia para uma coisa chamado “Limbo” (nem Inferno, nem Purgatório) à espera de deferimento para aceder ao Céu. Felizmente que hoje, graças a um “Decreto” do Papa Bento XVI, qualquer criança que morra sem ter sido baptizada, vai direitinha para o Paraíso. Desculpem este à parte.

Nesse mesmo fim de semana regressámos já os três, nos mesmos comboios, mas em sentido inverso, naquela que seria a minha primeira viagem, aconchegadinho ao peito da minha mãe, para enfrentar a vida e contar, ou descontar, os anos que conseguimos somar, ou subtrair.

OBS:- Na foto que envio da Igreja onde fui baptizado, onde hoje é a escadaria, ficava a casa onde nasci e de onde saiu a minha mãe para casar com o meu pai.